quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Não sei o que tenho, mas me fatigo e mudo.

Não há nada no Mundo que nos rodeia, que fique perfeitamente imóvel. Em cada segundo, o nosso universo inteiro se modifica e nós estamos incluídos no Universo.

O tempo escoa-se e ninguém pode deter o seu decorrer constante. Viver, envelhecer, é ainda, e principalmente, mudar. Assemelhamo-nos ao viajante, ao longo de uma estrada. À nossa volta, à medida que caminha-mos, a paisagem transforma-se. Passamos da montanha à planície; impressionamo-nos pelas mudanças que nos são exteriores e, sem as ver, sentimos confusamente, aquelas que nos são próprias. Desejaria-mos parar, ficar imóveis, contemplar o mundo, olhá-lo uma vez, duas vezes, três vezes; voltarmo-nos à direita e à esquerda, rever ainda o que amamos. Não o podemos fazer. Somos arrastados, sempre, um pouco mais longe. Estamos, indissolúvelmente, ligados ao tempo que passa.

  Contudo, no começo da nossa vida, esta noção do tempo é-nos totalmente estranha. Quanto mais a criança  deseja a renovação duma experiência, mais o seu sentimento da duração e do futuro se desenvolve. Assim se forma muito lentamente a noção do tempo com as três atitudes que isso acarreta; viver as impressões imediatas do presente, fazer apelo à memória a fim de se voltar para o passado, ou evocar as novas possibilidades do futuro.



 Musset apenas aos vinte e oito anos de idade, já esgotado por uma existência intensamente vivida, escrevia o seguinte;
                           
                       *   " Não sei o que tenho, mas me fatigo e mudo "

                                 " J' ai perdu ma force et ma vie
                                   Et mes amis e ma gaîté
                                   J'ai perdu jusqu'à la fierté
                                   Qui faisait croire à mon génie  ( 1 ) "

( 1 ). Perdi a minha força e a minha vida / E os meus amigos e a minha alegria / Perdi até o orgulho / Que fazia crer no meu génio.



* Alfred de Musset



  • Alfred Louis Charles de Musset foi um poeta, novelista e dramaturgo francês do século XIX, um dos expoentes mais conhecidos do período literário conhecido como o Romantismo. Wikipédia







  • Nascimento: 11 de dezembro de 1810, Paris, França



  • Falecimento: 2 de maio de 1857, Paris, França

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