quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Protectorado.

 Sete interrogações e algumas afirmações contidas no texto que abaixo vos ofereço , deixaram-me pensativo acerca deste assunto dos protectorados em que Portugal neste momento é apenas mais um deles. Com inicio em meados dos anos setenta ou oitenta do século, passado esta triste história faz lembrar aqueles casos em que os filhos esbanjam tudo aquilo que lhes foi deixado em herança por seus pais ou familiares. Só que, no presente caso, o resultado disto tudo é que, e como quase sempre, quem fica mal são  aqueles que os serviram e neles acreditaram ou seja o povo a que pertenço. Sob a última afirmação, a qual sublinho, contida no texto que transcrevo abaixo permito-me no presente momento ter as minhas sérias dúvidas. Ainda que " não pareça ser muito inteligente " . Admito-o sem reservas !

                                                  PROTECTORADO

 À esquerda e à direita, anda por aí muita gente indignada por causa do protectorado de que Portugal sofreu e, segundo alguns patriotas sem mancha nem tumor, continua a sofrer. Isto deixa um indivíduo de boca aberta por duas razões.
   Primeiro, porque de maneira geral foram esses mesmos patriotas que levaram Portugal ao protectorado de Bruxelas. Depois, pela total ignorância da história deste pobre país desde pelo menos o fim do século XVIII. Toda a gente se esqueceu que em 1807 a Inglaterra meteu D. João VI num barco e o despachou para o Brasil ? Ou que Junot acabou corrido por um corpo expedicionário inglês ? Ou que o embaixador de S.M. Britânica tinha assento de jure no Conselho de Regência que ostensivamente governava o Reino ?
   E ninguém se lembra que, na guerra contra os franceses ( que durou até 1814 ), o general Beresford comandava o Exército português com a ajuda de uma dezena de oficiais que trouxera de Inglaterra e que o nosso Tesouro pagava ? E também ainda não é claro para a cabecinha nacional que o triunfo do liberalismo em 1834 não passou de uma conveniência da Inglaterra, que ela, de resto, financiou e forçou as potências conservadoras, como por exemplo a Áustria, a engolir ? E o progressismo indígena também se esqueceu que a guerra da " Patuleia " se resolveu com a intervenção da esquadra inglesa  ( ao largo do Porto e em Setúbal ), por uma invasão de um exército espanhol assalariado por Londres e por um " protocolo " de Palmerston, que determinava quem podia, ou não podia, entrar no Governo ?
   E a seguir desapareceu o protectorado ? De maneira nenhuma. A Inglaterra e, com a autorização dela, A França continuaram a sustentar a maravilhosa paz da Regeneração; e a promover ou a liquidar ministérios de acordo com o grau da sua subserviência e a mandar nos territórios de África de que Portugal, na sua ingenuidade se julgava dono. E finalmente em 1892 - 1893, não hesitaram em suspender os víveres de que a nossa miséria humildemente se alimentava. Os patriotas que hoje se
arrepiam com o protectorado dos credores deviam pensar que o único período em que não houve protectorado algum em Portugal foi durante a Ditadura de Salazar, cujos benefícios não se distinguiram na história da Europa. Mas voltar a 1928 não parece uma política muito inteligente. " *

Texto de Vasco Pulido Valente
 Jornal " Publico " nº 9287.

E...uma anedota 
Pai....quem foi Salazar?
 
- Foi um Senhor que pôs correntes ao povo português durante 40 anos.
 
- Ó Pai.... e o Mário Soares, quem é?
 
- Esse, meu filho, foi o homem que tirou as correntes ao povo português.
 
- Ó Pai....e o que são as correntes?
 
- Era aquela coisa de ouro que o teu avô trazia e usava no colete para segurar o relógio!......