quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A prepósito do dia da Restauração.

Duarte Pio (foto ASF)
Duarte Pio diz que extinção do 1.º de Dezembro desvaloriza dia que mais devia unir os portugueses



O chefe da casa real portuguesa, Duarte Pio, afirmou hoje que a soberania de Portugal está ameaçada, considerando que a extinção do feriado do 1.º de Dezembro desvaloriza o dia que mais devia unir os portugueses.

No discurso comemorativo da Restauração da Independência, proferido em Lisboa, Duarte Pio disse que «a soberania de Portugal está gravemente ameaçada», defendendo que o país atravessa «uma das maiores crises da sua longa vida».

Para o herdeiro da casa real, a actual crise constitui um risco para a soberania já que a história mostra que «sempre que o país ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência».

Independência que, para Duarte Pio, está a ser desvalorizada face à ameaça de extinção do «feriado evocativo do dia que mais devia unir os portugueses».

O feriado de 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da independência de Portugal face a Espanha em 1640, é um dos quatro que o Governo pretende extinguir como forma de aumentar a produtividade do país.

«A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892», que «levou ao fim do regime da monarquia democrática», lembrou Duarte Pio.

Na opinião do chefe da casa real portuguesa, é «urgente» criar um debate nacional para analisar os modelos económico e político «que estiveram na origem do depauperamento do Estado».
19:30 - 30-11-2011  *

 *  Dos Jornais. 
  Um comentário - Desconheço se com o novo acordo ortográfico as instituições e ou os seus mais altos representantes passam a ser referidos em letras minúsculas, como está redigido na peça.
 Se pudesse gostaria de perguntar à pessoa ( jornalista decerto ) que redigiu a peça que exponho, se ele (a) não acharia interessante sabermos a opinião do " chefe da república  Anibal C. Silva ".?

 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Semana nova ( parte II ) Portugal foi-nos roubado !

Pois esta semana vai ser diferente, que mais não seja numa coisa vamos ter um novo mês a meio da dita. Confirmou-se, pelos piores aspectos o que tinha escrito quanto à anterior faltando, na ocasião, uma referência à greve geral que decorreu na 5ª feira saldada também pelo habitual contraditório entre governo e sindicatos quanto ao número de aderentes. Volto a insistir na mesma tecla e provavelmente a este tema não voltarei. Enormes dificuldades a cada dia para a grande maioria de nós causticados sem apelo nem agravo pelo uso incrível e imponderado das mais valias ( € ) com que os sucessivos (des )governos deste Portugal foram fazendo uso ao longo dos anos sem a menor preocupação pelo destino de gerações de portugueses. Ainda falavam há bem pouco tempo de  T.G.Vs , novo aeroporto, 3ª travessia do Tejo na área metropolitana de Lisboa, vias disto e daquilo e mais o raio que os parta, usando linguagem vernácula.O resultado está à vista . Temo que de hoje a um mês estejamos ainda pior. Afinal o nosso País é catalogado como lixo pelas agências de rating que a essas análises se prestam. Lixo o País ? Lixo foram, são e serão todos estes políticos que a isto conduziram. Jamais o País verdadeira jóia natural, autrora , nos bons tempos, dito de jardim à beira mar plantado. O que eu gostaria de assistir, nem que fosse no fim dos meus dias, era a um acto de coragem de algum português que desse um murro na mesa e chamasse de lixo àqueles que assim nos catalogam ou seja aos seus respectivos países. Havia de ser o bom e o bonito.! Como português tenho orgulho no meu Portugal, terra, mar e ar mas nojo e vergonha daqueles compatriotas que tudo fazem para roubar descaradamente ou subrepticiamente a maioria esmagadora dos  seus conterrâneos. Tudo isto começou com o crime hediondo no Terreiro do Paço. Toda esta política de miséria se arrasta connosco a sustentar as maiores aberrações salariais vitalícias de presidentes e mais presidentes. Com dizia o outro  " é fazer as contas " . Que legado é que alguns destes nos deixam ? que obras ? que exemplos ?   Olhemos com respeito para o passado.

