domingo, 31 de julho de 2011

Grutas do Poço Velho. Cascais.

      Cascais já era um povoado conhecido no tempo em que os romanos dominaram a Península Ibérica Chamavam-lhe então Cascale. Talvez abrigasse  um " Castro ", uma praia de pescadores , " vilas " de luxo para uso dos patricios.

Poço Velho. Entrada das Grutas na actualidade. Foto de 29 / 7 2011.

As grutas do Poço Velho. Encerradas no interior do gradeamento.
    Nada se sabe ao certo da origem de Cascais. Mas é de supor que o seu chão seja um antigo solo histórico em que as citânias se sobrepuseram às citâneas. O significado integral das grutas do Poço Velho ainda não foi inteiramente compreendido.
   Mesmo no coração de Cascais, nos terrenos vizinhos da estação ferroviária, numa barreira ao fundo do jardim do visconde da Luz, abrem-se as três bocarras dessas grutas. Local acessível, fácil de ver. As grutas, cujas cavernas são obra da Natureza, serviram de cemitério a uma desaparecida humanidade- -milenária , decerto então residente no termo de Cascais ,mas cuja recordação se perdeu no grande tempo sem contagem. Pode supor-se que as suas cavernas de vivos vizinhassem com as dos mortos. Pode fantasiar-se que há cinco mil anos já existia um aglomerado humano no solo da vila histórica, e tão estuante de paixões e vaidades como todos os aglomerados humanos - sobre cujos vestígios se ergueram sucessivamente a Cascale romana, a aldeia mosárabe, a vila dos pescadores medievos , a antiga povoação da cidadela, e a urbe aristocrática que foi a praia querida dos nossos últimos reis.

Sobre as barreiras ocas dessas cavernas tumulares do homem primitivo erguem-se agora alguns prédios da moderna Cascais.
    Já em 1879 as furnas do Poço Velho tinham sido exploradas pelo geólogo Carlos Ribeiro. o espólio que deram, rico em elementos de estudo  - machados de pedra polida, cilindros de calcáreo, setas e facas de sílex, vazilhas de cerâmica, objectos de osso, contas de colar,placas de xisto gravadas, um crescente lunar em calcáreo, ossos humanos e de vários animais domésticos que ainda hoje servem a humanidade  - encontra-se actualmente num museu e tem sido observado por vários arqueólogos. Ùltimamente, o arqueólogo Afonso do Paço estudou detidamente todas essas peças, fotografou-as, relacionou-as, comentou-as, e publicou num livro o resultado dos seus trabalhos de investigação sobre as relíquias deixadas pelos homens que habitaram, talvez com prioridade, essa terra de Cascais, a via maravilhosa da Costa do Sol
  
Do livro de  Branca de Gonta Colaço e Maria Archer.
                      " Memórias da Linha de Cascais "
                       Publicação do ano de 1943 .                                      

sábado, 30 de julho de 2011

Extraterrestre .



                                        Vou contar-vos uma história que não me sai da memória.
                                        Foi para mim uma vitória nesta era espacial.
                                         Outro dia estremeci, quando abri a porta e vi
                                         Um grandessíssimo O.V.N.I. pousado no meu quintal.

                                         Fui logo bater à porta. Veio uma figura torta, eu disse:
                                       " Se não se importa poderia ir-se embora ? "
                                         Tenho esta roupa a secar e ainda se vai sujar
                                         Se essa coisa aí ficar a deitar fumo pra fora.

                                         O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                         Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                          Mexeu lá no botão e pode contar-me, então,
                                          Que tinha sido multado por o terem apanhado sem carta de condução.

                                          O senhor desculpe lá. Não quero passar por má,
                                          Pois você aonde está não me adianta nem me atrasa.
                                          O pior é a vizinha que parece que adivinha.
                                          Quando vir que estou sózinha com um estranho em minha casa.

                                           Mas já que está aí de pé, venha tomar um café.
                                           Faz-me pena pois você nem tem cara de ser mau.
                                           Eu queria saber, também, se na terra donde vem
                                           Não conhece lá ninguém que me arranje bacalhau


                                                                                  
                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão, disse para me pôr a pau
                                            Pois na terra donde vinha nem há cheiro de sardinha
                                            Quanto mais de bacalhau.

                                            Conte agora novidades. É casado ? Tem saudades ?
                                            Já tem filhos ? De que idades ? Só um ? A quem é que sai ?
                                            Tem retratos, com certeza. Mostre lá, ai que riqueza !
                                            Não é mesmo uma beleza ? Tão gordinho, sai ao pai.

                                            Já está de chaves na mão ? Vai voltar para o avião ?
                                            Espere que já ali estão umas sandes pra viagem.
                                            E vista também aquela camisinha de flanela,
                                             Para quando abrir a janela não se constipar co'aragem.

                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão e pôde-me dizer então
                                            Que quer que eu vá visitá-lo, que acha graça
                                             Quando eu falo.Ou ao menos para escrever.

