terça-feira, 21 de março de 2017

Inverno 2016 / 2017.

Inverno 2016/2017
inverno2017-03-20 (IPMA)
O inverno 2016/2017 (dezembro, janeiro e fevereiro) em Portugal Continental classificou-se como normal em relação à temperatura e seco quanto à quantidade de precipitação.
A temperatura média no trimestre foi de 9.91°C, superior em +0.30°C relativamente ao normal. O valor médio da temperatura máxima, 14.86°C, foi superior ao valor normal, com uma anomalia de +1.06°C, sendo o 4º valor mais alto desde 1931. O valor médio da temperatura mínima do ar, 4.95°C, foi inferior ao valor normal, com uma anomalia de -0.48°C.
O valor médio da quantidade de precipitação no trimestre dezembro-fevereiro, 242.5 mm, foi inferior ao valor médio correspondendo a 69 % do valor normal.
De destacar no inverno de 2016/2017:
•    No dia 19 de janeiro foram ultrapassados os anteriores maiores valores absolutos da temperatura mínima do ar em estações meteorológicas automáticas com séries de cerca de 20 anos;
•    Entre 14 e 26 de janeiro observou-se uma onda de frio com duração de 6 a 12 dias, em alguns locais das regiões do Centro e litoral da região Sul;
•    Entre os dias 1 e 4 de fevereiro ocorreram valores de rajada superiores a 100 km/h em alguns locais das regiões Norte e Centro. O valor mais elevado ocorreu na estação meteorológica da Guarda às 04:20 UTC, 129.6 km/h, valor que ultrapassou o anterior máximo (129.2 Km/h em 23 de janeiro de 2009);
•    Inundações no dia 11 de fevereiro no sotavento Algarvio, e em particular no concelho de Vila Real de Santo António. Valor máximo em 1h de 57.8 mm entre as 18 e 19 UTC;
•    Queda de neve em todos os meses do trimestre sendo de realçar o dia 19 de janeiro com relatos de queda de neve fraca no sotavento algarvio (S. Brás de Alportel e Serra do Caldeirão);
•    No final de dezembro 78% do território estava em seca fraca; final de janeiro 95% do território em seca fraca e 3% em seca moderada; final de fevereiro diminuição significativa da área em seca, ficando apenas 57% do território em seca fraca.

Imagens associadas

  • Figura 1 – Temperatura e precipitação no inverno 2016/17 (período 1931/32 – 2016/17)
    Figura 1 – Temperatura e precipitação no inverno 2016/17 (período 1931/32 – 2016/17)

sábado, 4 de março de 2017

Oliveira mais antiga de Portugal.

Oliveira mais antiga de Portugal nasceu há 3350 anos

As obras da barragem do Alqueva abriram uma oportunidade única para que fossem abatidas centenas de árvores e testar um método de datação das oliveiras milenares.
A oliveira das Mouriscas
Foto
A oliveira das Mouriscas 
Um misto de respeito e perplexidade são inevitáveis quando se observa um dos seres vivos mais antigos de Portugal. Foi recentemente datado como tendo a espantosa idade de 3350 anos, como se pode ler na página online do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. É uma oliveira. A sua sombra, certamente, acolheu celtas, iberos, lusitanos, celtiberos, cónios, romanos, visigodos, alanos ou árabes que se alimentaram das azeitonas que produziu. É contemporânea do faraó Ramsés II e de Moisés (1250 anos a.C.).
Continua de pé e a produzir azeitona na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, revelando um estado vegetativo que lhe permite acrescentar mais uns séculos à sua tão longa existência se, entretanto, as acções do homem não a reduzirem a lenha.
A datação foi cientificamente comprovada em 2016 pelo professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) José Penetra Louzada, que descobriu o único método existente a nível mundial para datar árvores antigas quando o seu interior se encontra oco, como é o caso das oliveiras milenares.
Desde 2008, ano em que foi registada a patente, a UTAD “já datou mais de uma centena de oliveiras milenares”, adiantou ao PÚBLICO José Louzada. Entre os exemplares observados, encontra-se a “árvore das Mouriscas que está entre as mais antigas do mundo”, salienta o docente. Antes deste exemplar, estava em primeiro lugar, na lista portuguesa, “outra oliveira em Santa Iria da Azoia, com 2850 anos, que esteve em risco de ser derrubada para alargar uma rotunda”, observa. A população movimentou-se para que fosse datada e hoje a comunidade tem orgulho da sua árvore, que deixou de ser vista como um “empecilho”. Não faltam placas a assinalar o local aos visitantes.
Para a pesquisa do novo método de datação foram decisivas as obras da barragem do Alqueva e a construção de auto-estradas no Alentejo, refere o docente, salientando a necessidade que houve em “derrubar muitas centenas de árvores que ficaram disponíveis para elaborar o estudo, durante mais de uma década de trabalho.”
Os dois métodos de datação até então existentes tinham como base a identificação e contagem dos anéis ou a análise de radiocarbono da madeira formada nos primeiros anos de vida. Contudo, a observação implicava danificar parte dos troncos. E nenhum deles funcionava com as oliveiras milenares por estarem ocas. Louzada desenvolveu uma fórmula matemática para a sua datação que não danifica as espécies e se baseia em padrões de crescimento através de medições do diâmetro, altura e perímetro das oliveiras.