                                                                               



                                           

                                                         


                                

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

UM RECADO

Serra de Sintra.       *   



                                                                                        


                                                                                         Quando assistires
                                                                                         à retirada dos andaimes
                                                                                         contempla - é claro-
                                                                                         o edifício que surge.
                                                                                         Mas pede pelos andaimes,
                                                                                         pois é duro 
                                                                                         servir de suporte
                                                                                         à construção,
                                                                                         ser necessário à obra,
                                                                                         e na hora da festa
                                                                                         ser retirado como entulho !






* Fotografia de Zé Pinto Lopes



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quando os lobos uivam



Mas não consigo entender... Esta greve de hoje chamada de Greve Geral por alguns quadrantes ou organizações servirá os interesses de quem ? 
 O meu não, decerto, porque quando precisei de ajuda pareceu haver interesse sindical em lutar pelos direitos dos seus associados nos quais eu me incluia. Passado o " impulso " inicial e assente a " poeira do tempo "  esses nossos representantes estão num ensurdecedor  silêncio muito conveniente na sua aparência para com aqueles  a quem deveriam ao menos uma vez por ano dirigir os seus desagrados. Creio que  estão muito muito preocupados em assegurar o seu posto no sindicato e nas alturas convenientes empurram " o rebanho " bastando para isso que o " lobo " uive. Chegado este, com a alcateia,devora umas quantas ovelhas e das que escapam algumas feridas levam-nas para recanto seguro para mais tarde, de novo, agirem igual quando a " fome " fizer a alcateia descer ao povoado. Claro que recorrem aos tribunais afim de exigir alguma compensação pelos danos causados mas estes, por sua vez, são tão lentos e também eles temerosos dos lobos que o melhor é andarem todos a " fazer que fazemos ".
Por isto é que considero esta greve uma movimentação de alguns " pastores " bem conhecidos com o único fim de agradar aos que lhes suportam o " cajado " Oxalá esteja enganado mas não me parece pois tenho visto ao longo da vida estas manifestações  " gerais " a nada conduzirem. E as outras as realizadas portas adentro  igualmente. E não me venham com tretas!!! Até parece que estou a ouvir os  senhores deputados a comentarem sarcásticamente  " Os cães ladram mas a caravana passa " Verei se tenho ou não razão .

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Natureza

Ontem um tornado de grau indeterminado mas que deve ser talvez um F 1 o menor de uma escala de cinco atingiu o nosso Parque Marechal Carmona tendo causado a destruição de várias árvores, algumas segundo se diz, centenárias. À hora a que ocorreu durante o dia não havia presença humana no local porque estava a região sob chuva e ventos fortes nada propícios aos passeios ou visitas ao parque, felizmente, acrescente-se.

Ao recordar o dia noto estar o vento do quadrante noroeste/norte um pouco desfazado dos quadrantes d'onde normalmente ocorrem estes fenómenos ou seja os ventos marítimos oriundos de sul ou oeste. Tal como ouvi o Sr: Presidente da Câmara, Carlos Carreiras afirmar, " os atentados que o homem de forma inusitada prepetra contra a natureza tem, como consequência, a repetição destes ou outros fenómenos adversos e violentos contra esse mesmo homem ou seja, afectando todos nós de forma directa ou indirecta, como foi o caso " .Concordo inteiramente com esta asserção. Ainda recentemente saimos de um Outubro atípico com calores que não se registavam havia muito. Um Verão por sua vez terrível com constantes ventanias e descidas de temperaturas. Ainda ontem o Instituto de Meteorologia havia registado, na véspera, um " pequeno " sismo de grau 3 aqui na região de Cascais com epicentro a cerca de 30 km a sudueste /oeste.Este não foi sentido apesar da hora, ou talvez por isso, eram 10' e 30 " mais coisa menos coisa. Hoje como todos vimos o dia esteve primaveril até com algum conforto térmico. Afinal para onde caminhamos? A Mãe Natureza vai dando a resposta. Para o bem e para o mal pagamos todos quer queiramos quer não.