                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão só pra dizer
                                            " Deus lhe pague "

                                            Eu dei-lhe um copo de vinho e lá foi no seu caminho
                                            Que era um pouco em ziguezague.  ( * )
                                                                                                    

                 ( * ) De autoria do falecido Carlos Paião .
                              Interpretação do grupo MESA.                          
                                           
                         

sexta-feira, 29 de julho de 2011

De bom humor. A carta de despedida.


  Pois meu filho é assim a vida. Olha cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas. Como tinha ficado de te enviar a fotografia do teu primo aquando do dia de festa cá da terra aí a tens.


 Ainda se vê a prima ao fundo... A festa foi bonita.Houve um concurso de porcos. Foi pena não estares cá . Tinhas ganho de certeza. Olha fiz-te uma camisa nova com as velhas de teu pai. O teu pai caiu na tina de vinho. Foi um castigo para o tirar de lá, empurrava todos e dizia para o deixarem sózinho, até parecia o teu tio quando caiu no depósito da cerveja lá na fábrica onde trabalha.  Não se deixava tirar e gritava por tremoços. Já se vê. É da família estes desastres. Vou acabar dizendo-te a pena que tenho de te não enviar os vinte euros dentro da carta, como pediste, mas quando me lembrei disso já tinha fechado o envelope.
 Beijinhos de todos. Menos do teu irmão que bateu com a cara no muro quando corria a apanhar caracóis.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um sonho impossível. ( para nós portugueses )

                                                              SONHEI que...
 ... O que me espera nos próximos dias meses e anos. Imagino uma situação deveras tranquila refastelado sob a sombra de alguma árvore se for verão, ou ao calor do fogo se for inverno. Se a primavera for a estação eis-me a passear por este país maravilhoso , se for outono, que bom o cheirinho das castanhas assadas. Mereço este bem estar pois à semelhança dos meus patrícios dediquei uma vida ao trabalho contribuindo com os meus descontos para esta reforma tida sempre como garantida, o que se confirmou ser verdade.  Receio uma qualquer dor ou mal estar físico, claro está, mas, enfim se houver necessidade tenho a segurança social ao meu dispor. Tenho visto grupos de idosos como eu que partem em excursões pelo país e pelo estrangeiro fomentadas e incentivadas pelo Estado forma gentil de retribuir todos os sacrifícios que lhe dedicaram ao longo de uma vida útil. Ainda bem que é assim em quase toda a Europa. Eu estou tentado a aceitar um desses convites porém, e, graças a este mesmo Estado que tanto nos ajuda a todos, ando a poupar uma parte substancial da reforma afim de efectivar um cruzeiro por  esse Mundo embora a assistência à velhice ache isso desnecessário pois no fim acabamos todos por visitar o mesmo. Quem diria que quando se construiram diversas infra-estruturas auto estradas, pontes e barragens. Se melhoraram  aeroportos, vias férreas etc. com os empréstimos da União Europeia seria tão cómodo o seu pagamento e que bom sentir as gerações vindouras gratas aos politicos deste tempo. Sinto-me tão feliz ! Obrigado meu Portugal pelos brilhantes filhos que criaste.

Em breve estaremos assim. Ou lá perto.    ( * )

    Em conclusão do meu racíocinio edito esta foto para realçar e agradecer à Classe Política  que sempre nos tem governado o nunca permitir que cenas destas ou outras semelhantes que decerto deverão existir no estrangeiro fossem possíveis por cá. Ainda bem. Benditos sejam durante muitas e muitas gerações. Continuarei a votar sempre convicto de contribuir para o bem estar geral independente do partido que for eleito. A abstenção é tão baixa o que prova a nossa confiança nos deputados ou presidente, pois todos têm dado sobejas provas de só se preocuparem com o nosso bem estar. A não ser assim como é que nós portugueses temos tão pouco desemprego e até se diz que só não trabalha quem não quer.
 Vou-me deitar não sem antes lembrar o passeio que acabei de dar pelas ruas aqui da vila. Tanta gente, tanta alegria e que sensação de segurança transmite ver um cívico ou como é mais usual dizer, um agente da polícia  passar por mim e cumprimentar com um sorriso.... ( 1 )

 ( 1 )  -  "  Aqui soprei a vela e adormeci enrolado num cobertor frio. A fome fizera-me acordar deste sonho para a realidade. "
                                                           
(  *  )     Web site desta imagem. " Sentidos da educação social "

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Anticiclone. O que é ?

  Tanto vento de nortada , algum desconforto térmico para esta época do mês, já bem entrado o Verão. A culpa é do Sr: Anticiclone dos Açores que resolveu passear um tanto ou quanto fora dos seus terrenos habituais ou, antes, andar de candeias às avessas com depressões  ( também ele coitado ) ondulações e cristas anticiclonicas. Fui então tentar saber o que é um anticiclone. Consultei quem sabe e... eis o que encontrei .

