quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Deus que habita em nós.


           O espectro familiar que anda comigo,
           Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
          Que umas vezes encaro com desgosto
          E outras muitas ansioso espreito e sigo
          É um espectro mudo, grave, antigo,
          Que parece a conversas mal disposto...
          Ante esse vulto, ascético e composto
          Mil vezes abro a boca... e nada disse 
          Só uma vez ousei interrogá-lo:
          Quem és ( lhe perguntei com grande abalo )
          Fantasma a quem odeio e a quem estranho
         Teus irmãos ( respondeu ) os vãos humanos,
         Chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
         Mas eu por mim não sei como me chamo...*

                  Antero De Quental
      "  Sonetos Completos "


Antero de Quental entende ser o nosso subconsciente. Nietzsche em " A teoria da Retórica " parece seguir igual caminho quando imagina um diálogo entre dois seres.O Filósofo e o Poeta. Dois e um só. Eu, por meu lado, limito-me a seguir os tempos e correntes contemporâneas em que olhamos ao redor e pouco ou nada  de novo vemos.
   Assim prossigo olhando para mim mesmo e tentando ver bem no fundo o que há.
   O que me deixa espaço para sonhar! 
   Que bom.