Mau tempo

Vento forte provoca queda de árvores em Cascais

por Lusa22 Novembro 2011
O vento forte que se fez sentir hoje à tarde em Cascais levou à queda mais de uma dezena de árvores, o que provocou estragos em carros e habitações, disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Cascais.
"Foram rajadas de vento muito violentas, fora do normal, num período muito curto de tempo, entre as 13.00 e as 13.10", precisou João Loureiro.
Os ventos motivaram a queda de árvores de grande porte na freguesia de Cascais. "Ao todo registamos 16 intervenções de quedas de árvores, algumas delas estão ainda a ser resolvidas", acrescentou, sem apontar o número de carros e casas afectados.
Segundo o comandante, também a torre de 23 metros do Quartel dos Bombeiros de Cascais sofreu alguns danos, afectando as comunicações.
Um comunicado da Câmara de Cascais divulgado ao final da tarde dá conta ainda de que o Parque Marechal Carmona e o Parque da Ribeira dos Mochos estão "encerrados devido aos efeitos do mau tempo que arrancou árvores".
Os dois parques estarão encerrados até segunda-feira, para trabalhos de limpeza e recuperação do relvado, alguns pavimentos e equipamentos que ficaram danificados

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Semana nova.

Mais uma semana que se inicia com todos os ingredientes para pelo menos para mim decorrer dentro daquilo a que designo por desinteressante, ou seja, mais do mesmo. Maus momentos sociais e politicos desde os acidentes rodoviários passando por crimes de toda a espécie. A agitação em torno do euro e da falta dele, as futeboladas e quejandos enfim um sem número de alarvidades que não matam mas moem.
 Se hoje pudesse voltar atrás era mais que certo que vivia muito, muito longe deste atoleiro, muito para lá do Oceano. Mas este pensamento não é exclusivo meu. Sei-o!

sábado, 19 de novembro de 2011

Cão. O melhor amigo.

Hoje a S.I.C. transmitiu uma pequena reportagem acerca de um casal que havia recolhido em sua casa um cão. Tudo normal não fora o facto de esse cão ter sido o objecto de outra reportagem, tempos antes, na qual se referia ter o animal ficado vários dias junto a um centro de saúde em Rio de Mouro, Sintra esperando a dona que havia ali entrado e não mais a vira sair. Infelizmente para a srª saiu sim, mas para a morgue vítima não sei de que doença súbita e para o animal que disso não poderia ter tido conhecimento.
   Seja como for tocou-me bastante esta fidelidade demonstrada por um ser irracional. Exemplo máximo daquilo que nós racionais nem de longe nem de perto somos capazes ( haverá excepções decerto ). O cão ainda manifesta sinais de inadaptação ao novo ambiente mas julgo que com o afecto demonstrado pelos seus novos amigos isso a seu tempo será ultrapassado.


Adiciono aqui três imagens relativamente recentes deste meu cão.
Frezis Frezite o meu amigo actual.  *  1
  Sempre tive cães e com eles passei alguns dos momentos mais felizes da minha vida não me inibindo absolutamente nada em admitir que aquando da sua " partida " e, ainda hoje, por eles verto uma lágrima de saudade.  Então porque não admitir o contrário por parte de tão nobre animal.As lágrimas não são só as que escorrem pelo rosto, penosas são-no também as outras, as internas que os cães, por exemplo, nos indicam com os seus angustiantes uivos. Sem ser piegas o que não me acontece com as memórias de certos  meus  " amigos " humanos que deste mundo se foram.

*  1 Fotografia de Zé Pinto Lopes.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Anos sessenta. Cine-Académico.

                                                                          
.