A família hoje. 
    "    O que é um anticiclone ? Antes de mais, anticiclone não significa  " anti tempestade ", porque " ciclone " não significa tempestade, a não ser numa corrupção de informação. Todas as grandes tempestades da atmosfera terrestre são centros de pressão baixa, centros ciclónicos: mas quase nenhuns centros ciclónicos chegam a ser tempestades.
   ANTICICLONE - É um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais frio e mais pesado, em cima, desce, aumentando a pressão junto ao solo: é um centro de pressão atmosférica alta, ou  " uma Alta " na gíria. Ao contrário, um ciclone é um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais quente e mais leve, em baixo, junto ao solo, sobe  - como o balão de ar quente  - baixando a pressão junto ao solo: é  um centro de pressão baixa, depressão ou  " uma Baixa ".
   Pensemos no esquema seguinte, simples: sobre uma região em que o ar seja mais quente que nas vizinhanças, o ar aquece e, porque o ar quente é mais leve que o ar frio, o ar quente sobe na atmosfera, como um balão de ar quente, como o  " balão de S. João ". Ao subir, o ar quente provova uma rarefacção de ar junto à superfície, ou seja, um abaixamento de pressão, ou um centro de pressão baixa: uma depressão, um ciclone. Mas o ar quente que sobe ( e a esta subida chama-se convecção , arrefece e torna-se mais pesado do que era; mas é  " empurrado " para cima pelo ar quente que vem de baixo . Então, este ar arrefecido tem que se afastar da coluna de ar que subiu, até que, por se ter tornado mais pesado, começa a descer  ( e esta descida chama-se subsidência ), comprimindo o ar que está por baixo e forçando-o a afastar-se, na base.
   Entretanto, por compressão, o ar aqueceu, chega à superfície e afasta-se. Por compressão formou-se uma região de pressão alta, um anticiclone.
  Facilmente se conclui que há circulação do ar atmosférico das  " altas " para as  " baixas ", à superfície, e das " baixas " para as  " altas ", em altitude ( sem que esta  " altitude " seja muito alta... ).
   No Hemisfério Norte, em torno dos anticiclones o ar roda no sentido dos ponteiros do relógio, para a direita, e em torno das depressões, ou ciclones, roda no sentido oposto, para a esquerda.
  Também se conclui que uma área anticiclónica deve ter  " céu geralmente limpo ", o que as imagens de satélite mostram ser  " quase verdade "  " ( * 1 )

( * 1 - Extracto do livro O ANTICICLONE DOS AÇORES .
           Obra de Anthimio de Azevedo. *

* Anthimio José de Azevedo . Nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 27 de Abril de 1926. Licenciado em Ciências Geofísicas, especializado em Meteorologia.                                

terça-feira, 26 de julho de 2011

Água = Vida . ???



    Uma boa notícia...para variar.
                                   
     Segundo li no Diário de Notícias de ante-ontem 24 ; " Duas equipas de astrónomos  lideradas por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriram o maior e mais distante reservatório de água alguma vez encontrado no universo.
     Localizada a 12 mil milhões de anos luz  ( o que  significa que as imagens são de uma altura em que o universo tinha só 1,6 mil mil milhões de anos ) a massa de vapor de água é 140 biliões de vezes superior `a quantidade de água de todos os oceanos da Terra.

           A 12 mil milhões de anos luz .Água em quantidade de 140 biliões de vezes superior à   existente nos nossos mares.

       A massa de água encontra-se à volta de um quasar, um dos objectos mais brilhantes do universo  "

Quase que fico sem fala ...Então sendo assim e considerando a velocidade da luz ( 300.000 km / segundo ) algo como 7 minutos do Sol à Terra, será que ainda lá estará hoje ?  Como dizia um ex dirigente político cá na urbe " é fazer as contas "!
 De qualquer das formas não deixa de ser animador confirmar, na prática a teoria de que, onde há água há vida. Pena é que nunca, neste caso, a humanidade em termos técnicos e materiais jamais lá possa ir e voltar para contar o que viu. Decerto haverá  " algo " mais perto. Tenho fé nisso. ( Religiões à parte p.f. ) Aguardemos pois. Será que algum ser, desse imenso cosmos nos dará uma dica ?  Andará por aí, com essa vontade ? Gostava tanto de saber o que se esconde sob a capa do desconhecido! Ou estaremos sós fisicamente ? Não creio.

                                                   

Amores famosos da História e da Literatura.



                                                      PETRARCA  e LAURA.

              São poucos os dados que a história nos reserva acerca dos amores de Petrarca e Laura.

Petrarca e Laura  ( Século  X I V  ) *
* Wikimedia Commons .



       Sabe-se que o celebrado poeta e pensador italiano, nascido no ano de 1304, viu pela primeira vez a sua amada numa Sexta - Feira  Santa, durante os sagrados ofícios, na igreja de Santa Clara de Avinhão.
      Concebeu uma paixão imensa e aliás impossível, pois não era livre a dama tão loucamente amada. Não obstante, Petrarca dedicou a vida inteira a cantar aquele grande Amor. Quando Laura morreu, vítima da peste que assolou a cidade de Avinhão, escreveu Petrarca uma poesia maravilhosa: " In morte de Madona Laura ". E quis recolher a um convento.
     Tal passo não lhe foi permitido, porém, por seus parentes e amigos. De Petrarca são os belos versos que bendizem o instante em que conheceu a Amada.

