Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto
E outras muitas ansioso espreito e sigo
É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto
Mil vezes abro a boca... e nada disse
Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és ( lhe perguntei com grande abalo )
Fantasma a quem odeio e a quem estranho
Teus irmãos ( respondeu ) os vãos humanos,
Chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo...*
Antero De Quental
" Sonetos Completos "
Antero de Quental entende ser o nosso subconsciente. Nietzsche em " A teoria da Retórica " parece seguir igual caminho quando imagina um diálogo entre dois seres.O Filósofo e o Poeta. Dois e um só. Eu, por meu lado, limito-me a seguir os tempos e correntes contemporâneas em que olhamos ao redor e pouco ou nada de novo vemos.
Assim prossigo olhando para mim mesmo e tentando ver bem no fundo o que há.
O que me deixa espaço para sonhar!
Que bom.