                                                                      Conheci-te  no " Académico "
                                                                           Perdemo-nos pelo concelho em passeios...
                                                                         ...  e dormimos juntos


O que resta do que foi o velhinho cinema Académico.    
Fachada actual do antigo Cine- Académico
         Tecle sobre a imagem. Aprecie ao som de maravilhosa melodia a não menos interessante paisagem.                              
                                                                                                     
                                                                                       
                                                                             
                                   Não...Não me refiro a sexo.  Refiro-me a dormirmos juntos
                                                                                       De que a sexualidade faz...
                                                                                  
                                                                                       ...  e não faz parte.
                                                                                      O dormirmos juntos
                                                                                      É que é para mim sagrado.
Pelourinho de Cascais. 
                                                                                    ...  O bocejarmos juntos.
                                                                                      Sexo podemos ter com qualquer
                                                                                      Mas dormir, com quem podemos?

                                                      
                                                                                       Sei das tuas noites sem noite!
                                                                                      Porque tendo dormido comigo
                                                                                      Me deixaste.
                 
   
         Foi o cinema Académico, assim como o S. José, referências para a juventude hoje encanecida      
         distinguindo-se um do outro até por essa mesma juventude.
         O pelourinho ao contrário dos tempos de antanho, em que servia para punir e expor criminosos   
         tornou-se num marco de referência quando se  " marcava " um encontro. Saudosos tempos.




       



* 1 e 2   - Fotografias  - Zé Pinto Lopes


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dois recém -nascidos.

                                Pinheiros pequeninos.                  *             1
 Ao fim de algum tempo de gestação fui dar com estes dois rebentos cujas sementes havia colocado no vaso. Tratam -se de um  Pinheiro - de - Alepo ; ( Pinus  halepensis Miller )  * 1 ,    e de um Pinheiro - Bravo ou ( Pinus pinaster Aiton ) * 2.
   Nasceram na primeira semana deste Novembro.
*  1    Pinheiro - de - Alepo.   Usos e costumes:   Embora produza fustes muito torcidos, tem grande interesse silvícola na arborização de solos esqueléticos e calcáreos onde poucas outras espécies mediterrânicas conseguem prosperar. Foi, em tempos, importante produtora de terebentina e de pez; além disso, foi muito cultivada pela marinha veneziana nas margens do Mediterrânio Oriental, para obter matéria - prima de construção.

*  2  - Pinheiro - Bravo.   Usos e costumes :   Importantíssima protagonista da silvicultura portuguesa. Os serviços florestais preconizavam a posterior substituição destes pinheiros " pioneiros " por folhosas nobres como Quercus.

 Vou tentar que estes dois exemplares cresçam saudáveis, afim de os levar para o meio ambiente propício como já fiz com outros aqui pelos terrenos do Parque Natural os quais visito de vez em quando. Tenho tido o cuidado de os colocar de forma a que não sejam vitimas de fogos mas, quanto à mão do homem, livre-os o destino pois aí nada posso fazer. O pinheirinho de Alepo nasceu de uma semente que encontrei, imagine-se, numa varanda cá de casa e o outro, dito bravo, trouxe-o da Serra de Sintra.

*  1  - Foto de Zé Pinto Lopes

sábado, 12 de novembro de 2011

O velho, o rapaz e o burro.

Contos e Fábulas
                              

                  O mundo ralha de tudo,
                    Quero contar uma história
                     Em prova dessa asserção.
                      Tenha ou não tenha razão.

                                                                                                       Partia um velho campónio
                                                                                                    Do seu monte ao povoado,
                                                                                                    Levava um neto que tinha,
                                                                                                    No seu burrinho montado.
        
                                     Encontra uns homens que dizem:
                                                                                                    " Olha aquele que tal é !
                                                                                                    " Montado o rapaz, qu'é  forte,
                                                                                                    " E o velho tropego a pé. "

                                                                                                   
                                          Tapemos a boca ao mundo,
                                                                                                 
                                                                                                   O velho disse: " Rapaz,
                                                                                                    Desce do burro, que eu monto,      
                                  
                                        Apeiam-se, e outros dizem-lhe:
                                                                                                  
                                                                                                      " Toleirões,calcando" lama !
                                                                                                      " De que lhes serve o burrinho ?
                                                                                                      " Dormem com ele na cama                                                
                                                Monta-se, mas ouve dizer:                                                       
                                                                                                  
