terça-feira, 12 de abril de 2016

Os segredos de tudo.

" As casas e as coisas dentro dela começam muito bem, a funcionar lindamente. Quando se quer ligar um apetrecho, liga-se e ele põe-se logo a trabalhar.
   Depois passam uns anos. E, de repente, sem avisar, tudo se complica. Onde antes estava um botão, agora é preciso desligar da tomada, esperar 15 segundos e, mal se carrega no botão, sacudir vigorosamente e, mal começa a piscar, ligar e desligar cinco vezes seguidas o mais depressa possível. Assim - mas só assim -  funciona com perfeição. Que é como quem diz: tal e qual como dantes, quando era novo.
   Entra-se então num período em que cada maquineta, cada porta, cada fechadura tem um particular segredo. É o período de graças: achamos imensa graça aos chamados  " caprichos " da nossa casa. É a prova, convencemo-nos com optimismo alarve, que a casa tem personalidade.
   Este período de graças acaba com surpreendente rapidez. Passa-se então à fase permanente da irritação. O " jeitinho " para ligar o forno começa a requerer um grau de perícia artesanal e de paciência zen que nem sempre está disponível dentro das nossas almas. O " truque " para acender um candeeiro é igual ao que garante fundir a lâmpada de outro. E, com cada dia que passa, é cada vez mais difícil distingui-los.
   Fica-se finalmente com uma saudade furiosa das coisas quando eram novas e simples e fáceis de pôr a funcionar. É deprimente uma casa cheia de coisas que já não são novas e que ainda não se podem deitar fora. Ainda ... " 1

1. Texto da autoria de Miguel Esteves Cardoso.
In Jornal Público

terça-feira, 5 de abril de 2016

Google, os blogues e as novidades de Abril.

Novidades para o fim de Abril! 
 
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Ano: 2016

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A tela da Assembleia que eu ( e você ) ajudo a pagar.

Li que a ex - presidente da Assembleia da República Assunção Esteves encomendou um quadro com a sua imagem a uma estrangeira, freira devota, que vai cobrar pela obra 15 mil euros. O quadro será para figurar na Galeria dos Presidentes daquele órgão de soberania.

  A factura é para os mesmos de sempre nos quais eu me incluo sem ser consultado. Aliás terá a srª ex presidente  dado conta da actual situação que o país atravessa ?  Um dos motivos da nossa desgraça colectiva é, por  ex,  as reformas dadas a jovens com quarenta e poucos anos de idade e dez de serviço como é o caso desta ilustre portuguesa. Enfim... para estes casos não há limites mas para a saúde para as reformas ao fim de 30/ 40 anos de descontos e outros  direitos usurpados já a " pintura " é diferente.

 Por último lamento termos em Portugal tantos e bons retratistas na arte da tela e recorrer-se a uma estrangeira. Sem chauvinismos claro. Acho que a pintora é capaz de conseguir um milagre fazendo com que aquela galeria tenha outro encanto com uma figura feminina entre tantas, como dizer, personalidades.



MIGUEL A. LOPES/  LUSA
O retrato oficial de Assunção Esteves, ex-presidente da Assembleia da República, vai ser pintado por uma freira espanhola, Isabel Guerra, conhecida como “a freira pintora” ou “a pintora da luz”. O conselho de administração do Parlamento aprovou em dezembro a encomenda no valor de 15 mil euros.
Ao Observador, Assunção Esteves justificou a escolha pelo facto de ter ficado fã dos “quadros muito luminosos”. Mas confessa que não foi a primeira escolha. Primeiro, contactou Paula Rego e Júlio Pomar que não estavam disponíveis para mais uma encomenda.
Assunção Esteves conheceu o trabalho de Isabel Guerra através de um amigo que lhe enviou um e-mail com fotografias dos quadros na altura em que procurava um artista que lhe pintasse o retrato para a galeria de ex-presidentes da Assembleia, como é tradição. Mais tarde, encontrou-se com a freira em Madrid, no atelier que tem na sua casa de infância.

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A imagem acima é um esboço do quadro final, que foi feito por Isabel Guerra no início do ano e que já foi exposto em Madrid, numa exposição da pintora.
A ex-presidente do Parlamento desdramatiza o facto de não ser uma artista portuguesa. “Tenho uma visão transversal da arte e somos cidadãos da União Europeia”, explica, acrescentando que Portugal “não tem muitos retratistas”.
Quem é a freira pintora?
Isabel Guerra entrou para o mosteiro cisterciense de Santa Lucía, em Zaragoza, com 23 anos, refere o ABC. Enquanto freira vive em clausura, mas realiza a cada dois, três anos as suas exposições. O El Mundo, 2004, descreve-a como sendo uma “autodidata” cujos interesses na pintura e na religião se manifestaram logo na adolescência. Ao mesmo diário espanhol, Isabel Guerra confessou que quando começou a pintar era uma menina rebelde que rejeitava os mestres porque “queria fazer a sua própria escola e estudo”, e que não se arrepende disso.
Quando se dedicou à vida conventual, a “freira pintora” pensou que teria que deixar a parte da pintura para trás, mas conta que, assim que entrou para o mosteiro, as suas superiores lhe disseram que não teria de o fazer, que a pintura se “adequava perfeitamente” à vida no mosteiro. E, desde que se tornou freira, o seu estilo de pintura evoluiu. Se, até aí, as telas eram impressionistas, Isabel Guerra abraçou, depois, o expressionismo e, depois, focou-se no realismo.
Vive em clausura, o mundo de fora chega-lhe através dos media e das pessoas que se acercam para participar nas atividades religiosas. Mas a realidade não a encanta. Ao El Mundo, afirmou que é “um mundo em convulsão e violento” e tenta “lutar dando pista do contrário: luz e esperança”. “A pintora da luz”.
O retrato do Papa Francisco foi feito a pedido da Conferência Episcopal Espanhola e como tributo ao Sumo Pontífice, e a entrega está prevista para maço deste ano, disse o ABC. Isabel Guerra fez, anteriormente, retratos dos presidentes do episcopado. O mesmo diário refere que Isabel Guerra está, agora, na fase do hiper-realismo na pintura, desenho e fotografia.
O ano passado, Guerra voltou a expor em Madrid, cidade onde já não o fazia há 10 anos, recordou o ABC. Foi na capital espanhola que fez a sua primeira exposição, com 15 anos, em 1963. E é em Madrid que estão as suas raízes. Foi lá que nasceu, em 1947. Filha única, Isabel Guerra contou ao El Mundo que foi “terrível”, sobretudo para a mãe, quando decidiu ingressar na vida de clausura. Mesmo assim, “evoluíram” na forma de ver a sua reclusão e, no final das suas vidas diziam que a filha estava “onde melhor podia estar”.