                                                  Bendito seja o ano, o sítio, o dia,
                                 A estação, o lugar,o mês, a hora calma
                                 E o país em que seu encantador olhar
                                 Se encandeou na minha alma...

                                                                       
                                         Patrizia Vaccari  -( Soprano ).   Gabriel Dal Santo - ( Piano.)                    


                                                                 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A quem deixa ele a fortuna ?

                   
                     Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e pena , e escreveu assim :

                                                            
 " Deixo todos os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada  para os pobres ".

                                              Não teve tempo de pontuar e morreu.
                                                 
                                                    A quem deixa ele a fortuna ?
                                                 
                                                      Eram quatro os concorrentes.

     Chegou o sobrinho e fez as pontuações numa cópia do bilhete:

    " Deixo todos os meus bens à minha irmã ?  Não.  A meu sobrinho.
      Jamais será paga a conta do alfaiate.  Nada  para os pobres. "

     A irmã do morto, chegou em seguida, com outra cópia do escrito e fez as pontuações deste modo:


      " Deixo todos os meus bens à minha irmã.  Não a meu sobrinho.
        Jamais será paga a conta do alfaiate.  Nada  para os pobres."

    Surgiu o alfaiate, que pedindo cópia do original, fez estas pontuações:

     " Deixo todos os meus bens a minha irmã ? Não.  A meu sobrinho ?
        Jamais.  Será paga a conta do alfaiate .  Nada  para os pobres. "


  O Juíz estudava o caso quando chegaram os pobres da cidade e um deles mais sabido, tomando de outra cópia, pontuou assim :


    " Deixo todos os meus bens a minha irmã ?  Não.  A meu sobrinho ?
      Jamais.  Será paga a conta do alfaiate ?  Nada.  Para os pobres.

                                                                  

domingo, 24 de julho de 2011

Por vezes lembro-me disto.

                                                        


          Há  coisas que se não conhecem bem senão nas ocasiões.
                                                                           
                                                                   


                                                            Eric Clapton . Lágrimas no paraíso.                                     
         Canção escrita e dedicada à memória de seu filho Conor Clapton de apenas 4 anos, trágicamente falecido. 
                                                   
                                                         LÁGRIMAS NO PARAÍSO
                                      Saberias o meu nome se eu te visse no paraíso ?
                                     Serias a mesma pessoa  se eu te visse no paraíso ?
                                                                      
                                     Segurarias a minha mão se te visse no paraíso ?
                                     Ajudar-me-ias a ficar de pé se te visse no paraíso ?

                                     Irei encontrar o meu caminho porque sei que não
                                     posso ficar aqui, no paraíso.


                                     O tempo pode  trazer- nos para baixo.
                                     O tempo pode fazer -nos dobrar os joelhos                                                                                            Fazer-me implorar " Por favor ". Após essa 
                                      porta, existe paz, eu tenho a certeza.


       Sei que nunca mais haverá lágrimas !!  Saberias o meu nome  se me visses no paraíso ?
                                    Tenho de ser forte...seguir em frente, porque sei
                                      que não pertenço aqui, ao paraíso. *  ( 1
                                                                   
                   
                                 
       (*  1- Tradução minha pelo que peço desculpa das eventuais falhas das quais sou o único responsável. Afinal não sou bom na língua inglesa.                                                        

                                           

                                           

sábado, 23 de julho de 2011

O fim.


 Terminou este dia. Fica para a minha memória como um dos tais que dentro de alguns anos, se os viver, terei ensejo em recordar .

 " Havia homens que sofriam dores atrozes, provindas de males sem remédio. Arrastavam uma existência miserável de sofrimento e deformação. Alguns estavam de tal maneira desfigurados pela doença que já começavam quase a perder a aparência humana. Não se podia dizer que vivessem. Aquilo era uma baça e sórdida imitação da vida. Mas, apesar de tudo, eles temiam histericamente a morte, apegavam-se ao Mundo, queriam viver. (...)
   Mas atentando mais nas pessoas e nos factos ele chegava à conclusão de que o que via, o que podia palpar, cheirar e ouvir não era tudo. Havia algo de indefinível para além da matéria. Ele não sabia bem o que era, tinha apenas uma ideia imprecisa, nevoenta. Ou seria apenas o seu desejo de acreditar que, em alguma parte do Universo, Olívia continuava ainda a existir ? Ou seria a sua relutância em aceitar a destruição irremediável da morte ?
   Pensava longamente em Olívia. Ela estava morta. Era concebível que sua gentileza, sua bondade, seu espírito de tolerância, sua coragem e sua incomensurável fé também tivessem apodrecido com a carne ?
   Não. Havia no Mundo uma imensa harmonia. Ele tendia a crer que todas aquelas misérias e conflitos desaparecessem dentro da grande harmonia universal. Tudo estava bem. "   *  
                                                                        



                                                                                                                

 Constituem estas palavras uma singela mas sentida homenagem a um ente querido que deste mundo partiu.. Foi a sua curta 
 vida recheada de heroismo o que a meus olhos representou sempre a sua luta contra uma doença que nunca a impediu de olhar o Mundo e aos que com ela privaram com um optimismo contagiante. Repouse em paz.