                                                                                                     " Que patetice tão rara,
                                                                                                     " O tamanhão do burrinho,
                                                                                                     " E o pobre pequeno á pata "
                                                                                                     " E vem caminhando atráz.
                                                                                                

                             
                                                                                                  
                                                                                                      
                                   Vamos ao chão " diz o velho,
                                                                                                       " Já não sei que hei-de fazer !
                                                                                                       " O mundo está de tal sorte
                                                                                                       " Que se não pode entender.
                                                                                                           
                                Montam, mas ouvem d'um lado:
                                                                                                       " Apeiem-se, almas de breu !
                                                                                                       " Querem matar o burrinho ?
                                                                                                       " Aposto que não é seu ! "

                                                                                                            
                                                             " É mau se monto no burro"
                                                             " Se o rapaz monta, mau é, " Se ambos montamos, é mau,                                                                               " E é mau se vamos a pé!

                                                                   
                                           
                                                               
                                                                                                   

                            " De tudo me teem ralhado,
                                                                                                        " Agora que mais me resta ?
                                                                                                        " Peguemos no burro ás costas,
                                                                                                        " Façamos ainda mais esta.

                                                                                     

                                                          Pegam no burro; o bom velho
                                                                Pelas mãos o ergue do chão;
                                                       Pega-lhe o rapaz nas pernas,


                                                                                                         E assim caminhando vão.

                                                                                                     

                                                

                                            
                                           " Olhem dois loucos varridos ! "
                                                  Ouvem com grande sussurro,
                                                                                                           " Fazendo mundo às avessas,
                                                                                                           " Tornados burros do burro ! "
                                                                           "

                          "
         O velho então pára e exclama:
                                                              " Do que observo me confundo !
                                                              " Por mais qu'a gente se mate,
                                                                " Nunca tapa a boca ao mundo.
               
                                                                                                 " Rapaz, vamos como d'antes
                                                                                                           " Sirvam-nos estas lições;
                                                                                                           " É mais tolo quem dá
                                                                                                           " Ao mundo satisfações.                                                                                              

                                                                                                          *
                                                              



                                                                                                          


                                                                                                         


                                           
    *   Semmedo ; Lisboa, Fevereiro de 1881

                                              

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Água - Pé e Castanhas.

Na Adega. * 1
 Alguns aspectos de uma ruralidade ancestral
Entre amigos.  *  2
Só falta aqui o aroma do lugar.







Adega.  *   3
Entre pipas e paredes 
 
O Lagar              *    4

Hoje é o tradicional dia de saborearmos a delíciosa castanha e a não menos saborosa água- pé de preferência entre amigos ou família tendo eu, para esse efeito, tomado as devidas providências ou seja acautelado a reserva do precioso liquido e do abençoado fruto. A todos os demais um bom apetite.





  * Fotos de Zé Pinto Lopes

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Galinhola ( um )

 Aqui neste meu " cantinho " abordo muitos e variados temas e muitos assuntos, porém de todos os que ao reino animal diz respeito aquele ou aqueles que abordam esta ave considero-os sempre sublimes. A resposta a esta paixão encontro-a justificada, de alguma forma, nos momentos passados por esses campos sempre na companhia de " Grandes e Velhos " cães que comigo a compartilharam na sua total integralidade. Todos os autores de livros em que a figura central é a Galinhola ornamentam-nos com o seu cunho pessoal em que regra geral impera um sentimento de respeito e mistério por tão misteriosa ave. Ave das mais reproduzidas em tela, aguarela e até nobremente imortalizada em estatuária desde o ferro à simples madeira. Bem hajam.


Alguns escrevem o que não compreendem e por isso não se compreende o que escrevem. *

* Galileu Galilei 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Penha Longa e o seu Penedo dos Ovos.

Hotel da Penha Longa edificado no autrora convento de Nossa Senhora da Saúde. *   1
No lugar da Ribeira de Penha Longa nas faldas da Serra de Sintra, para a parte de sul, está situado o convento de Nossa Senhora da Saúde, primeira fundação que tiveram os monges de S. Jerónimo, no então Reino de Portugal.

