O blogue do Zé Pinto Lopes pelos seus caminhos d'Aquem e d'Além Serra.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
A tela da Assembleia que eu ( e você ) ajudo a pagar.
Li que a ex - presidente da Assembleia da República Assunção Esteves encomendou um quadro com a sua imagem a uma estrangeira, freira devota, que vai cobrar pela obra 15 mil euros. O quadro será para figurar na Galeria dos Presidentes daquele órgão de soberania.
A factura é para os mesmos de sempre nos quais eu me incluo sem ser consultado. Aliás terá a srª ex presidente dado conta da actual situação que o país atravessa ? Um dos motivos da nossa desgraça colectiva é, por ex, as reformas dadas a jovens com quarenta e poucos anos de idade e dez de serviço como é o caso desta ilustre portuguesa. Enfim... para estes casos não há limites mas para a saúde para as reformas ao fim de 30/ 40 anos de descontos e outros direitos usurpados já a " pintura " é diferente.
Por último lamento termos em Portugal tantos e bons retratistas na arte da tela e recorrer-se a uma estrangeira. Sem chauvinismos claro. Acho que a pintora é capaz de conseguir um milagre fazendo com que aquela galeria tenha outro encanto com uma figura feminina entre tantas, como dizer, personalidades.
MIGUEL A. LOPES/ LUSA
O retrato oficial de Assunção Esteves,
ex-presidente da Assembleia da República, vai ser pintado por uma freira
espanhola, Isabel Guerra, conhecida como “a freira pintora” ou “a
pintora da luz”. O conselho de administração do Parlamento aprovou em
dezembro a encomenda no valor de 15 mil euros.
Ao
Observador, Assunção Esteves justificou a escolha pelo facto de ter
ficado fã dos “quadros muito luminosos”. Mas confessa que não foi a
primeira escolha. Primeiro, contactou Paula Rego e Júlio Pomar que não
estavam disponíveis para mais uma encomenda.
Assunção Esteves conheceu o trabalho de Isabel Guerra através de um
amigo que lhe enviou um e-mail com fotografias dos quadros na altura em
que procurava um artista que lhe pintasse o retrato para a galeria de
ex-presidentes da Assembleia, como é tradição. Mais tarde, encontrou-se
com a freira em Madrid, no atelier que tem na sua casa de infância.
A
imagem acima é um esboço do quadro final, que foi feito por Isabel
Guerra no início do ano e que já foi exposto em Madrid, numa exposição
da pintora.
A ex-presidente do Parlamento desdramatiza o facto de não ser
uma artista portuguesa. “Tenho uma visão transversal da arte e somos
cidadãos da União Europeia”, explica, acrescentando que Portugal “não
tem muitos retratistas”.
Quem é a freira pintora?
Isabel Guerra entrou para o mosteiro cisterciense de Santa Lucía, em Zaragoza, com 23 anos, refere o ABC. Enquanto freira vive em clausura, mas realiza a cada dois, três anos as suas exposições. O El Mundo, 2004, descreve-a
como sendo uma “autodidata” cujos interesses na pintura e na religião
se manifestaram logo na adolescência. Ao mesmo diário espanhol, Isabel
Guerra confessou que quando começou a pintar era uma menina rebelde que
rejeitava os mestres porque “queria fazer a sua própria escola e
estudo”, e que não se arrepende disso.
Quando se dedicou à vida
conventual, a “freira pintora” pensou que teria que deixar a parte da
pintura para trás, mas conta que, assim que entrou para o mosteiro, as
suas superiores lhe disseram que não teria de o fazer, que a pintura se
“adequava perfeitamente” à vida no mosteiro. E, desde que se tornou
freira, o seu estilo de pintura evoluiu. Se, até aí, as telas eram
impressionistas, Isabel Guerra abraçou, depois, o expressionismo e,
depois, focou-se no realismo.
Vive em clausura, o mundo de fora
chega-lhe através dos media e das pessoas que se acercam para participar
nas atividades religiosas. Mas a realidade não a encanta. Ao El Mundo,
afirmou que é “um mundo em convulsão e violento” e tenta “lutar dando
pista do contrário: luz e esperança”. “A pintora da luz”.
O retrato do Papa Francisco foi feito a pedido da Conferência
Episcopal Espanhola e como tributo ao Sumo Pontífice, e a entrega está
prevista para maço deste ano, disse o ABC. Isabel Guerra fez,
anteriormente, retratos dos presidentes do episcopado. O mesmo diário
refere que Isabel Guerra está, agora, na fase do hiper-realismo na
pintura, desenho e fotografia.
O ano passado, Guerra voltou a
expor em Madrid, cidade onde já não o fazia há 10 anos, recordou o ABC.
Foi na capital espanhola que fez a sua primeira exposição, com 15 anos,
em 1963. E é em Madrid que estão as suas raízes. Foi lá que nasceu, em
1947. Filha única, Isabel Guerra contou ao El Mundo que foi “terrível”,
sobretudo para a mãe, quando decidiu ingressar na vida de clausura.
Mesmo assim, “evoluíram” na forma de ver a sua reclusão e, no final das
suas vidas diziam que a filha estava “onde melhor podia estar”.