terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cassiopeia. Onde nascem e morrem estrelas gigantes na nossa Galáxia.

ESA partilhou fotografia incrível de região onde se formam estrelas

A partilha da fotografia surge na sequência da celebração do Observatório Espacial Herschel.

ESA partilhou fotografia incrível de região onde se formam estrelas
Notícias ao Minuto
Há 7 Horas por Miguel Patinha Dias
Tech Espaço
Ao longo dos anos em que esteve em atividade, o Observatório Espacial Herschel foi capaz de tirar fotografias de grande beleza não só do nosso Sistema Solar como também da nossa galáxia, a Via Láctea. É para celebrar este papel do satélite lançado em 2009 que a Agência Espacial Europeia (ESA) está a partilhar imagens como a que pode ver acima.
A imagem é de um complexo de três regiões (W3, W4 e W5) da nossa galáxia onde são formadas novas estrelas, conta o Science Alert. O complexo está localizado na constelação da Cassiopeia, uma que a ESA descreve como sendo “uma das melhores regiões para estudar a vida e a morte de estrelas gigantes na nossa galáxia Via Láctea”.




Esta é a sequência fotográfica que ilustra a notícia.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Um bom colchão.

Aprenda a limpar o colchão para mantê-lo livre de ácaros (e não só)

Células mortas, pó e ácaros são os principais habitantes do colchão em que dorme todas as noites. Mas podem também acabar com a sua saúde.

Aprenda a limpar o colchão para mantê-lo livre de ácaros (e não só)
Há 23 Horas por Notícias Ao Minuto
Apesar de todas as noites se deitar nele (e sonhar acordado durante o dia com esse momento), nem sempre o colchão é lembrado na hora de fazer uma limpeza à casa.
Um bom colchão é caro, por isso, trocá-lo com muita frequência não é algo que esteja ao alcance de todos. Além do mais, não se trataria de um hábito muito amigo do ambiente.
Fazer uma limpeza frequente ao colchão é extremamente necessário, pois este item usado diariamente acumula muitas células mortas, poeira, ácaros e humidade, que podem prejudicar em muito a nossa saúde.
Segundo o site Dica de Mulher, o colchão deve ser limpo pelo menos uma vez por mês. E o produto indicado? Bicarbonato de sódio. Para fazer a limpeza completa vai precisar de: 250 gramas de bicarbonato, uma escova indicada para tecidos, um aspirador de pó e óleo essencial (cujo o aroma depende do gosto de cada um).
Para a limpeza, basta tirar toda a roupa de cama e polvilhar o bicarbonato por toda a superfície do colchão. Deixe-o atuar por 40 minutos, esfregue com uma escova, deixe atuar por mais 15 minutos e, em seguida, passe o aspirador de pó por cima, removendo o bicarbonato e a sujidade que vai ficando saliente.

Repita o processo do outro lado do colchão. Se possível, deixe o colchão ao sol durante a limpeza. No final, aplique gotas de óleo essencial (lavanda e camomila são ótimos para proporcionar um ambiente mais calmo na hora de dormir).

E a culpa é do...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Alterações Climáticas

Christian Zuber, porta-voz da polícia de Valais, disse ao The Guardian que tem uma lista de mais de 300 nomes de pessoas que desapareceram nos Alpes desde 1925. "Os glaciares estão a recuar, por isso é lógico que estejamos a encontrar cada vez mais corpos e partes de corpos. Nos próximos anos esperamos que muitos mais casos de pessoas desaparecidas sejam resolvidos", afirmou ao jornal britânico.
Um relatório do World Glacier Monitoring Service estima que, entre 2000 e 2010, os glaciares dos Alpes perderam um metro de densidade todos os anos e uma investigação do jornal suíço Tagesanzeiger mostra que oito dos dez meses em que estes glaciares perderam maior volume no último século ocorreram desde 2008.
Por cá é isto.