 * Erico Veríssimo
  "  Olhai os lírios do campo."
   

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Custo da vida.

São o dia a dia de muitos de nós todas estas adversidades  sociais e  por vezes familiares que convencionarei chamar de custo da vida. Poderia chamar-lhe de custo de vida mas isso já engloba outras reflexões. Para o caso em apreço, a minha experiência diária obriga a olhar cada dia que passa como 24 horas de incertezas, considerando até o sono pois nada me garante um descanso sem interrupções seja as que provêem do exterior ou seja ;  veículos , vento , animais etc... ou, até, um sonho agitado. O facto é que, quando acordo, parece que não descansei o suficiente e sei que difícilmente compensarei o corpo e o espírito dessas más jornadas. Há-de haver sempre algo que perturbará uma ou outra eventual sequência de horas mais ou menos sossegadas. Estou-me a lembrar, por exemplo, do recorrer à bicicleta fazendo umas voltas pelos percursos solitários. Não raro sucede algo cansativo e imprevisto após ou durante esses momentos. Depois tenho notado que, não vivendo numa ilha, tenho solicitações familiares a que devo assistir em colaboração despreocupada mas que acarretam sempre, para o espirito, mais umas cargas a livrar em vãs tentativas no tal futuro que chega tarde ou nem sequer chega. Isto sucede comigo e só de mim falo. Acredito e sei de algumas pessoas a quem o destino, ou lá o que lhe queiram chamar, bem que gostariam de estar no meu lugar. Afinal de que me queixo ?
Hospital de Cascais ou Dr: António José de Almeida.

    Assim é a natureza humana. Eternos insatisfeitos e nunca de bem com o que temos. Experimentar visitar alguma unidade de saúde talvez constitua uma boa tarapeutica. Apenas como visitante, pois ninguêm pode afirmar ao observar tanto infúrtunio que " dessa água não beberei " . Ao referir isto saliento o maior respeito que me devem tais instituições e seus colaboradores, é claro, apenas as citei para que olhando para mim senti uma intíma satisfação por não estar no lugar daqueles  que ali se encontram lutando pela saúde do corpo porque da alma, a have-la , a solução aparenta ser mais simples. Agora resta saber até quando. Bem que gostaria como quase todos nós, decerto, que ao chegar o fim da  " caminhada " pudesse encontrar a serenidade mental e fisica em que primassem pela ausência o esquecimento e a dor. A chamada " morte súbita ". Seja como for também ninguêm se acha preparado para tal. A vida custa a todos  diz-se  conotando-a com o custo social e material. Mas há outra vida bem mais custosa quando falta a saúde. É disso que me lembrei ao ir hoje ao hospital visitar um familiar. Todos sofremos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O tempo.



   Importante é de facto estar de bem com o nosso modo de vida segundo me parece e esteja inclinado a acreditar nisso.. No entanto tal não será o parecer de todos ou de cada um até porque andamos sempre em busca da chamada vida melhor. Natural e louvável atitude mas que esbarra,  quer queiramos quer não,  de encontro a " muros " erguidos por outros que, como nós, os   " edificaram " afim de atingirem semelhantes objectivos ou seja estarem bem com o mal dos outros. Sempre assim foi e sempre assim será. Haverá forma de contornar isto e, quando se consegue, resulta então no ponto de vista contrário sermos nós os causadores do mal estar daqueles outros. Surge daqui esta constante corrida que vemos em volta e em que também somos atletas. Corrida contra o tempo!   

Guincho e o Cabo da Roca. O ponto mais ocidental da Europa.
                                                          
                                                                
   A natureza parece ser igual ou agir igual. Ainda agora ouço o vento em nortada furiosa e fria a maltratar tudo deste litoral de Cascais. Que terá de ùtil  ? Presentemente nada, direi, seja de noite ou de dia.  Errado ! dirão alguns. Então e os desportos dele dependentes. e a limpeza da atmosfera. No entanto quem desejava um Verão de esplanada está insatisfeito. Parece que dentro de oito dias *  vai estar um calor abrasador cá por esta região. Se assim for lá estaremos de novo com razões de queixa, mas isto é a natureza e temos de agir em conformidade. Faço por vezes a mim mesmo a pergunta sobre o que será " o trabalho "  " que profissão terão "  " que tempo têm  "os meus conterrâneos que justifique estarem as nossas estradas sempre repletas de trânsito seja a que horas e em que dias forem da semana ? Se chove os centros comerciais estão cheios. Se faz sol estão as praias. Para ver isto é porque lá ando e tenho tempo, também, claro. Mas não é todos os dias ( com muita pena minha ) . Pronto. Já disse um pouco do que penso acerca de bem estar connosco próprios convicto de que para tal se concluir com  algum sucesso  tenho de  " ter tempo " e " estar bem " dentro do " sistema " em  permanente risco de ir contra o " muro ", como vou de vez em quando, e erguer também eu o meu  para outros nele baterem . Não vejo volta a dar a isto.Terei tempo ???