Penedo dos Ovos. * 2
Está fora de dúvida que o convento da Penha Longa foi concluído em 1400, sob os auspícios d'El-Rei D. Manuel, certamente porque as esmolas que o seu fundador alcançou, não chegaram para o concluir. É tradição que, tendo sido pedida a D. João I uma esmola, com destino àquela fundação, este Rei mandara 1$600 reis, escoltados por uma companhia de alabardeiros, para os salteadores a não roubarem no caminho. Perto deste mosteiro ( hoje desaparecido )está num elevado monte , com um penedo que serve de base a uma cruz, este penedo é vulgarmente conhecido por "  Penedo dos Ovos " , nome a que anda ligada uma curiosa lenda.
 Tem também o nome de " Pedra Longa " ou " Pera Longa " por causa da sua estranha configuração muito semelhante a uma pera. Há que afirme ter tido origem no nome deste penedo a denominação de Pera Longa, que antigamente tinha Penha Longa. Autrora dizem ter servido este mesmo penedo de baliza aos navegantes dado se avistar de alto mar, o que hoje estranhamos por estar a zona densamente arborizada.

  " A aquele penedo elevado a prumo, caprichosamente, pela natureza, ou produzido pelas convulsões vulcanicas do terreno, em tempos ignotos, anda ligada a seguinte interessante lenda:
  Era voz constante que debaixo dele havia escondido um tesouro, - tesouro encantado - que só pertenceria a quem fosse capaz de o derrubar, atirando-lhe com ovos.
  Era uma espécie de esfinge, que difícil seria adivinhar.
Hoje o "tesouro " é outro e á vista. * 3
  Ora,  sucedeu que a uma velha daquelas imediações se lhe meteu na cabeça conquistar o apetecido tesouro. Nesse propósito dispôs-se a boa velhinha a juntar tantos ovos quanto pudesse, e quando já estava senhora de uma boa provisão, deu princípio à sua ingénua tarefa.
Ao longe, envolto numa paisagem que alguns tentam subtrair aos vindouros conforme fizeram já com a minha geração . * 4
  Carregou, pouco a pouco todos os ovos para as imediações do penedo e meteu mãos á obra. Um a um, dois a dois, e com quanta força dispunha, ia arremessando os ovos contra o penedo; quando nenhum já lhe restava, - cruel decepção ! - o penedo continuou erecto e firme, lavado em ovos!
  E foi assim que, em vez de cair por terra o penedo, pondo a descoberto o maravilhoso tesouro, cairam por terra desfeitos todos os sonhos, e todas as esperanças da pobre velha !
  E ainda hoje, o povo sempre propenso ao maravilhoso, julga ver nos musgos amarelados que cobrem o penedo, as gemas dos ovos que a velha contra ele arremessou. " ** 

**  Cintra Pinturesca . 
     António A. R. da Cunha.                           * As quatro fotografias são de Zé Pinto Lopes.


     Lisboa. 1905 


 Nota final. Hoje é impossivel visitar o Penedo  ou os arredores por o espaço estar condicionado. Foram construidas várias moradias ao redor, um hotel, um campo de golfe e duas urbanizações ali perto que pela sua localização tornaram aberrante a paisagem envolvente. Creio que os " responsáveis " ainda sonham urbanizar toda a Serra de Sintra  e não o podendo fazer, quiçá, proibir  a todos os demais seres humanos o usufruir desses espaços. O futuro o dirá.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alcácer do Sal.

Campos e Urbe.

Dirigia-me para o Alentejo um destes dias de finais de Outubro quando observei esta beleza de cidade. O branco imaculado das suas casas, na margem direita do Sado um dos poucos rios que, na Europa, corre de sul para norte após percorrer cerca de 180 km desde a serra da Vigia até ao Atlãntico, lá longe, em Setúbal. Alcácer do Sal e o seu rio já foram testemunhas de diversas lutas pela sua posse lembrando-me que, desde a pré-história até hoje aqui estiveram os povos fenícios, romanos e os árabes tendo o rei D. Afonso II em 1217  conquistado estes bens  em nome de Cristo até aos nossos dias.
Alcácer do Sal. *
O sereno rio Sado, um rio português.