O degelo vai continuar, isso parece certo. A única duvida dos especialistas é a velocidade a que os glaciares vão derreter.  E não apenas nos Alpes. Noutras cadeias montanhosas da Europa ou em regiões onde os glaciares dominaram durante muito tempo. Algo que está a mudar nesta era do aquecimento global. Se por um lado estas descobertas trazem algum alívio aos familiares e os arqueólogos se regozijam com a descoberta de corpos mumificados de antigas culturas, há um aspeto negativo e que preocupa cada vez mais os cientistas. Estas descobertas só atestam a rapidez com que o clima está a mudar, o ritmo é cada vez maior assim como as consequências. A corrida para combater as alterações climáticas está a atingir uma fase crítica.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Uma vida num chapéu.

 Amanhã dia 21, pelas 19 h , no Chiado que será oficialmente lançado o livro " Uma vida num chapéu " obra na qual participei com ilustrações alusivas às narrativas ou aos contos nele descritos.

   Quem queira comparecer será muito bem recebido como é apanágio do Autor e da minha pessoa.

   Certamente que o que se pretende é tão só conviver um pouco trocando impressões sobre " tudo " e mais alguma coisa...

 Antecipadamente grato pela vossa presença.

 
Lançamento do livro "Uma Vida num Chapéu"
Quinta-feira, 21 de Setembro às 19:00
Livraria Ferin em Lisboa

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Brasil. Salvemos a Amazónia.



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Estimados amigos e amigas,


Alerta máximo!
O presidente do Brasil está tentando vender pedaços enormes da área protegida da Amazônia para empresários corruptos em trocas de favores políticos. A última tentativa foi para uma extensão equivalente à metade da Alemanha!

Mas temos como impedi-lo.Ele já está no meio de uma crise, enfrentando níveis baixíssimos de aprovação e sendo bombardeado na imprensa por acusações de corrupção e ataques ao meio-ambiente.

Nesta semana, ele irá à Assembleia Geral da ONU para tentar angariar apoio junto à imprensa mundial. Vamos acabar com os planos dele ao aparecer em Nova York com 2 milhões de assinaturas e uma ação que vai virar manchete em todo lugar! Vamos mandá-lo para casa com apenas uma opção para salvar sua carreira política:parar de matar a Amazônia.

https://secure.avaaz.org/campaign/po/all_for_amazon_loc/?tzWqodb&v=500349874&cl=13180656566&_checksum=488265c48e865d5c3037c08e2aa0e1dfb0bf5369fba0aeaf948fb4dbf7941d3b

A Amazônia é um milagre vivo. É a casa de uma entre dez espécies de todo o planeta, produz mais de 20% do nosso oxigênio, e não conseguiremos impedir as catástrofes climáticas sem ela.

Mas neste exato momento, esse ecossistema único e o povo indígena que nele vive, estão pagando o preço de um jogo político sujo. O presidente Michel Temer está leiloando pedaços da floresta para madeireiros e fazendeiros em troca de favores de empresários poderosos e membros do Congresso.Ele precisa dessa proteção porque ele é extremamente impopular e é agora alvo de investigações de corrupção!

De acordo com cientistas, decisões como essa poderiam levar a Amazônia inteira para uma crise catastrófica--e até para um colapso total de todo o ecossistema da floresta!

Em poucos dias, o Brasil estará em destaque na abertura do encontro de líderes na ONU. Nós vamos dar o nosso melhor em Nova York para colocar a proteção da Amazônia em pauta toda vez em que Michel Temer aparecer. Mais de 900 mil brasileiros já assinaram essa campanha --vamos fortalecer essa campanha agora:

https://secure.avaaz.org/campaign/po/all_for_amazon_loc/?tzWqodb&v=500349874&cl=13180656566&_checksum=488265c48e865d5c3037c08e2aa0e1dfb0bf5369fba0aeaf948fb4dbf7941d3b

A comunidade da Avaaz no Brasil tem um histórico de conseguir milagres -- conseguimos aprovar uma poderosa lei anti-corrupção e ajudamos a derrubar um dos políticos mais “intocáveis” do país que tentava escapar de toda e qualquer punição. Agora construímos uma das maiores campanhas nacionais já vistas. Vamos levá-la ao mundo todo e salvar a Amazônia!



