sexta-feira, 29 de abril de 2011

A CONCHA

                                     A minha casa é a concha. Como os bichos
                                     Segreguei-a de mim com paciência:
                                     Fachada de marés, a sonho e lixos,
                                     O horto e os muros só areia e ausência.


                                     Minha casa sou eu e os meus caprichos.
                                     O orgulho carregado de inocência
                                     Se às vezes dá uma varanda,vence-a
                                     O sal que os santos esboroou nos nichos.


                                     E telhados de vidro, e escadarias
                                     Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
                                     Lareira aberta ao vento, as salas frias.


                                     A minha casa...Mas é outra a história:
                                     Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
                                     Sentado numa pedra de memória. *




* Vitorino Nemésio. OBRAS COMPLETAS, Vol - I - Poesia, Lisboa: INCM, 1989, P.131.

Que lindo! Almoçageme



Almoçageme
 Fica esta localidade como alguns saberão no sopé da serra de Sintra. fotografei-a num destes dias quando por perto passei. Linda manhã de Abril.

DIA MUNDIAL DA DANÇA ( 29 de Abril )



                                                        A dança é o corpo  tornado poético. *

                                                      *  Ernest Bacon

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cascais, hoje.

Hoje andei pela vila. Notei no rosto das pessoas uma tristeza difícil de descrever.Não esperava encontrar rostos sorridentes em todo o lado, não! A realidade do tempo presente aumenta esta sensação de que algo nos falta ou vai faltar. Passei junto aos locais de apoio da segurança social. Em todos notei gente nova e menos nova em filas de espera.Fora destes centros notei que o comércio parece sobreviver intorrogando-me por vêzes de como vivem algumas destas casas.Como pagam os ordenados?As contribuições para o Estado? Este último diz-se actualmente « não ser pessoa de bem».Até os seus servidores denotam mal estar, aqueles que eu conheço e aos quais recorro, como todos nós.Seja na Câmara, nas Finanças,na Junta etc...Dos outros não sei nada. Esses da Assembleia da República é que aparentam nada lhes faltar.
Ainda pelas ruas de Cascais fico triste e apreensivo por notar tantos infelizes a esmolar.Em alguns super-mercados até solicitam uma moeda a troco de arrumar o carrinho das compras.Vem aí a época balnear.As praias e esplanadas vão-se compor.O bendito turista virá? Para esta vila é a salvação. Para nós motivo de um olhar entristecido por estarmos tão longe do nivel de vida desses povos. Excepto a classe politica, claro.A esses nada falta.
Amanhã é outro dia. Lembrei-me do que li e que transcrevo abaixo. Tão actual ontem como hoje!

" O general Gomes da Costa, um militar de grande prestígio, saíra de Braga seguido de toda a guarnição e avançara sobre Lisboa numa marcha triunfal. Gomes da Costa, na sua proclamação declarara: " Vergada sob a acção duma minoria devassa  e tirânica, a nação sente-se morrer. Eu por mim revolto-me abertamente ".
   Ninguém se lhe opôs porque a verdade era que não só Gomes da Costa mas o país inteiro sentia-se revoltado, estava, enfim, farto!
   Estava toda a gente farta e foi com um suspiro de alívio que a enorme maioria dos portugueses acolheu e abençoo o 28 de Maio. " ( 1 )

 ( 1 ) Pedro Falcão
        " Os Valares "



Isto ocorreu em 1926 como sabemos. E se fosse nos dias de hoje?


   

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Luar


 
                                              As noites de Inverno cativam...         



Uma galinhola alimenta-se sob um luar de Janeiro.O tal que «não tem parceiro».
Como cativantes são por vezes algumas palavras! Bem haja.                         
                                


Acrilico s / tela.
Formato. 60 x 50 .

Naturalmente

Murches. Terras do Pisão de Baixo em 25 /4 /2011.

Grande parte da vegetação natural do concelho de Cascais, sobretudo na zona oriental, é actualmente constituída por comunidades vegetais em estado mais ou menos degradado, designadas carrascais,dominadas pelo carrasco, árvore reduzida aqui à forma arbustiva, de folhas persistentes ovado-oblongas, dentado-espinhosas. Pode considerar-se, quase como certo, que estes carrascais representam associações secundárias que substituíram a mata climácica, sendo difícil avaliar presentemente a constituição florestal original e os limites das suas diversas modalidades."