* Afinal as previsões de alguns entendidos falharam. Não só não houve calor como até esteve vento e frio.
    Cobre 2 de Agosto de 2011.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Recordando .

Telefone

  Tantas e tantas recordações me vêem à memória quando olho para este esquecido espécime do meu passado recente mas que, à luz dos tempos que correm, parece não do século passado mas de muito, mas muito  mais além. Como imaginar o que eram esses tempos ? As delícias de ouvir a  nossa  " mais que tudo " do outro lado da linha. A chamada para o cinema afim de " marcar uma reserva ". O táxi que era urgente. As tantas  " desculpas "  hoje impossíveis de  admitir de que ele foi protagonista. Tantas e tantas lembranças que dariam para cada um de nós, que com ele conviveu, particular e profissionalmente  a, quem sabe, deixar cair uma lágrima de saudade.   

Reflexão

domingo, 17 de julho de 2011

Perguntas sem resposta ?

   Imaginemos o seguinte cenário; Esgotadas as hipóteses de vida num qualquer recanto desse universo uma forma de vida, inteligente, detentora de avançada tecnologia com a qual domina as viagens interplanetárias encontra-se forçada a imigrar. Ou então imaginemos algo semelhante ao que nos levou a nós portugueses de quinhentos a entrar nas naus do Cabral ou do Gama. Chegamos de súbito a um local não préviamente anunciado, decerto, por um grito de " terra à vista " mas algo parecido. Com cautelas enviamos uma " jangada " ou  " nave " de reconhecimento. De lá respondem ser impossível o desembarque por tal local estar infestado de vida agressiva dizendo o emissário algo como " Acho que são carnívoros até..."  ou então " São os indígenas parecidos com alguns de nós mas atrasados milhares de anos. " Ordem imediata de regresso às origens, naus ou naves.  Debates acesos e controvérsias várias mas finalmente uma conclusão ou melhor duas.
Foto gentilmente cedida por JOMY TOYS  & COLLECTIBLES
                                                    

   A ) No 1º caso e como as formas de vida são hostis capturemos algum A.D.N. e elimine-se de imediato todas os restantes de forma a que possamos criar condições para a nossa espécie. Fogo neles já !
Assim se fez e, assim se eliminou aqueles a que, quem sabe, os descendentes destes primeiros colonizadores milénios mais tarde, optaram por classificar de fósseis chamados por ex:   Dinossaurios ou dinossauros.
 Para mim o que me intriga é onde foi parar o chamado " elo perdido " se considerar estas conjecturas como absurdas e nós sermos meros descendentes de símios.
   B ) No 2º caso vamos evitar alertar os indígenas deixando por lá a nossa semente chamem eles depois o que lhes quiserem chamar. Que tal Adão e Eva ? Bom ...mas aproveitemos para prosseguir a nossa viagem pelo cosmos na certeza que por aqui passaremos, dentro de alguns anos, deixando entretanto a natureza fazer o seu trabalho evolutivo, trabalho esse que seguiremos à distância afim de sabermos, quiçá, como foi a nossa evolução.
   À cautela visitaremos este recanto da galáxia mas evitando contactos, pois se os houver decerto ser-nos-ão nefastos. Afinal são " nossos filhos " A seu tempo falaremos com eles logo que o seu estádio evolutivo seja tal que constitua um risco, para eles e para o Planeta. Em suma colonizemo-los não deixando de os avisar de certos perigos. Crescei e multiplicai-vos etc...etc...!
  Esta é uma das muitas leituras que me levam a reflexões acerca de certos mistérios desde o desaparecimento súbito de toda a fauna e flora acerca de 65 milhões de anos, o tal impacto do asteróide. E também o que seriam os deuses? Astronautas ? Se não o que eram então? Vou continuar a procurar as respostas entre o Céu e a Terra.
 Tenho mais e mais teorias e como estou em casa posso falar à vontade sem sentir  o dever de em " Roma ser  romano "  No entanto admito até uma coisa tão abstracta como as respostas a quiasquer perguntas formuladas serem o simples " Sei lá...foi Deus ;   deus ;... !!??? "    Até quando.    

sábado, 16 de julho de 2011

O primeiro ilustre munícipe cascalense.

Ibne Mucana. Natural de Alcabideche, Abu Zeide Abdarramão Ibne Mucana, Al - Qabdeq Al - Isbuni, é o primeiro homem ilustre do território ocupado pelo actual munícipio cascalense.
   Viveu no século XI, durante os reinos das Taifas do domínio árabe. Nasceu nos primeiros anos desse século ou nos últimos do anterior, época de grandes alterações mundiais, e morreu em Alcabideche nos finais do século, quando a reconquista cristã ganhava terreno aos Agarenos, atravéz das expedições de Afonso VI de Leão, num período anterior à existência de Cascais e, até, de Portugal.

