O maior épico e o maior sonetista de todas as Hespanhas. A bravura d,um Hespanhol e a arte d,um italiano. Barbiruivo, peito de athleta, coração de pomba. O « Trinca-Fortes » da Praça de Samsão. Sangue gallego dos mais nobres e espada de ferro das mais temidas. Sobre uma golla enrocada, uma orbita vasia. Criminoso e poeta, naufrago e heroe.Brazão d,armas: « em campo verde, uma serpente d,oiro entre penhas de prata ». ( 1 )
( 1 ) Illustração Portugueza
II Volume - 3 de Setembro de 1906
Amor é fogo que arde sem se ver;
E ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
E um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É julgar que se ganha em se perder;
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
E ter com quem nos mata lealdade;
Mas como causar pode o seu favor;
Nos mortais corações conformidade,
Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?
Luís de Camões