 Em 1969 era este o panorama descrito para a nossa flora caracteristica. Hoje e já lá vão trinta e dois anos o panorama aparentemente é o mesmo.No entanto teem-se desenvolvido esforços para intruduzir  espécies que autrora aqui tiveram o seu lar. Cabe aqui uma palavra de gratidão á Câmara Municipal que não se tem poupado a esforços. Oxalá o clima ajude um pouco e que no Verão todos estejamos atentos.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Humor



Aqui vemos um artefato que aplicado a um berbequim dava jeito. Quantas vezes o furo não sai «um pouco ao lado »? Ainda vou registar a patente!

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa

                Por vezes penso,  ( logo existo ) penso  dizia no que fariam os nossos antepassados de antes de Cristo .Entre outras coisas que não sabendo eles nada de  Jesus e de Deus terão direito á vida eterna como profetiza o catolicismo? Com que apoios contavam nas suas orações? A quem as dirigiam? Politeistas e felizes? E as outras passadas e actuais correntes espirituais, estarão elas certas e as demais erradas. Assim e, muito francamente, prossigo na minha demanda em busca do porquê de algumas, chamar-lhe-ei coincidências,terem lugar em certas alturas da vida e depois vir-se a revelar útil ter-lhes dado atenção. Refiro-me a factos espirituais e materiais. Agora a que deus atribui-las? Será que, como cada vez acredito mais, nada é obra do acaso.No entanto a dúvida persiste e persegue-me. Haverá Algo ou Entidade que consiga olhar para cada um dos biliões que presentemente somos? E se não o fizer com que direito suprime outros? E porquê? E o reino animal e vegetal? Tantas questões e de tão difícil  resposta. A não ser um encolher de ombros e proferir a frase lapidar. Ás perguntas. Quem? Como? Quando? Onde? responder! Sei lá...Deus!!!

Sobre...

Alquerubim.Ao longe Malveira,Tapada das Chãs e Peninha.
A vida que nos é dada tem os seus minutos contados e, além disso, é-nos dada vazia.Quer queiramos quer não, temos de preenchê-la por nossa conta: isso é, temos de ocupá-la, de um ou de outro modo. Por isso, a substância  de cada vida reside nas suas ocupações. Ao animal não somente lhe é dada a sua vida, mas também o reportório invariável da sua conduta.
   Sem a sua intervenção, os instintos dão-lhe já decidido o que vai fazer e evitar. Por isso, não pode dizer-se do animal que se ocupa nisto ou naquilo. A sua vida não esteve nunca vazia, indeterminada. Mas o homem é um animal que perdeu o sistema dos seus instintos, ou, o que é igual deles conserva só resíduos e cotos incapazes de lhe impor um plano de comportamento.
   Ao encontrar-se existindo, encontra-se perante um pavoroso vazio. Não sabe o que fazer; tem ele mesmo que inventar os seus afazeres ou ocupações.
   Se contasse com um tempo infinito diante de si, não importaria grandemente: poderia ir fazendo o que lhe ocorresse, experimentando, uma após outra, as ocupações imagináveis. Mas- aí está!-a vida é breve e urgente; consiste sobretudo em pressa, e não há outro remédio senão escolher um programa de existência, com exclusão dos restantes; renunciar a ser uma coisa para poder ser outra; em suma, preferir uma ocupação às restantes.
   O facto mesmo de que as nossas línguas empreguem a palavra  « ocupação » nesse sentido revela que os homens viram desde há muito, talvez desde o princípio, a vida como um « espaço  » de tempo que os nossos actos vão enchendo, incompenetráveis uns com os outros,tal como os corpos.
   Com a vida, é claro, é-nos imposta uma longa série de necessidades a que não é possivel fugir, que temos de enfrentar sob pena de sucumbir. Mas não nos foram impostos os meios e modos de satisfazê-las, de sorte que também nesta ordem do inevitável temos que inventar - cada um por si ou aprendendo-o em usos e tradições - o reportório das nossas acções. ( 1 )




(1 ) José Ortega Y Gasset.
     " Sobre a Caça e os Touros "
     1989 Edições Cotovia, ldª



sábado, 23 de abril de 2011

E este meus amigos. Dá para rir um pouco.