Memorial a Ibne Mucana. Alcabideche 2011





... Celebrizou-se Ibne Mucana na Poesia. ( ... ) Quando recita o derradeiro poema, encontrava-se assentado num valado, a olhar para os lavradores que laboravam um dos campos de Alcabideche, acompanhado por um antigo conhecido que o encontrara a roçar silvas com uma foice e, mais tarde, descreveu a Ibne Baçade * 1) o encontro  e transmitiu-lhe a poesia preferida, que este transcreve na  " Adaquira ."  (  compilação que fez de todos os poetas árabes de Andaluzia )

                                                        Poema de Alcabideche 

Poema de Alcabideche.
                                                                                                                       
                                           Ó tu que habitas Alcabideche, não te faltará o grão nem terás
                                           escassez de cebolas, nem de abóboras !


                                           Se és homem enérgico não te faltará a nora das nuvens, nem
                                           necessidade da mananciais,


                                           pois a terra de Alcabideche, quando o ano é bom, não produz
                                           mais que vinte cargas de cereais,


                                           e se der alguma coisa mais, chegam as manadas de javalis 
                                           reiteradamente.


                                           Há pouca coisa útil nesta terra, como em mim próprio que sou, 
                                          duro de ouvido.


                                           Deixei os reis cobertos com os seus mantos, deixei de ir em
                                           seus cortejos.


                                           Converti-me em Alcabideche em colhedor de espinhos com 
                                           uma foice guarnecida e afiada.


                                           E se me perguntam: Gostas ? Respondo-lhes:   "  o amor à 
                                           liberdade faz parte do carácter nobre ".


                                          O apreço e os benefícios de Abô Bakr al - Muzaffar conduziram-
                                          me até aqui, à minha morada.                    
                                                                                                                          (  * 2  )
                                               
               
            * 1  -  Ibne Baçade  - Biógrafo de todos os poetas árabes.
                                                         
            * 2  -  "  Registo Fotográfico de Alcabideche e alguns apontamentos Histórico - Administrativos "
                               Guilherme Cardoso. Jorge Miranda. Carlos A. Teixeira
           
           Nota Pessoal --- Discordo do autor quando refere que Cascais não existia no século X  ou  XI. Sabemos que Portugal foi fundado em 1143. Século XII. As grutas do Poço Velho na baixa de Cascais quando arqueológicamente estudadas revalaram a existência de uma comunidade pré-histórica. Além disto os Romanos também por cá estiveram e disso deixaram bastos vestígios. Decerto habitaram Cascais. Agora que nome lhe davam, a meu ver, é irrelevante para o caso.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Romeu e Julieta ( Amores famosos. )

   
Verona


 Na pitoresca cidade de Verona, em Itália, era notória a rivalidade das famílias Montesco e Capuleto.
   Contudo, e apesar do ódio secular, brotou de súbito entre Julieta Capuleto e Romeu Montesco, qual estranha flor de luz celeste, uma paixão louca. Paixão esta que teve de ser oculta e dissimulada ante a férrea oposição dos respectivos parentes. Tratando de se tornar livre para poder unir-se ao seu amado, recorre Julieta ao ardil de beber um licor que lhe dá aparencia de morta.

                                                              
Os meus Romeu e Julieta.  Inseparáveis sempre.
                                                                      
   Ignorando Romeu o ardil e supondo morta a sua adorada, toma um veneno afim de pôr termo à existência que, sem Julieta, lhe transforma em suplício do inferno a Vida.
   Quando ao voltar a si Julieta encontra o cadáver de Romeu, chama desesperada. E beijando seus lábios, com o próprio punhal do ente amado atravessa o peito, exclamando;

                                             " Doce ferro dá descanso ao meu coração ! "  

     Com esta tragédia, William Shakespeare imortalizou os dois jovens apaixonados, eternizando-os para a posteridade como símbolo de indissoluvel Amor.                

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A origem do nome: CASCAIS

Cascais, vista da serra.
                       A imagem do que se ama é como a nossa sombra. Segue-nos sempre.

    Não é possível encontrar uma certeza etimológica do topónimo Cascais. Defendem alguns a origem romana proveniente de Cascales. Outras pessoas pelo contrário afirmam derivar de Encascar, verbo que teria derivado d'os primeiros habitantes, homens do mar, ao lançarem as redes as envolviam em folhas de aroeira, as quais ficavam de molho em tinas ou talhas grandes a que chamavam casqueiros. Dizem que, de tanto perguntarem uns aos outros se " já encascaste ? "  daí derivou o nome. Eu não creio nesta hipótese muito simplesmente porque a aroeira é árvore exótica e de origem tropical.
   Dizem outros se  " Não seriam os rochedos da beira mar aqueles cascões enormes de que o litoral cascalense é fértil a origem do nome ? "
   Seria o substantivo cascal  um montão de conchas e restos calcáreos de crustáceos a origem quando com eles se depararam os nossos de antanho ? 
    Assim sendo a origem das palavras  Cascais, tal como talvez Lisboa, constituam um caso para os etimologistas procurarem certezas que, até ao presente, permanecem como a nossa serra de Sintra está por vezes. Envolta em neblina.