ONGs fazem protesto na Câmara contra decreto de extinção da Renca (G1)
https://g1.globo.com/politica/noticia/ongs-fazem-protesto-na-camara-contra-decreto-de-extincao-da-renca.ghtml

Após anistia de R$ 8,6 bilhões, 2/3 da bancada ruralista votam a favor de Temer (UOL)
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/08/03/apos-anistia-de-r-86-bilhoes-23-da-bancada-ruralista-vota-a-favor-de-temer.htm

Muito além da Renca: O plano do governo federal para aumentar a produção mineral no País(Huffpost)
http://www.huffpostbrasil.com/2017/09/01/muito-alem-da-renca-o-plano-do-governo-federal-para-aumentar-a-producao-mineral-no-pais_a_23192928/ (https://www.theguardian.com/environment/2017/aug/30/brazilian-court-blocks-abolition-of-vast-amazon-reserve)

Amazônia: Protesto na Câmara mobiliza parlamentares e ONGs contra extinção de Renca (Globo)
https://oglobo.globo.com/economia/amazonia-protesto-na-camara-mobiliza-parlamentares-ongs-contra-extincao-de-renca-21764609#ixzz4smoYJdpN

Geddel, o político dos R$ 51 milhões, declara fazendas a preço de banana (De Olho nos Ruralistas)
https://deolhonosruralistas.com.br/2017/09/06/geddel-o-politico-dos-r-51-milhoes-declara-fazendas-preco-de-banana/

Avaaz.org <avaaz@avaaz.org>

18:34 (há 19 horas)



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Dióspiro.

Dióspiro – Um fruto do Outono

O dióspiro (Diospyros kaki), é um fruto proveniente da Ásia, mais precisamente da China, de onde foi levado para a Índia e para o Japão, onde é cultivado desde o século XVII. Ao longo dos tempos, difundiu-se pelos cinco continentes. Atualmente, os principais países produtores são: China, Japão, Coreia, Brasil, Índia, Itália e Espanha. Em Portugal, destaca-se a zona do Algarve como zona de produção. Contudo, grande parte dos dióspiros é proveniente de árvores dispersas, espalhadas por todo o país. O calendário de produção nacional reporta aos meses de outubro e novembro, entrando ainda no mês de dezembro. Ou seja, estamos em plena época do dióspiro. Esta estação traz-nos cheiros, cores e sabores muito próprios da época e o dióspiro é um dos frutos preferidos no Outono.
O diospireiro é uma espécie de origem subtropical, adaptando-se a um clima moderado. O fruto do diospireiro, retirando a sua casca fina, é praticamente constituído por polpa, de aparência gelatinosa, composta por fibras solúveis como mucilagens e pectinas. Estas fibras favorecem a regulação do funcionamento intestinal e das glicemias, promovem a saciedade e diminuem os níveis de colesterol total e de colesterol-LDL.
Ainda do ponto de vista nutricional, é de salientar também a sua riqueza em vitamina A, e minerais como o potássio. Têm-se descrito grandes quantidades de atividades associadas aos carotenoides (responsáveis pela coloração do fruto), principalmente como agentes antioxidantes com eventual potencial na proteção das células.
As suas variedades dividem-se em função da adstringência. A sensação adstringente é provocada pela contração das mucosas da boca, sendo que esta característica particular se deve à presença de taninos (especialmente presentes quando a fruta ainda não está madura). A riqueza em taninos confere-lhe um elevado potencial antioxidante, e diversos estudos relacionam a sua presença com a diminuição do risco de doença cardiovascular e de alguns tipos de cancro. As “adstringentes”  – Coroa de Rei, Kaki e Roxo Brilhante – são as mais comuns e necessitam de uma maturação adequada para poderem ser consumidas. As “não adstringentes” – Fuyo, Hana Fuyo, O Gosho, Giro, Cal-Fuyo, Fau-fau e Sharon –  podem consumir-se de imediato, após a colheita.
O dióspiro oferece 65kcal por 100g de parte edível, sendo que a sua composição é essencialmente água (82,6g), hidratos de carbono (14,8g), vitaminas e minerais. Contém 177 µg de carotenoides correspondendo a 22% da dose diária recomendada (DDR) de vitamina A, tornando o dióspiro uma boa fonte. Apresenta, também, uma quantidade interessante de potássio (230mg), correspondendo a 11,5% da DDR.
Devido ao teor de hidratos de carbono, o consumo do dióspiro deve ser, sempre que possível, integrado em refeições.
tabela-diospiro-1
Informação retirada da Tabela de Composição dos Alimentos Portuguesa