DIA MUNDIAL do LIVRO e dos DIREITOS de AUTOR


Por aqui andei em 1960

Poe aqui ando...Actualmente.


O LIVRO É UM AMIGO
LIVROS SÃO OS MAIS SILENCIOSOS E CONSTANTES AMIGOS; OS 
MAIS ACESSÍVEIS E SÁBIOS CONSELHEIROS;
E OS MAIS PACIENTES PROFESSORES.

                                           Charles W. Elliot 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Estado de espírito

...como este ribeiro manso em sereno sobressalto...
Muito complicado não sei se será o titulo que escolhi para ilustrar esta pequena crónica. Cada dia que passa sinto-me confrontado comigo mesmo. Este ano fui por vezes caçar. Tinha estado dois anos sem pegar numa espingarda e não sentia saudades por aí além.Circunstâncias da vida proporcionaram-me tempo livre em demasia.Além de o ocupar com afazeres vários em casa e no pequenino jardim, fiz e faço b.t.t. passeio o cão etc.etc...Este cão que veio substituir um outro falecido dois anos antes.Cão de raça caçadora levou-me a tirar  as devidas licenças. Por ironia do destino um ou outro amigo insistiu no meu regresso. Agora, e de novo, debato-me comigo. Adoro animais, todos eles, não me revejo, de forma alguma, a maltratá-los.Como fazer então? Verei nos dias que se seguem.

QUINTA DA MARINHA

 Sabiam que em 1811...
                                     A Quinta da Marinha era um baldio do domínio público, estéril, de areais e pedregulhos nativos, que no século,XIX passou para o domínio privado.

Isto apenas me merece um comentário: Falta de visão para com as gerações Cascalenses dos tempos vindouros que se viram privadas do usofruto de um local de beleza natural única.
Muito parecida com a Marinha é Donana na provincia de Cádiz ao qual a Espanha tratou de proteger criando o Parque Nacional de Donana .Sei do que falo porque já o visitei. E conheço a Marinha.
Por cá o que se fêz?

  Para " mandar cultivar aquellas partes que se puderem utilizar " um tal João António Coutinho, Coronel de Infantaria e Sub- Inspector Geral das Milícias,suplicou, ao Príncipe Regente D. João, que lhe     " fizesse Mercê do baldio denominado a Marinha ( ou Meirinha ),situado no termo de Cascais, junto
ao mar, deixando livres ao uso publico as pastagens de todo o terreno que não for semeado, assim como a cavidade que fica numa extrema do referido baldio, onde se recolhem as águas de Inverno para os gados beberem como até agora".

A tal « cavidade » aqui referida foi o que conheci ainda como o "Barreiro da Areia "

...o dito baldio...o avaliaram... na quantia de trezentos cinquenta mil reis, de fóro em mil seiscentos reis anualmente..."
" Por provisão régia de 3 de Outubro de 1811 foi ordenado que a Câmara da vila de Cascais desse de aforamento ao dito suplicante João António Coutinho; o Baldio de que se trata denominado a Marinha e confrontado no auto da dita vistoria nesta copiado, deixando o mesmo suplicante livres
 ao uso público , como oferece, as pastagens de todo o terreno que não fôr semeado,assim como a cavidade em uma extrema do referido baldio, onde se recolhem as águas de Inverno para os gados beberem como até agora". 


A dez do mesmo mês de Outubro de 1811, foi lavrado o competente auto de posse... ( 1 )


Depois de sucessivas transferências de propriedade que seria interessante desenvolver mas de que me abstenho fazê-lo por motivos de espaço pois, como é evidente, encheria todo o blogue com esta temática.
Como sou de Cascais e amo a minha terra apenas narrei mais este pedaço da nossa triste história de naturais cá do burgo. Vejam que escapou a Crismina e foi preciso a Câmara se empenhar num pleito judicial que só terminou em 14 de Dezembro de 1922. Se não hoje aquele espaço também estaria vedado a todos os cascalenses e não só. Hoje é um belíssimo espaço natural.


