Oitenta organizações não governamentais (ONG), incluindo a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, juntaram-se ontem
para exigir à União Europeia a proibição total dos neonicotinoides para salvar as abelhas.

Estas 80 ONG uniram esforços e constituíram ontem  a Coligação para Salvar as Abelhas (Save the Bees Coalition).
A data não foi escolhida ao acaso. Este mês celebram-se quatro anos desde que a Comissão Europeia restringiu a utilização de três insecticidas à base de neocotinoides, altamente tóxicos para as abelhas: imidacloprid, clotianidina e tiametoxam. Mas estas 80 ONG alertam que estas restrições não chegam.
Nos dias 12 e 13 de Dezembro, a Comissão Europeia vai discutir uma proposta para estender a proibição deles três neonicotinoides em todas as culturas agrícolas ao ar livre, ficando de fora apenas a agricultura feita em estufas permanentes. Os Estados membros serão chamados a votar. O Reino Unido, Irlanda e França afirmaram recentemente que apoiam uma proibição mais severa mas outros Estados membros ainda não revelaram quais as suas intenções.
“Em 2013 havia provas suficientes para proibir totalmente os neonicotinoides”, disse Martin Dermine, especialista em polinizadores da Pesticide Action Network (PAN) Europe, fundada em 1982. “A sua toxicidade não é compatível com a produção sustentável de alimentos. A realidade mostra-nos que, apesar da informação divulgada pela indústria dos pesticidas, as restrições de 2013 não levaram a nenhuma redução na produtividade das culturas. Por isso não há qualquer finalidade em manter o seu uso e o colapso ambiental que geram.”
Em 1994, quando o imidacloprid foi autorizado para uso nos girassóis em França, os apicultores franceses notaram imediatamente os impactos negativos destes químicos na saúde das suas colmeias. O caso francês expandiu-se para a União Europeia e para o mundo inteiro com o uso dos neonicotinoides, produzidos pela Bayer e pela Syngenta.
Em Novembro do ano passado, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) confirmou que estas substâncias são altamente tóxicas para as abelhas melíferas, abelhões e abelhas solitárias. E que existem lacunas quanto à avaliação de riscos, especialmente para as espécies selvagens de abelhas.
A Coligação alerta que estes neonicotinoides afectam, na verdade, todo o mundo dos insectos, causando “declínios dramáticos”.
Reunindo ambientalistas, cientistas e apicultores, esta Coligação pede que todos os Estados membros votem a favor da proposta da Comissão Europeia para proibir estes neonicotinoides, incluindo nas estufas, e assim proteger as abelhas.
Além disso, a Coligação vai pedir que todos os pesticidas sejam testados pelo seu impacto nas abelhas, “para que todos os pesticidas nocivos a estes insectos sejam proibidos na União Europeia”.

Fontes de onde obtive estas informações:          WILDER
                                             Imagem:                    Internet
                                 Data dda notícia:                    6 -12 2017