Como Escolher/Manter

A coloração pode apresentar-se desde amarelo/alaranjado até laranja escuro. Escolha dióspiros que ainda conservem o pedúnculo e o cálice. Manipule cuidadosamente pois o dióspiro tem uma pele muito sensível a qualquer dano físico. Pode optar por comprar o fruto ainda duro e deixar amadurecer em casa, visto que o processo de amadurecimento é rápido e pode ainda ser acelerado se for colocado junto a outras frutas, como por exemplo a banana. O etileno libertado por esta fruta induz o amadurecimento noutra que esteja próxima.

Como consumir

Estamos no Outono, e por esse motivo, os dióspiros ganham destaque nas bancas dos mercados. Sem dúvida que a melhor forma de apreciá-los é ao natural, e com o auxílio de uma colher. No entanto, pode ser preparado de várias formas, cru ou cozinhado (assados com um pouco de canela). O dióspiro é doce e portanto muito utilizado em saladas, com iogurte, em sumos ou em gelados evitando a adição de açúcar. Dê preferência ao dióspiro maduro de forma a diminuir a adstringência e suavizar o seu sabor.

Delicie-se neste Outono!

Imagem retirada de Parchen

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Onde vir chapéus pendurados na rua, ali ao Chiado, lá estaremos...

   Olá a todos,
Não há duas sem três. Essa é que é essa. Tomei-lhe o gosto. Dito isto fica aqui o convite para o lançamento do meu novo livro Uma Vida num Chapéu. Próximo dia 21, Quinta Feira, pela tardinha (19horas), lá o espero. Onde?. Na Livraria Ferin. Claro!
Onde vir chapéus pendurados na rua, ali ao Chiado, é lá. Venha e traga o seu Chapéu. Mas venha. Se vier, mesmo que sem chapéu, eu prometo que tiro o meu chapéu.

josé maria da cunha


 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Serra de Sintra. O grande incêndio em Setembro de 1966

Já lá vão 51 anos era eu uma criança. Ainda hoje tenho na memória algumas imagens deste dia. Com a devida vénia transcrevo um relato desse acontecimento.

Grande Incêndio de 6 Setembro de 1966

 


Em Setembro de 1966, a serra de Sintra era motivo de notícia, nos jornais nacionais e estrangeiros. Não pela sumptuosidade do seu património histórico-natural, mas antes, devido à violência com que o fogo a devastava e às circunstâncias dramáticas em que haviam morrido, durante os trabalhos de extinção, 25 militares do Regimento de Artilharia Anti-Aérea Fixa de Queluz (RAAF).