Para terem a certeza que o método padrão definido para as oliveiras estava correcto, pediram a colaboração do Instituto Tecnológico e Nuclear para fazerem datação a carbono 14, e verificou-se que “coincidia a 100%”, acentuou o especialista. 

Árvores à venda

O desafio para a obtenção de um novo método que se adequasse às oliveiras foi lançado por Soares dos Reis, proprietário de uma empresa de venda de árvores milenares. A dada altura, quando pretendia exportar exemplares para o estrangeiro, era confrontado com a exigência do comprador de um certificado sobre a idade das árvores passado por uma entidade credível e independente.
“Toda a investigação, incluindo o fornecimento de exemplares para estudo, registo da patente, tudo foi pago pela minha empresa”, adiantou ao PÚBLICO Soares dos Reis. A patente deste método está registada na proporção de 50% para UTAD e 50% em nome pessoal do empresário.
Soares dos Reis diz que está ligado ao transplante de árvores, em especial oliveiras, há mais de 15 anos. E foi para se distinguir da concorrência neste comércio que financiou a pesquisa de um novo método de datação. “Assim agrego um certificado de idade à oliveira vendida ao cliente mediante um método patenteado que tem apenas uma margem de erro de 2%”, assinala Soares dos Reis, realçando a importância da construção da barragem do Alqueva neste processo e de outras obras públicas. “Levaram ao arranque de milhões de oliveiras que até a essa data era impensável serem removidas”, revela o empresário, sublinhando que, neste número, “encontravam-se milhares de árvores centenárias e milenares cujo destino seria a destruição para lenha.” A sua recuperação para venda como árvores decorativas de jardins públicos, privados, adegas, lagares, campos de golfe, hotéis “permitiu que fossem salvas milhares de oliveiras centenárias.” Em relação às árvores milenares diz ter negociado “apenas algumas dezenas” com destino a Espanha, França e o Dubai, essencialmente.
Na realidade, a quase totalidade das árvores milenares “são zambujeiros, também conhecidas por oliveiras bravas que foram enxertadas” para produzir um fruto maior e desta forma obter mais volume de azeite, refere José Louzada, salientando a “capacidade de regeneração praticamente infinita” desta espécie.
É óbvio que as células iniciais de uma oliveira milenar “não estão lá, já morreram há muitos séculos, mas houve uma regeneração e desta forma vive quase perpetuamente”, explica. 
A oliveira de Mouriscas é originariamente um zambujeiro que foi enxertada e produz duas qualidades de azeitona. Quando se suspeitou que poderia ser a mais velha de Portugal, um grupo de cidadãos desta freguesia pediu que a árvore fosse datada e certificada. O investigador da UTAD, juntamente com a empresa Oliveiras Milenares, fizeram a recolha dos elementos e foi confirmado que tem a idade de 3350 anos. O certificado foi atribuído em Setembro de 2016.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

D.Carlos. Carta a um amigo.

Dom Carlos I

 


 


Nada Pode Haver de mais Belo

Amigo Bernardo, dos desertos do Roncão d’el-Rei, na mais bela poética noite de luar que ver se possa, te escreve este teu amigo. Nada pode haver de mais belo; os rouxinóis cantam à desgarrada, o ar rescende dos milhares de loendros (laurier-rose) que cobrem as encostas alcantiladas do Guadiana. Que maravilha, que encanto, que tristeza (tu, com certeza, aqui choravas)! Neste momento, houve-se o sinistro roncar da coruja e o longínquo uivar dos lobos, misturado com o forte ladrar dos rafeiros e os nossos cavalos relincham inquietos nas quadras... É à luz dum prosaico castiçal (uma garrafa com uma vela) que te escrevo estas sentidas regras, que espraio sobre este branco papel as ondas da minha melancolia. E como não estar melancólico se acabamos de fazer dezasseis léguas a cavalo em oito horas e não descansámos e não dormimos a noite passada senão uma mísera hora e vemos apenas diante de nós umas velhas esteiras, as nossas mantas, e os aparelhos dos nossos cavalos como travesseiros, para passarmos umas noites.