 ( 1 )  Fernando de Oliveira Martins
         " Urbanismo e Incêndios Florestais " 
          Edição do autor - 1998 -

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Serra de Sintra

Lagoa Azul
 Viajemos pelo lado sul da nossa serra. Detenhamo-nos um pouco neste paradisiaco racanto.Num qualquer dia.

Nas margens do rio Touro

Convento de S. Saturnino.


Para quem se desloca pela estrada da Malveira da Serra já a caminho da Azóia há-de reparar que a seguir à placa que nos diz termos entrado no concelho de Sintra, do lado esquerdo da estrada, existe um espaço para estacionar. Paremos e contemplemos, cá do alto, esta pequena maravilha incrustada em plena encosta da serra.

Hoje

O dia de hoje! Entre outras coisas  mais ou menos de registar assinala-se o dia Mundial do Bombeiro.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

50 Anos antes


 Separam estas imagens no seu tema uma distância de meio século. Na tela retratei o que os meus olhos viram quando era " menino e moço ".

Na foto, de há dias, fixei o que vi no passados estes anos. No mesmo local.

domingo, 17 de abril de 2011

A PERDIZ BRANCA do lugar da Torre






    Foi no mês de Julho de 1900. O vento, vindo do Norte, esse vento agreste e impertinente que açoita a vila de Cascais, sem dó dos varaneadores, havia acalmado. ( ... ) o mar, espelhado como as donzelas nos Alcáceres mouriscos da velha Andaluzía, despertou-me o desejo de ir timonar o meu pic-nic nas águas transparentes da famosa baía. ( ... )
   Aproei em direcção ao Monte Estoril e dalí, guinando mais ao mar, tomei o rumo do Yacht Real que, vindo das investigações oceanográficas, fundeara na baía, trazendo a seu bôrdo, El-Rei. ( ...)
   El-Rei, contou, então, os resultados das suas investigações oceanográficas e, de assunto em assunto, acabou por falar de caçadas, especialmente sobre uma batida aos javalis, em Espanha.
   Depois rimo-nos com gosto,recordando as peripécias sucedidas no ano anterior, ali em Cascais, a vários caçadores, amadores e profissionais, que andaram, quasi doidos, em perseguição da perdiz branca, a avis rara que apareceu nos campos do lugar da Torre, ao Norte do farol da Guia. Houve tal que bivacou nas leiras do povoado. ( 1 )

 ( 1 ) Trindade Baptista
        " Feixe de Saudades " Preito à memória de El-Rei D. Carlos.
       Lisboa ano de 1933.


Este interessante relato na primeira pessoa levou-me a algumas interrogações infelizmente não esclarecidas pelo autor. Uma delas, a mais pertinente, será a de saber o que teria sucedido a tão estranha perdiz, ave, para quem não sabe, de uma plumagem exuberante como se pode observar na minha aguarela. Outras questões seriam de teor meteorológico e pouco mais.
Achei curiosa a palavra " bivacou "e fui tentar traduzi-la para o que recorri ao dicionário. Fiquei a saber que " bivacar " é o mesmo que acampar.
Um dia hei-de fazer um quadro desta cena da perdiz branca. Um caso mais de albinismo.




















Em repouso

Na serra, em 14 de Abril, pelo meio dia.

 Descansa a máquina e...descansa o homem.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma nova geração

CEDRO nascido dentro do tronco de outro.
 A natureza têm destas maravilhas. Ali à beira da estrada Guincho / Malveira  encontra-se este belo exemplo do poder de recuperação natural. Aí por meados de Agosto do ano 2000 toda aquela zona foi vítima de um enorme fogo. Perderam-se muitas espécies vegetais.No entanto do interior oco de um cedro que me parece devia ser centenário, nasceu este pequenino que agora vai crescendo. Oxalá também ele atinja a maioridade.
Fica aqui o meu registo para a posteridade. Tirei a foto na manhã do dia 13 de Abril quando por ali passei.Estava então um calor sofucante para este mês, cerca de 27º.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ENFIM...