 Pelo meu lado bem que gostaria de poder afirmar, sem dúvida, o que quer que fosse deste assunto. Não o faço pois decerto haverá muitas outras pessoas bem mais esclarecidas para isso.
   Mas que gostaria de saber, muito sinceramente gostaria. Pois se este recanto do Mundo já era habitado na pré - história conforme disso temos concludentes provas !

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O que são as Mulheres.?




Quando olhar um tornozelo era algo sublime.






       As mulheres são rosas que nos esmaltam o jardim da existência; brisas que nos endoidecem   com  a embriaguez de seus perfumes;

      Fanais de esperança que nos surgem luminosos em noite de vendaval desfeito;

     Astros brilhantes que nos alumiam o horizonte num momento de dúvida;

     Anjos enviados do céu à terra para nos acrisolarem a nossa fé, fazendo-nos prever as doçuras do paraíso.
   
                                       Eis o que são as mulheres !
  
     Objecto de todas as glórias, causa única de todos os grandes esforços dos homens.
  
     Amor, mistério tão sublime em nossos corações.
Vi-te uma só vez; porém minha mente. Te estará contemplando eternamente.

  
   Sonho que nos embala a existência.
  
   Sonho delicioso que a nossa imaginação transforma numa realidade mais deliciosa ainda.
  
   Fio de oiro que prende duas almas e as leva unidas ao país da felicidade.

   Ave meiga que aos nossos ouvidos vem segredar tão doces e suaves mistérios.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tarentola Mauritanica.

  Acabava de me deitar, estando  calma e tranquilamente a ler como sempre tento fazer antes de adormecer quando a pacatez do lugar foi interrompida por um alarido sobressaltado.
   " Ás armas, ás armas...dizia do outro lado da porta a Céu demorando escassos segundos a refugiar-se no quarto em desespero evidente. Urgia deslocar-me à casa de banho pois estava lá a causa desta desesperante situação e ao que parece a espreitar pela janela do exterior. Saltei de imediato dado que pouco antes tomara banho e urgia retirar a câmara fotográfica ao " paparazzi " antes que a minha foto " em pelota " surgisse escarrapachada em tudo quanto é revista do jet - set, pensei logo. Se bem o pensei melhor o fiz mas oh inclemência, oh desdita cruel, já não fui a tempo. O,  ou A  Tarentola Mauritanica desaparecera. E agora que fazer ???
   Comunicar o caso a desmentir a minha presença no local pouco antes? Não...aceitar os factos e resignar-me ao facto de ter deixado a luz acessa com isso atraindo algum insecto que certamente teria mais interesse do que eu para a Mauritanica. Agora a ser assim teria de esclarecer com a Céu o porquê da janela aberta. Já sei! Foi para sair o vapor de água do banhinho...

Osga. 
      Não me livrei de algumas  " recomendações " e fiquei ciente pela  enésima vez da autêntica fobia, quase pânico que algumas pessoas, por demais sensatas e equilibradas mentalmente sentem quando se deparam com tão singular animalzinho.
   Falemos um pouco da Osga. Por demais útil dado a sua alimentação ser quase exclusivamente baseada em insectos que captura em terrenos de caça que, habitual ou usualmente se encontram perto de habitações humanas. A luz artificial atrai a bicharada alada à qual a inofensiva osga  está atenta. Deviamos prestar-lhe o maior respeito e gratidão e não como sucede na maioria dos casos afastá-la  violentamente.
   Caracteristica humana esta de maltratar o que nos ajuda. Ocorre-me de quando criança ouvir dizer que as corujas ( Titus Alba ) bebiam o azeite das lamparinas que nesses tempos iluminavam as igrejas ou modestas habitações. Como convencer o rústico que as pobres aves, tais como as osgas, aproximavam-se da luz unica e exclusivamente para capturar borboletas ou demais insectos que em volta dela orbitavam. Se calhar queriam que o fogo, para manter a candeia acessa durante a noite, consumisse só oxigénio!!!  Na base destas santas ignorâncias quantos atentados ao património natural.? Hoje, embora não conste da lista de espécies ameaçadas a osga rareia dado ser cada vez menor o seu habitat natural. Casas velhas, muros de pedras soltas, troncos de àrvores e algum local isolado. Fogem do contacto humano pois são animais tímidos.
  A Céu que me perdoe mas ao contrário do que me tenta fazer crêr recuso-me a achar feia tão humilde e simpática criatura. Aceito que a natureza não a dotou de uma beleza estonteante é certo...mas a sua beleza, quanto a mim, está no seu coraçãozinho de ouro que nos ajuda a livrar de melgas, mosquitos e demais parasitas a troco de quê ? Não a incomodar ou maltratar, já é sermos reconhecidos.

A nossa Mauritanica. *
     Fotos gentilmente cedidas  por Zé Miguel.