segunda-feira, 9 de março de 2015

Conhece alguém assim ! ?

Da nota introdutória de Raúl Rêgo:
«[...] este código inquisitorial que, em muito breve, completará dois séculos. Não chegou a vigorar cinquenta anos. Ideias mais largas e generosas vindas dessa Europa em ebulição lavaram entretanto os ares da nossa terra, não sem dificuldades, emperramentos e sangue. É que o reaccionário português, falho de altura mental e de generosidade, intolerante até a medula, conhece apenas um meio de apostolado: o cacete. E é absolutamente incapaz de admitir que outros pensem de forma diferente da sua. É-lhe intolerável a ideia do progresso e nada é bom se não vier dos pais e avós. Ideias só as expressas na cartilha e quanto mais arrevezada for a ortografia melhor.
O Santo Ofício seria abolido pelas Constituintes liberais, já depois de soldados franceses terem talado o país e de a família real ter fugido para o Brasil. A própria Inquisição fora saqueada e o Inquisidor-geral desterrado para Bayonne. Mas depois da abolição quanta trabalheira ainda para convencer as gentes que a liberdade de ideias, de expressão, de culto, a tolerância, são virtudes essenciais a uma sociedade culta, bem organizada e progressiva! [...]»

Recorri a este excerto do livro " O Último Regimento da Inquisição Portuguesa "  porque, pareceu-me oportuno, considerando o que por vezes encontro nas chamadas redes sociais em que diferentes pontos de vista são considerados intoleráveis. Exemplifico com um " caso " passado comigo no qual que defendi como heterónimo de Cascais a palavra cascalense, e, o meu opositor, defendia cascaense. Ambas as grafias em meu modesto  entender e de alguns, esses sim ilustres  académicos,  estão correctas. Tanto bastou para que fosse apodado de desconhecedor das tradições, dos costumes e muito mais desta minha terra de sempre. Chegado a este patamar nada mais resta que pedir desculpas pelo incómodo, desejar muitas felicidades a tão ilustre senhor e dar por encerrado o debate. Foi o que fiz.