                   Ó respeitáveis enganadores que troçais de mim!
           Donde brota a vossa política,
           Enquanto o mundo for governado por vós?
           Das punhaladas e do assassíneo!


      

                                                         Charles de Coster 
                                                                                                   ( em Ulenspiegel )

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Um Amigo Verdadeiro

   As grandes Amizades não constituem, de modo algum, uma fantasia: não são criações da literatura. Os Amigos leais e dedicados, existiram em todos os tempos, quer entre os gentios, quer entre os cristãos.
   O tempo, com o seu poder destruidor e corrosivo, não conseguio obliterar a recordação dessas Amizades extraordinárias.Os séculos rolam impassiveis, mas as memórias dos grandes Amigos,mais até que irmãos, não morreu, nem morrerá na lembrança dos homens.
   A Humanidade tem de compreender e sentir que nem tudo, neste mundo, é miséria. Uma hora de Amizade nobre e imaculada, compensam o homem de todas as suas decepcões, amarguras e sofrimentos.
   Todas as almas generosas compreendem, por si, o poder e o valor da Amizade. Por isso, recordam, embevecidas, essas espantosas lições de beleza moral.
   Há pessoas que antipatizam com a História, alegando que ela só nos revela a miséria e a podridão da Humanidade: crimes, traições, guerras, morticínios...Mas os que falam assim não dizem a verdade inteira.Nem tudo é miséria na vida milenar da pobre Humanidade.Por entre a tragédia da política e das guerras, das revoluções e das infâmias, da diplomacia e do crime, surgem clarões formosíssimos, cuja luz, imaculada e bela, deslumbra e comove, porque mostra que o homem e a mulher podem albergar sentimentos nobres no seu coração,atravéz do Amor ou da Amizade.
   A História recorda muitos exemplos; mas quantos se terão perdido na noite dos tempos! Quantos Amores, quantas Amizades grandes e belas, terão vivido em almas simples e boas, sem que deles façam menção as crónicas, as biografias, em suma: os livros. 
   Os portugueses  ( quando são Amigos de verdade ) sabem ser Amigos do seu Amigo.

 " São tão raros os bons amigos, que, quando a fortuna me depara algum, que realmente o seja, sinto que alguma coisa de comum me prende a êle;e esse laço misterioso envolve e trava  tão ìntimamente as duas existências, que, ao apagar-se uma, a outra bruxoleia, como agitada por um vento de morte "( 1 )

 " Nunca lhe devi favores, e nunca mos deveu; que o desinteresse é pedra de toque para os 
   afectos imperecíveis; mas nos lances amargurados, como nas efémeras alegrias da vida, os nossos braços travavam-se, os nossos risos fundiam-se num riso, as nossas mágoas fundiam-se numa só mágoa " ( 2 )

( 1 ) e ( 2 ) - Cândido de Figueiredo, Figuras Literárias.

 

  Resolvi escrever estas palavras apenas porque um bom Amigo de sempre me telefonou, de longe, só pelo prazer de conversarmos um pouco. Realmente senti que as amizades que perduram são as que trazemos de infância.Que alegria também senti ao ouvi-lo. Um Abraço.
 



