sábado, 5 de abril de 2014

Malaysia Airlines.

  Um pouco de todos nós no que à alma se refere,  viajava nesse malogrado avião. Mal consigo imaginar a angústia daqueles que, nessa noite de mistério, ocupavam a majestosa e bela aeronave quando se aperceberam de que algo anormal ocorria ou estava prestes a ocorrer isto partindo do pressuposto que tiveram algum aviso prévio. Tantas e tantas teorias conspírativas temos lido e ouvido mas, até hoje, nem uma delas foi possível confirmar e, num ou noutro caso, ainda bem por demasiado cruéis na sua essência. 


 Anexo informação que obtive na Wikipédia

Boeing 777-219ER da Air New Zealand
Tipo Avião comercial
Fabricante Estados Unidos Boeing
Primeiro voo 12 de junho de 1994 (19 anos)
Capacidade até 368 passageiros
Custo unitário -200: US$178-195 milhões1 -200ER: US$190-213 milhões
-200LR: US$219-243 milhões
-300: US$210-234 milhões
-300ER: US$237-264 milhões
777F: US$232,5-240 milhões
Comprimento 63,7 - 73,9 metros
Envergadura 60,9 - 64,8 metros
Altura 18,5 metros
Altitude máxima 13.135 metros
Peso máx. decolagem 247.210 - 351.534 kgf

 O Boeing 777 é um avião widebody de longo alcance, projetado e fabricado pela companhia norte-americana Boeing. É o maior avião bi-jato do mundo, com o motor mais potente já produzido. Pode transportar entre 283 e 368 passageiros na configuração de três classes, por até 17.000 km, ligando as principais capitais sem escala. As principais características visuais do Boeing 777, que o diferem dos demais aviões, são o diâmetro de seus motores turbofan (são os maiores do mundo), seu trem de pouso com seis pneus cada (total de 14, somados os dois do trem de pouso do nariz), e sua fuselagem tipicamente circular e comprida.2 . O 777-200LR, apresentado no "Paris Air Show" de 2005, é o avião comercial com maior alcance, apenas atras do KC-10 Extender, avião tanque da Forca Aerea Americana. Em março de 2012, a Emirates recebeu o 1.000º 777. A Emirates é a única companhia no mundo que opera as seis versões do modelo, sendo cinco comercias (777-200, -200ER, -200LR, -300 e -300ER) e o 777F (Freighter), a versão cargueira, sendo um 777-200LR adaptado para carga mas com alcance reduzido.

Este avião (também chamado de Triple Seven pelos americanos) foi desenhado para ter uma capacidade de carga e passageiros intermediária entre o Boeing 767 e Boeing 747. O modelo original produzido foi o 777-200, que entrou em serviço em 1995, seguido do modelo 777-300, com mais 10,1 metros de comprimento, entrando em serviço em 1998. As versões longer-range (LR) e extended-range (ER), com maiores alcances em voo, entraram em serviço em 2004 (ER) e 2006 (LR). A versão freighter (777F) voou pela primeira vez em 2008. Os modelos ER, LR e 777F funcionam com motores General Electric GE90 e winglets (3,9 metros). O modelo 777-200LR é o detentor atual do recorde de maior distância percorrida sem escalas (21.601 km entre Hong Kong e Londres, via EUA).3 4
A primeira empresa a utilizar o Boeing 777 foi a United Airlines..5 A partir de 2008 a Singapore Airlines passou a operar a maior frota do avião em todo mundo.6 O modelo mais utilizado atualmente é o 777-200ER, com 410 unidades entregues até 31 de maio de 2009.7 No total, 56 companhias encomendaram 1.107 aviões, e 784 já foram entregues.8 O simbólico setingentésimo septuagésimo sétimo avião a ser produzido (777º) foi vendido à companhia Air France.
Durante a década de 2000, o 777 permaneceu como um dos aviões mais vendidos da Boeing. Devido aos crescentes custos com combustíveis nesse período, as empresas aéreas optaram pelo 777 como uma alternativa muito eficiente frente aos outros aviões widebody. Seus motores são 40% mais potentes e consomem 22% menos combustível que o B767. Por isso está sendo largamente usado nas rotas longas, transoceânicas e transcontinentais. O Boeing 777 compete por mercado diretamente com o Airbus A330-300, Airbus A340, e futuramente com o Airbus A350 XWB