O fogo lavrou – com intensidade brutal – entre os dias 6 e 12 de Setembro.
As chamas irromperam na Quinta da Penha Longa, alastrando à Quinta de Vale Flor, Lagoa Azul e Capuchos.
Em diversos momentos, a situação apresentou-se incontrolável, sendo favorecida por elevadas temperaturas e constantes mudanças de vento forte.
Vários pontos de referência de Sintra estiveram sob risco elevado, caso do Palácio de Seteais, Palácio de Monserrate e Parque da Pena, entre outros. A própria localidade de S. Pedro de Sintra chegou a correr perigo.
A presença, no ar, de corpos incandescentes, originou focos de incêndio noutros pontos do concelho – Albarraque, Cacém, Colares, Gouveia, Magoito, Mucifal, Pinhal da Nazaré, Praia Grande e Praia das Maçãs – obrigando à dispersão dos meios de combate.
Foram mobilizados todos os corpos de bombeiros do distrito de Lisboa, aos quais se juntaram, ainda, por absoluta necessidade de reforços, pessoal e material de Caldas da Rainha, Elvas e Leiria. Também várias forças militares e militarizadas integraram o dispositivo de luta contra o fogo. Ao todo, estiveram no terreno, mais de quatro mil homens em acção.
A Lagoa Azul e o largo do Palácio Nacional de Sintra foram, em termos estratégicos, os locais escolhidos para concentração dos meios de combate.
"Sintra: uma vila ocupada", escrevia o jornal Diário de Notícias, em 10 de Setembro de 1966, ao legendar uma foto que registava o abastecimento de veículos de bombeiros e militares, defronte do vulgarmente designado "Palácio da Vila".
O actual edifício do Museu do Brinquedo, ao tempo quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Sintra, acolheu o "quartel-general de combate e alerta".
Toda a região de Sintra ficou envolta numa enorme nuvem de fumo – negro e espesso – sendo visível a vários quilómetros de distância.
À noite, um "medonho clarão", que se avistava de Lisboa e arredores, fez convergir, diariamente, muitas pessoas a Sintra, para assistirem, de perto, ao gigantesco incêndio.
Enquanto uns tinham a atenção centrada no rasto de destruição, outros combatiam o fogo até à exaustão, com todos os meios ao seu alcance. Serviu para amenizar o cansaço, a corrente de solidariedade desencadeada pelas gentes de Sintra. Por exemplo, conforme destacado pela imprensa, "restaurantes, cafés e pensões serviram, gratuitamente, alimentos a bombeiros e soldados".

 1  21 - Um "medonho clarão"
2 - Nuvem de fumo negro e espesso

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3 - Intervenção conjunta de bombeiros e populares
4 - Técnica de batimento do fogo
Combate eficaz apesar da falta de meios

Em 1966, ao contrário de outros países, não existiam, em Portugal, meios aéreos para o combate a incêndios. Por outro lado, os veículos de bombeiros não dispunham de tracção às quatro rodas e muito menos de depósitos de grande capacidade e de bombas de grande débito. Muitas das frentes de incêndio foram debeladas com recurso, entre outras técnicas, ao batimento do fogo, quer com ramos de árvores quer com material sapador, saldando-se num trabalho deveras penoso e extenuante. Calcule-se, portanto, as difíceis condições enfrentadas pelo pessoal combatente, na presença de altas temperaturas, agravadas pelas características dos uniformes utilizados na época, com destaque para o capacete de latão e botas de borracha.
Apesar das condições de extrema adversidade e da ausência de meios, incluindo sistema de telecomunicações, bombeiros e militares defenderam, com êxito, o património edificado de Sintra e evitaram que o fogo atingisse maior número de área arborizada.
A abundância de mato ressequido constituiu um dos maiores inimigos enfrentados pelos bombeiros e, por sua vez, representou um dos maiores amigos da combustão.
Na altura, havia sido determinada a proibição de apanhar mato na serra. Como tal, a falta de limpeza dos terrenos foi um dos factores considerados na avaliação das causas da rápida propagação do incêndio. A este respeito, importa referir que o conceito de prevenção, mesmo ao nível da antiga Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, não tinha as incidências dos dias de hoje.
Vegetação rara da serra sofreu danos bastante consideráveis, antevendo os técnicos, desde logo, a difícil probabilidade do seu florescimento. Os parques da Pena e de Monserrate salvaram-se, ao contrário da Tapada do Mouco, onde os prejuízos atingiram quase a totalidade da sua área. Os terrenos de particulares foram os mais causticados.