Dom Carlos I, in 'Carta ao Conde de Arnoso (1889)'




Imagem de D Carlos. Wikipédia.
Imagem do luar. mlopes 32.wix.com

sábado, 24 de dezembro de 2016

Bom Natal

2016: um ano quente em Portugal Continental
evolução temperatura2016-12-23 (IPMA)
2016 classifica-se como um ano quente e o valor de temperatura média do ar será cerca de +0.6 °C superior ao valor normal.
Em 2016, a temperatura média do ar em Portugal continental foi, na generalidade dos meses, muito superior ao normal. Em particular, no mês de janeiro e no período de junho a outubro verificaram-se anomalias superiores a +1.0 °C. Março foi o único mês com uma anomalia bastante negativa (-1.43 °C). Os restantes meses (fevereiro, abril, maio, novembro e possivelmente dezembro) apresentaram valores de temperatura média próximos do normal.
A precipitação total anual será cerca de 110% do valor normal. Valores de precipitação superiores aos de 2016 ocorrem em cerca de 40% dos anos.

Imagens associadas

  • Anomalias da temperatura média (desde 1931) em relação à normal 1971-2000
    Anomalias da temperatura média (desde 1931) em relação à normal 1971-2000
  • Anomalia da temperatura média mensal de 2016
    Anomalia da temperatura média mensal de 2016

sábado, 17 de dezembro de 2016

Novembro, segundo o IPMA

Novembro de 2016 com comportamento normal
chuva2016-12-16 (IPMA)
O mês de novembro de 2016, em Portugal Continental, classificou-se como normal, quer em relação à quantidade de precipitação, quer em relação à temperatura do ar.
Durante este mês predominaram as situações frontais e as situações depressionárias associadas a depressões centradas a oeste do continente, bem como uma depressão complexa, com um núcleo centrado próximo da P. Ibérica.
O valor médio quer da temperatura média do ar (12,11°C), quer da temperatura máxima do ar (16,99°C) foram próximos do valor normal, com anomalias de -0,26°C e +0,17°C respetivamente; o valor médio da temperatura mínima do ar (7,23°C) foi inferior ao normal, com uma anomalia de -0,68°C.
Nos primeiros dias da última década registou-se uma descida acentuada dos valores da temperatura, em especial da temperatura mínima, que persistiu abaixo do normal até ao fim do mês.
De salientar que no período de 21 a 27, o território esteve sob influência de uma depressão complexa, à qual esteve associada uma superfície frontal fria com ar frio e instável do seu setor pós-frontal. Esta situação, que se estendeu a todo o país, originou períodos de chuva, por vezes fortes, acompanhados de trovoada e vento forte, tendo-se registado no dia 26, na estação meteorológica do Fundão, a maior quantidade de precipitação em 24h com o valor de 91.0 mm.
No final de novembro houve uma diminuição da área em situação de seca fraca, com 47% do território nesta classe de seca, tendo-se verificado um aumento da área em situação normal e de chuva fraca.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Drones.

Drones passam a só poder voar de dia e até altura de 120 metros

Os 'drones' apenas podem voar de dia e até uma altura de 120 metros, fora das áreas sujeitas a restrições e dos aeroportos, segundo o regulamento da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

© Reuters
País ANAC

A ANAC considera que a utilização de 'drones' é "hoje uma realidade irrefutável", que tende "a conhecer um desenvolvimento e incremento substanciais, sendo que a operação massiva e desregulada pode, em certas situações, ser suscetível de afetar negativamente a segurança operacional da navegação aérea e ainda a segurança de pessoas e bens à superfície".
Assim, a partir de meados de janeiro, quando entra em vigor o regulamento hoje publicado, os 'drones' vão apenas "efetuar voos diurnos, à linha de vista, até uma altura de 120 m (400 pés), nos casos em que as aeronaves não se encontram a voar em áreas sujeitas a restrições ou na proximidade de infraestruturas aeroportuárias".
Os voos acima de 120 metros acima da superfície (400 pés) têm que receber autorização expressa da ANAC.
A operação deve manter uma distância segura de pessoas e bens patrimoniais, de forma a evitar danos em caso de acidente ou incidente e o piloto remoto deve dar prioridade de passagem às aeronaves tripuladas e afastar-se das mesmas sempre que, por qualquer razão, as aeronaves tripuladas estejam excecionalmente a voar a uma altura próxima do 'drone'.
Os drones têm que voar sempre com as luzes de identificação ligadas e os pilotos - à distância - não podem exercer funções quando se encontrem em qualquer situação de incapacidade da sua aptidão física ou mental, acrescenta o regulamento.
A violação de determinações, instruções ou ordens da ANAC constantes do presente regulamento constitui contraordenação aeronáutica civil grave ou muito grave.
A ANAC é a autoridade nacional em matéria de aviação civil, exercendo funções de regulação, fiscalização e supervisão do setor da aviação civil.