Busca do avião da Malaysia Airlines continua quatro semanas após desaparecimento

Publicado hoje às 10:39 pela T.S.F.


As equipas de resgate intensificaram hoje no Oceano Índico a busca do avião da Malaysia Airlines, quando se cumprem quatro semanas desde o seu desaparecimento, antes que se esgotem as baterias da caixa negra.

Na operação de hoje participam dez aviões militares, três aviões civis e 11 navios, informou o Centro de Coordenação de Agências Conjuntas, criado pela Austrália para esta missão, segundo comunicado.
Entre os navios está o Ocean Shield, da marinha australiana, que leva um localizador de caixas negras fornecido pelos Estados Unidos, e o britânico Echo de investigação oceanográfica.
Ambos os navios começaram na sexta-feira as buscas submarinas numa área de 240 quilómetros para tentar localizar a caixa negra, numa corrida contrarrelógio porque a bateria dos transmissores, de um mês de duração, está a poucos dias de esgotar-se.
A busca centra-se em três pontos dentro da zona delimitada pelas autoridades australianas de cerca de 217.000 quilómetros quadrados, situada a 1.700 quilómetros a noroeste da cidade australiana de Perth, a partir da qual é coordenada a operação.
O avião descolou de Kuala Lumpur com 239 pessoas a bordo com destino a Pequim na madrugada de 08 de março e desapareceu dos radares civis da Malásia cerca de 40 minutos depois da descolagem.
A resposta à crise por parte da Malásia tem sido amplamente criticada, particularmente pelos familiares dos 153 passageiros chineses que seguiam no voo MH370.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Paleografia


Acho interessante o que refere Millares Carlos no seu livro « PALEOGRAFIA ESPANOLA », em que diz-nos ;

"« ...A letra e as abreviaturas dos documentos devem ser estudadas como formas vivas de uma língua, desde a sua origem até à sua transformação e desaparecimento. Um sinal gráfico mal interpretado, uma abreviatura incorrectamente transcrita ou omitida numa cópia, podem sugerir ao paleógrafo a averiguação do lugar em que foi elaborado o documento, a escola a que pertence, o tipo de letra própria da época do documento, as influências de um tipo de letra sobre outros, e até conjecturar o documento original ».













Como se constata é de importância capital proceder-mos, com o máximo rigor, quando escrevemos o que quer que seja em formato manual, digamos. Hoje, com os meios de que dispomos, raro é o " escriba " que não utiliza o formato digital, mas, não deixa por isso de ser importante reflectir na escrita manual caso nos surja uma necessidade que nos leve a optar por esta via. 


Imagens: José P.L.
              Mega Arquivo.                                                                                 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Roma.

Da cidade de ROMA

Roma a senhora do mundo, a capital das nações, como lhe chamam os escritores latinos, teve por fundadores Rómulo e Remo, no 1º ano da 7ª Olimpiada, do mundo 3251, e 753 antes de Jesus Cristo. Mesquinha em seus princípios, desajudada de auxilios externos, invejada e temida  dos povos que a circundavam, viveu por algum tempo dos seus próprios recursos, e sustentou a independência pela dedicação e valor de seus filhos.
   Aprendendo dos mesmos povos vencidos a disciplina militar, e aproveitando a civilização pelasgica, etrusca e helenica, até onde lhe foram necessários esses meios para se constituir, deveu na máxima parte o seu poder a uma bem ordenada administração, excelentes leis e costumes, em que se avantajou a todas as cidades do seu tempo.
Três eram os pilares em que assentavam a prosperidade e conservação do Povo. E são eles;
 1º O culto religioso, observado com pureza e inviolabilidade sendo, como sabemos, politeistas, respeitando tudo e todos com respeito a seus cultos, absorvendo-os se necessário.
 2º A administração da Justiça, distribuida com igualdade a todos. 