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5 - Antigo quartel-sede dos BV Sintra, onde funcionou o "quartel-general de combate e alerta"
6- Largo do Palácio Nacional de Sintra (anos 60), um dos locais de concentração dos meios de socorro

Serra de luto

Grande parte da serra perdeu a sua beleza e viu-se convertida num horizonte negro, como a significar um manto de luto. Luto, também, pela perda de 25 vidas humanas. Tudo aconteceu na noite de 7 de Setembro, no Alto do Monge, numa altura em que o fogo atingiu o seu máximo. Um grupo de militares do RAAF que operava no local, sem preparação adequada para o combate a incêndios, deixou-se cercar pelas chamas… A detecção dos seus corpos carbonizados – diz quem testemunhou a tragédia – foi "chocante".
Desejada por todos, só a queda de chuva permitiu a extinção do incêndio. No dia 12, às sete da manhã, chegava finalmente a solução para um problema que parecera não ter fim: a chuva caía sobre Sintra. Apesar disso, numa medida de prevenção, alguns meios dos bombeiros permaneceram vigilantes no local, a fim de fazer face a inevitáveis reacendimentos. Somente, no dia 25, foram dadas por concluídas todas as operações.
Este foi o mais grave incêndio ocorrido na serra de Sintra, totalizando 50 quilómetros quadrados de área ardida. Um simples descuido, na zona da Lagoa Azul, esteve na sua origem, segundo investigação da Polícia Judiciária.
A experiência vivida pelos bombeiros, na serra de Sintra, suscitou um conjunto de reflexões, no domínio organizativo da prevenção e do combate, cuja essência permanece actual e continua a alimentar, repetidamente, no país, na época de Verão, o debate sobre o flagelo dos incêndios florestais. Ao estudo do assunto, privilegiando uma visão sistémica e nacional, dedicaram-se dois comandantes de bombeiros do concelho de Sintra: Mário Ferreira Lage (BV S. Pedro de Sintra) e José Maria de Magalhães Ferraz (BV Algueirão-Mem Martins).
Já em 1966, à semelhança do que se verifica nos nossos dias, era defendido um trabalho a montante e interligado entre várias entidades intervenientes na problemática dos incêndios florestais.

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7 - Militares em acção na serra
8 - Lápida em memória das 25 vítimas, no Alto do Monge

Vinte anos depois

Em 1986, por ocasião do 20.º aniversário do grande fogo na serra de Sintra, os nove corpos de bombeiros do concelho de Sintra (Agualva-Cacém, Algueirão-Mem Martins, Almoçageme, Belas, Colares, Montelavar, Queluz, S. Pedro de Sintra e Sintra), em articulação com a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), decidiram evocar a efeméride, promovendo para o efeito um conjunto de actividades que vieram a cumprir-se nos dias 6 e 7 de Setembro.
No primeiro dia, a respectiva programação compreendeu a inauguração de uma exposição retrospectiva do sinistro, na Sala das Galés do Palácio Nacional de Sintra, a inauguração da Mostra Filatélica do Selo Alusivo ao Bombeiro, na Praça da República, n.º 20, e um colóquio subordinado ao tema "Prevenção e Protecção Contra Incêndios na Serra de Sintra", na Sala da Nau do Palácio Valenças.
A 7, concelebrou-se no Alto do Monge uma missa por intenção dos militares que perderam a vida durante o incêndio, a qual foi presidida pelo padre Vítor Melícias, na qualidade capelão da LBP, e transmitida em directo pela Radiodifusão Portuguesa. À tarde, com um percurso compreendido entre a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e o Terreiro Rainha D. Amélia, realizou-se um desfile dos corpos de bombeiros que intervieram em 1966, cujo comando das forças em parada esteve a cargo do prestigiado comandante Artur Lage, dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém. A assisitir ao desfile, que foi seguido de uma cerimónia evocativa, no Terreiro Rainha D. Amélia, defronte do Palácio Nacional de Sintra, esteve o ministro de Estado e da Administração Interna, Eurico de Melo, que tomou assento na tribuna de honra, entre outras entidades.
Antes, porém, em Junho de 1970, integrada nas Festas do Concelho de Sintra, ocorreu no mesmo local a cerimónia de imposição de medalhas de Abnegação e Serviços Distintos de Mérito Florestal aos corpos de bombeiros que combateram o incêndio, bem como ao RAFF, Legião Portuguesa e Cruz Vermelha Portuguesa.