O POMBO TORCAZ

  Entre a cavaqueira atraente do Soberano e as constantes olhadelas para os lados do Cabo da    Roca,ponto de assômo das aves migrantes, se passou cerca de meia hora.
    Ás oito horas,o desânimo fez-se sentir; perdia-se a esperança de fazer o - gosto ao dedo - como é uso dizer-se em linguagem de caçadores.
   Dom Carlos, para entreter o tempo,metia, vagarosamente,metade do seu aguila imperial numa boquilha de cerejeira, e eu, numa impaciência nervosa,acendia, uns nos outros, os meus magríços paivantes.
   Vou molhar a boca, disse El-Rei, pedindo, ao criado que o acompanhava, um copo com agua,liquido que bebia com manifesto prazer.
   Assim se ia consumindo o tempo quando, lá para os lados do lugar da Areia, ouvimos um cerrado tiroteio.
   Alerta! exclamou Dom Carlos com um sorriso de intimo regozijo.
   Separámo-nos, e, de olhos bem atentos no intervalo que distava do cume dos pinheiros ao infinito, esperámos a passagem das bandadas.
   Não se fizeram esperar as desejadas aves. Os bandos sucediam-se uns após outros, e o tiroteio foi ininterrupto desde a praia do Guincho ao farol da Guia.
   Houve, depois, um longo intervalo. Já nos persuadiamos de que nenhum bando mais passaria. quando,lá oa longe, avistámos uma mancha escura no horizonte. Era mais um bando de retardatárias.
   Vinha alta, muito alta a bandada, devido ao tiroteio ou á falta de vento. Voava em linha recta ao nosso pouso quando, já próxima, El- Rei exclamou:
   -Olha um pombo no meio das rolas; Vou alvejá-lo.
   Realmente: no meio do bando vinha, o que muitas vezes sucede,um pombo escuro. Segui com interesse os movimentos do rei. Á distância de tiro, apontou com destresa,a destresa e 
sangue frio do caçador habituado a fixar instantâneamente o alvo, dando ao gatilho.
   Quase simultâneamente, ouvi a detonação do tiro e vi, qual farrapo a remoinhar no espaço,a peça de caça alvejada. Era um pombo torcaz.




In - Trindade Baptista
   "  Preito á memória d,El-Rei Dom Carlos I "
      " fragmentos históricos biográficos e desportivos "
Lisboa 1933.



Torcazes. ( Herdade do Pinheiro ) *
                                                                
 * Fotografia ; Zé Pinto Lopes.

   















sábado, 9 de abril de 2011

PERVERSIDADE . Das empresas. Das familias. Vitima: Todos nós,um dia,talvez.

As vicissitudes da vida de alguns de nós levam a que a capacidade de resistência de um indivíduo se esgote.
O desgastar progressivamente conduz a um esgotamento psíquico. Estes estados depressivos tem a vêr com o esgotamento, com o stress em grau excessivo.
Sente-se vazia,fatigada,sem energia.Nada interessa já à pessoa assim agredida. Não se consegue mais pensar ou concentrar mesmo em actividades simples. Sobrevem então ideias algo demolidoras do ego.
O risco é máximo no momento em que elas tomam consciência de que foram sacaneadas e que nada lhes permitirá serem reconhecidas. Como era de seu direito.
 O, ou os agressores, procedem de maneira a parecer todo- poderoso, dando a ver rigor moral e sabedoria.
 A desilusão para a vítima crédula, é por isso muito maior.De maneira geral, entre os acontecimentos da vida susceptíveis de desencadear um estado depressivo, não encontramos apenas experiências de luto ou separação, mas também a perda  de um ideal. Daí resulta um sentimento de inutilidade, de impotência, de derrota. Mais do que uma situação difícil ou perigosa, é a experiência de derrota e de impotência, a sensação  de ser humilhado e apanhado na armadilha que pode ser o elemento desencadeador de um episódio depressivo.
A vitima destes agressores, sejam empresas ou familiares, sente então surgirem em alguns casos, úlceras do estômago doenças cardiovasculares, doenças da pele...Algumas emagrecem,enfraquecem, exprimindo através do seu corpo uma afecção psíquica de que elas não tomam consciência e que pode ir até à destruição da sua identidade.
A resposta , comportamental, temperamental, resulta directamente da provocação perversa.

In- LE HARCÈLEMENT MORAL
      La violence perverse au quotidien
      Syros, Paris, 1998.
     