Amor e Roma

   O Amor não começa nem termina em si mesmo, pois, se começasse e terminasse em si mesmo não seria Amor. O Amor é acto infinito, amar e receber, dom gratuito perfeito, tal como os latinos o inteligiam na forma verbal enfática de amo.  Receber em troca do que se dá, amor com amor se paga. O que afirma  amo implicitamente explica; sou amado. Sai fora da órbita vital, imanente ou transcendente, um amar que não institua no mesmo o amador e o amado, como se pudéssemos dizer: amor é amar. Dom e retribuição.
Uma graça sem amor  seria, é, a desgraça.
Roma carecia de uma visão superadora do obrigacionismo social estatuído em complexa rede jurídica. A relação cliente / patrício é o mundo possível da Graça possivel. Os deuses gratificam só para os altos feitos; e os feitos são de César e dos Patrícios. Os clientes, eleitores e servos, recebem a graça dos deuses por via desses intermediários; a comunhão universal é impossivel fora da lei romana. O Espírito ainda não sopra senão no reino de César, atravéz do Império. O Espírito é o sopro do Império.


                                                                


terça-feira, 1 de abril de 2014

Divindades romanas.


São, como tenho referido neste meu blogue inumeráveis os deuses a que os romanos rendiam culto, e na escolha deles adoptaram, pela maior parte, os que foram consagrados pela superstição e fanatismo dos antigos homens. Cada cidade, lugar, casa e até fonte tinha suas divindades peculiares; os elementos, as virtudes, vícios, ciências, artes e tudo que na natureza, e na vida moral e material do homem era objecto de admiração, reconhecimento, terror e necessidade, se traduzia em culto, e se lhe apropriavam imagens; que, ou simbolicamente para uns, ou de crença arreigada para outros, vieram a merecer a adoração dos povos politeístas.
   Pela fundação de Roma, preveniu-se que não fossem admitidos sacrifícios a divindades estrangeiras; mas no decurso do tempo vieram a adoptar-se as práticas religiosas dos Gregos, Frigios, Egípcios e outras Nações: e muito contribuiu para a multiplicidade dos cultos o fanatismo, ou antes a politica do segundo rei de Roma, Numa Pompilio, que se auxiliou da religião para melhor realizar os seus planos de governo e administração.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mundo Lusófono

