Apesar da estima crescente de que Andy Warhol gozava nos meios da
publicidade e do luxo, ele aspirava a ser reconhecido como artista, como
« verdadeiro » artista, cujos quadros seriam a única recomendação e
atingiriam, quando não ultrapassassem mesmo, o valor dos bens de consumo
cobiçados.Sabe-se que Warhol escondia os seus trabalhos comerciais,
quando esperava a visita de coleccionadores de arte no seu estúdio, pois
mesmo na Nova Iorque dos anos 50, a arte comercial tinha fama de ser de
mau gosto. Não era ela sinónimo de cálculo, rotina, reprodução,
mecanização e até mesmo mentira?Não era ela o oposto da arte « autêntica
», este verdadeiro espelho da alma e do coração, sentido e não
fabricado, incondicional e eternamente consagrado à verdade?
Provavelmente o futuro artista conhecia já os lugares comuns. No
entanto, Andy Warhol conservou sempre, além do
atelier para a
arte- arte ,um outro para o trabalho publicitário comercial. E se, por
fim, este estúdio comercial se ocupava apenas da comercialização dos
seus próprios produtos, isto prova a inteligência superior de Warhol,
assim como a sua sensibilidade para os critérios de valor do meio
artístico.*
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WARHOL
Klaus Honnef
TASCHEN / PÚBLICO.
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| Andy Warhol. Auto retrato 1963 a 64. |
Auto
retrato de Andy Warhol vendido por 38,4 milhões de dólares num leilão
da casa Christie,s em Nova Iorque no dia 12 de Maio de 2011. Algo como
27 milhões de euros.