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tempo quente

Vai este Abril algo seco.Há cerca de 50 anos servia de mote a uma campanha publicitária cujo slogan, se bem me lembro, era " Venha passar o Abril em Portugal ".
  Não me recordo se o turismo, especialmente o estrangeiro, tirava proveito do clima. O que recordo é a doçura desses verdes anos, os campos deste cantinho de então. As pessoas solidárias e fraternas. Mais recentemente talvez pelos anos sessenta e setenta as autênticas festas que constituiam para a minha geração uma simples ida ao cinema S. José ou ao Académico. Que bom era no intervalo tomar um cafézinho e fumar um cigarro no bar que estas casas tinham. Era um acto social, reconheço-o hoje, de rara beleza.A diferença que era estar na plateia.Ou no 1º ou 2º balcão. " Ir ao cinema " implicava vestir um pouco melhor" e, se o filme era para maiores de dezoito anos então sentiamo-nos « alguêm » entre a restante rapaziada.
Tudo mudou. Com o progresso acabaram-se estas casas e muito mais. O  Abril em Portugal esse agora é bem mais tristonho. E não culpo o clima.           

quinta-feira, 7 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vivência Rural Cascalense

Moinho na Almosquia

   A apresentação de um estudo sobre a vivência rural das comunidades cascalenses terá, logo à partida, de ter como base um reconhecimento sócio-geográfico da sua componente urbana. Tal situação, que poderia parecer paradoxal é, no entanto,extremamente importante, pois a totalidade dos núcleos urbanos da freguesia de Cascais, foram até épocas muito recentes,meras aldeias rurais,onde as actividades agrícolas e piscatórias representavam um papel de grande importância.
   Se tal situação assume um posicionamento imensamente lógico, quando mencionamos os casos de Birre, Torre, Areia, Charneca ou Aldeia de Juzo, torna-se eventualmente difícil de compreender quando estudamos a vila de Cascais, ou os lugares do Cobre, da Marinha, da Pampilheira e das Fontainhas, pois o tipicismo da sua ruralidade, fruto de muitos anos de incúria e de desinteresse, está hoje muito descaracterizado e sumido. No entanto, e sem medo de pecar por excesso, podemos afirmar peremptoriamente ser rural a génese de todos os locais apontados, ou mesmo, como acontece com Cascais, uma mistura de uma vivência agrícola com outra de carácter piscatório, mas onde a complementaridade ocupacional não permite distinguir as duas comunidades.

In: João Anibal Henriques.
Subsídios  Monográficos para uma História Rural Cascalense.
Edicão da junta de Freguesia de Cascais.

domingo, 3 de abril de 2011

A MINHA OPINIÃO.

 Ao não encontrar entre as presentes figuras que dirigem Portugal alguêm a quem, sem hesitações, pudesse apontar a uma criança como um exemplo a seguir recorro-me á nossa História anterior á Republica.
   Há de tudo.Bons e maus exemplos,porém raramente excederam os cem anos de mau governo.
   Agora o que vemos e temos é mau de mais.Como português honesto e humilde que sou não receio que a minha imagem seja confundida com aqueles a que sempre a Republica associou á Monarquia.
   Apenas começei a interrogar-me e a obter conclusões. Assim, afirmo-o peremptóriamente! Admiro muito o Homem,o Cidadão e as obras de Sua Magestade El-Rei D.Carlos. Será este o Grande Português que apontarei a quem me pergunte por qual a pessoa que admiro.
Quanto a politicos e politiquices, não sigo partido algum. Não me revejo em partidos.Não daria o meu voto a nenhum P.P.M. ou outro semelhante. Há uma frase que considero lapidar e que anda por aí. « Não sou politico,todos os meus outros hábitos são saudáveis ». Penso também que os criminosos autores materiais do régicidio a seu tempo foram julgados.Os autores morais ainda hoje estão por julgar.As sementes que lançaram quais ervas daninhas ainda hoje vicejam e prosperam enquanto não aparecer um Simbolo a que todos nós olhemos como capaz de servir o povo que somos e não servir-se de nós como esta legião de inaptos que    (des)governa o País. É fartar vilanagem!

3 de Abril de 1312. Extinta a Ordem dos Cavaleiros Templários

sábado, 2 de abril de 2011

Abril


Ribeira das Vinhas. Principio de Abril.

           Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado
           Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.
           Abril molhado,sete vezes trovejado.
           Quando chegar Abril, tudo vai florir.
           Seca de Abril deixa o lavrador a pedir.

                     

ABRIL no parque natural Sintra / Cascais.

Pisão de baixo

A caminho da serra


paisagem
Vista do forno da cal do Pisão de baixo
Uma madresilva,um lirio,pinheiros e mato.