sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Cheias. 1967.

Cheias 1967
imagem do DN online 2016-11-24 (IPMA)
Na noite de 25 e madrugada de 26 de Novembro de 1967, há 49 anos, uma grande tempestade assolou o país. Na região da Grande Lisboa, mais de 500 pessoas perderam a vida, perto de 900 foram desalojadas e verificou-se um sem número de danos em infraestruturas, nomeadamente pontes, estradas e edifícios de diversa natureza.
A passagem de um sistema de baixa pressão sobre a região caraterizado por uma forte convecção e forte instabilidade, associada a uma atmosfera rica em vapor de água, traduziu-se num evento extremo cuja quantidade de precipitação registada num período de 4 a 9 horas foi compatível com um período de retorno superior a 100 anos.
A precipitação total ocorrida foi observada essencialmente num período de 5 horas, o que em algumas estações correspondia ao seu valor médio mensal.
A estação de São Julião do Tojal em 5 horas registou 110,6 mm (entre as 19 e as 24h), tendo tido um pico de 30 mm entre as 22 e as 23h da noite de 25 de novembro. Nessa noite, entre as 21 e as 22h, foram registados 42 mm em Sassoeiros, 60 mm no Monte Estoril e 33 mm em Sintra/Pena.
A elevada quantidade de precipitação originou este evento de cheias rápidas (as chamadas flash floods), no entanto o que o tornou num dos mais mortíferos em Portugal, foi principalmente a construção inadequada em leitos de cheia e a coincidência com a hora de pico da maré alta.
A maior parte das vítimas, residente ao longo de bacias de pequenos rios e ribeiras da região, muitas em habitações precárias e clandestinas, foi apanhada durante o sono, o que se traduziu num aumento substancial de mortos e desalojados.
Este evento corresponde ao segundo mais intenso de precipitação em 24h para a área da grande Lisboa entre 1950 e 2008, com uma média de precipitação de 86 mm. O evento mais intenso de precipitação na mesma área ocorreu em 1983 com média de precipitação de 95 mm, porém com impacto consideravelmente menor.

Nota: notícia elaborada com base no artigo: “The deadliest storm of the 20th century striking Portugal: Flood impacts and atmospheric circulation”, publicado no Journal of Hydrology, de Ricardo M. Trigo et all.; e na publicação “Contribuição para o estudo da cheia da região de Lisboa em 25-26 de Novembro de 1967” do Serviço Meteorológico Nacional de Silvério F. Godinho.

Era eu um garoto porém,hoje, ainda me recordo deste dia.