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9 - Capa do programa evocativo dos 20 anos do incêndio
10 - Comandante Artur Lage, no comando do desfile
11- Cerimónia de condecoração dos corpos de bombeiros intervenientes no incêndio (1970)
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Retirado de:

Irma. O Ciclone

Furacão Irma
furacao2017-09-06 (IPMA)
Às 09:00 UTC (10:00 hora de Lisboa) o furacão Irma localizava-se a 17,9°N e 62,6°W e deslocava-se para o oeste-noroeste a uma velocidade de cerca de 26 km/h, movimento que se deverá manter nos próximos dias.
O Irma é um furacão de categoria 5 na Escala de Vento Saffir-Simpson com uma pressão no centro estimada em 914 mb. É provável a ocorrência de variações na sua intensidade, mas prevê-se que se mantenha um furacão de categoria 4 ou 5 durante os próximos dias. De acordo com o mapa do National Hurricane Center, o Irma vai-se deslocar sobre as Ilhas Leeward, Ilhas Virgens e perto de Porto Rico.
Os ventos máximos previstos são da ordem dos 295 km/h com rajadas superiores.

Imagens associadas

  • Trajectória prevista para o Irma.
    Trajectória prevista para o Irma.

sábado, 2 de setembro de 2017

Sempre a aprender.

Especialistas reconstituem filme dos acontecimentos de tsunami de 1755

Alguns dos maiores especialistas mundiais no estudo geológico dos tsunamis juntam-se em Portugal para reconstituirem a história do que afetou a costa portuguesa em 1755, num trabalho detectivesco sobre o que aconteceu há séculos.

Especialistas reconstituem filme dos acontecimentos de tsunami de 1755
Notícias ao Minuto
Há 2 Horas por Lusa
País Investigação
O geólogo português Pedro Costa, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse à Lusa que com este estudo se consegue reconstituir até onde as ondas invadiram terra, quantas ondas se sucederam e que altura atingiram.
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É o primeiro simpósio internacional para estudar as evidências geológicas do tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755 e juntará de 03 a 07 de setembro estudiosos portugueses, norte-americanos e britânicos, que farão visitas de campo em Lisboa e no Algarve.
Em algumas partes do sistema costeiro ainda são visíveis os efeitos do tsunami e estudar os sedimentos permite perceber o período de retorno entre tsunamis, o que ajuda a estabelecer qual a sua periodicidade.
Os depósitos de sedimentos na costa portuguesa são dos mais complexos já estudados: há blocos de pedra do tamanho de carros que foram arrastados centenas de metros para terra, acabando por ficar vários metros acima da sua cota de origem, referiu.
Na areia também ficou gravado o "filme dos acontecimentos" do tsunami de 1755, revelado por técnicas como a tomografia axial computorizada (TAC), também usada para exames médicos, a que são sujeitas as amostras.
As areias de terra, arrastadas pelas marés que avançaram com o tsunami e depois retrocederam, permitem perceber até onde chegaram, contando "a história da vida de cada grão".
Pedro Costa referiu que o estudo deste tema deu um salto decisivo com o tsunami de 2004 no oceano Índico, que matou milhares de pessoas.
"Houve muito mais dinheiro, não para Portugal, e as técnicas avançaram muito, foi um salto qualitativo extraordinário", salientou.
A organização é da Universidade de Lisboa e do Instituto Dom Luiz, que esperam 75 investigadores de 18 países, com especialidades que vão da geologia à matemática e física, e ainda membros da proteção civil.