Aproveitei e tirei estas fotos na quais se vislumbram além da cidade,o castelo, os arrozais, a ponte ferroviária, tudo sob um céu outonal. Como sempre nestes casos ficou-me a pena de não ter tempo de visitar Alcácer e as suas belezas, como por exemplo o Castelo e algumas outras importantes relíquias que a cidade guarda na parte velha do burgo. Será outro dia.

* Fotografias: Zé Pinto Lopes.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cascais e o terramoto de 1755 ( passaram ontem 256 anos )

 Como é do conhecimento geral no dia 1º de Novembro de 1755 registou-se um abalo de terra em Portugal continental do qual resultaram prejuizos humanos e materiais de elevada monta.Em Lisboa há registos de 60.000 mortos em consequência directa do sismo e do sobsequente maremoto.Embora não houvesse registos na altura, admite-se ter o abalo atingido o grau nove da escala de Richter tendo sido sentido até na Austria onde " tremeram " os lustres. No que a Cascais diz respeito encontrei a seguinte informação:

   
As memórias Paroquiais, bem como as respostas dos reitores às questões levantadas pelas autoridades após o terramoto de 1755, (...) A existência de uma torre com relógio, que desapareceu nessa ocasião, bem como a utilidade e a forma de utilização do espaço interno das muralhas do castelo, vêm bem expressas nas palavras do padre Marçal da Silveira : " Está esta vila sem relógio porque este, e sua grande torre feita pelos mouros, que se fez em cinzas. O Palácio dos Marqueses de Cascais que era de uma excelente prespectiva, e de esquisitas pinturas, com uma bela ermida, desconhece-se tudo pelo que foi e já não é ( ...) Nesta freguesia há um castelo, cujo hoje está todo cheio de moradores e para nada serve mais, porém ainda se lhe conservam algumas ameias, cuja fica para as bandas da ribeira, pegando com os palácios dos Marqueses de Cascais " . * 1

 (...) Em termos de edificações de carácter sacro, seriam várias as existentes em Cascais durante a época moderna. No entanto, devido ao terramoto de 1755, a grande maioria delas terá sido destruída, dando lugar a reconstruções que, de acordo com os dados recolhidos no terreno, as terão transformado naquilo que hoje são. Segundo o Reitor da Igreja Matriz de Cascais, padre Manuel Marçal da Silveira, nada sobrou do terramoto, e o que se manteve em pé, estava em tais condições que mais valia destruir para construir de raiz do que aproveitar aquelas ruínas; " A vila ficou toda arruinada até ao chão. Não há casa, que ou não caísse em terra, ou não ficasse abalada, ameaçando ruína. Os templos, a ponte, a cidadela, e os seus quarteis, tudo está demolido, e feito em pó. A maior parte da vila habita ainda em barracas fora, e dentro do destrito, a ponte está com um só arco em pé, e se não passa por ela, e tudo em última ruína, sem que se reparasse ainda nada, sómente algumas casas se teem levantado, poucas, ao mesmo tempo que outras, com as tempestades e ventos se teem acabado de postrar ".
  
Do Reitor da Igreja da Freguesia da Ressurreição, a segunda Freguesia de Cascais e situada no espaço extra-muros, sabemos que foi esta uma das mais afectadas Freguesias do País, com a catastrofe do terramoto de 1755: 

" De todas as terras foi esta que experimentou maior ruína ( Conforme dizem todos ) por causa do dito terramoto, pois todos os edifícios se arruinaram, e quase todos cairam, e algum que não caiu ficou de todo inabitável,(...) * 2

Os asteriscos * que assinalo em 1 e 2  pretendo com eles registar que alterei a grafia da época para cómoda leitura, embora tenha mantido as virgulas e pontuações afim de manter algo dos textos originais. Recorri à consulta da obra de João Anibal Henriques " Subsídios Monográficos para uma História Rural Cascalense " para ajudar a elaborar este texto .