Crioulos europeus famosos 



“Aos negros ... é permitido casar não apenas entre eles, mas também com gente de outra cor. Esses cruzamentos tornaram o país repleto dos mais diferentes exemplares de mostrengos humanos. Um branco e um negro geram um mulato. O mulato une-se então a um negro ou a um branco, e com isso formam mais duas variantes chamadas mestiços. Esses mestiços de branco então unem-se a mestiços de negros ou brancos, ou mulatos; e assim, são tantos os ramos em que se desdobram com tais cruzamentos, que se torna difícil distingui-los com designações exactas, embora sejam facilmente identificáveis no geral pelos seus tons de pele.”
A descrição não corresponde a nenhuma ilha de Cabo Verde ou outro território crioulo colonizado no pós-Descobrimentos, mas sim ao Portugal de setecentos e foi retirada da obra do Reverendo inglês Dr. John Trusler datada de 1747, onde ele condensou depoimentos de vários viajantes estrangeiros.
O autor continua: “a raça portuguesa de origem foi por tal forma degradada que ser um Blanco, isto é um branco de verdade, tornou-se título honorífico: e assim, quando um português diz que é Blanco, não quer dizer que a sua pele o seja, mas apenas que se trata de uma pessoa de família de certa importância”. Afinal de contas, a expressão cabo-verdiana djam brancu dja (já me tornei branco, porque já tenho posses) tem antepassados longínquos na ex-Metrópole!
Era assim em toda a Península Ibérica como descreve outro viajante inglês, Richard Twiss, que depois de passar por Lisboa em 1772/73, cidade onde segundo ele “um quinto dos seus habitantes era composta de pretos, mulatos e de várias nuances entre o branco e o preto”, copiou em Málaga, Espanha, dezasseis legendas de painés que mostravam diferentes tipos de mestiços: mulato, cruzamento de branco espanhol com negro; morisco, espanhol com mulata; alvino, morisco com espanhol; lobo, negro com índio; sambaigo, lobo com índio; cambujo, sambaigo com mulato; albarassado, cambujo com mulato; barzino, albarassado com mulato; negro de cabelo liso, barzino com mulato. Convenhamos que em termos de denominação das “novas” castas crioulas, os espanhóis conseguiram ser mais sofisticados que os portugueses...
Estas notas retiradas do livro “Os Negros em Portugal – uma presença silenciosa” do brasileiro José Ramos Tinhorão dão que pensar em relação à origem da conhecida expressão de que “a África começa nos Pirinéus”...muito utilizada por outros povos europeus para designar de forma depreciativa os povos ibéricos.
A criação do mulato e o poço dos negros
A criação do mulato pelos portugueses é um fetiche que o lado macho da sociedade lusitana gosta de entreter, numa exaltação fálica e masculina, esquecendo-se que muitos mulatos eram filhos de mulheres brancas e homens negros, situação normalmente não mencionada. A própria palavra mulato deriva do termo mula, ou seja um híbrido entre cavalo e jumenta ou égua e burro. Outras fontes acham que deriva da palavra árabe “mwallad” que significa a mistura de árabes com não-árabes, quaisquer das origens igualmente pejorativas.
O poço dos negros contruído em 1551 em Lisboa pelo Rei D. Manuel – era o buraco “o mais fundo que pudesse ser, no lugar que fosse mais convinhável e de menos imconvinyente, no qual sellãçassem os dito escrauos” e onde se devia jogar regularmente cal virgem, “pera se milhor se gastarem os corpos...”. As manchas negras da sociedade deveriam ser apagadas e escondidas da História com cal branca, nada mais simbólico!
Uma coisa é exaltar os mulatos feitos além-mar, outra coisa bem diferente é reconhecer essa mesma “mulatagem” dentro de portas.
Mestiços famosos: Padre António Vieira, Marquês de Pombal, Almada Negreiros e CR7
Padre António Vieira – homem de inteligência invulgar, politico e diplomata, considerado um sábio na corte portuguesa e famoso pelos seus sermões, era um mestiço de pele morena que nasceu em 1608 em Portugal, morou em Salvador da Bahia, Brasil a partir dos 6 anos, e escreveu o seu primeiro livro aos 16 anos. Foi considerado o mais importante escritor da Literatura Barroca portuguesa. Há referências de que a sua ascendência mestiça tem origem em Cabo Verde. Passou algumas vezes por Cabo Verde, pregou na Cidade Velha e terá recomendado ao Rei de Portugal que abrisse uma escola para os habitantes da colónia que mostravam uma inteligência fora do vulgar, que viria a ser a primeira escola missionária feita pelos portugueses em África. Tratava carinhosamente os caboverdeanos por “conterrâneos” e “povo gentil”, sendo famosa a sua citação de que na Cidade Velha encontrou clérigos e cónegos locais dotados de uma sabedoria que fariam inveja aos melhores do Reino. 
Marquês de Pombal -  famoso ministro que governou Portugal durante 27 anos, responsável pela reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, pela extinção da Inquisição e pela lei de 19 de Setembro de 1761, que põe fim a trezentos e vinte anos de importação de mão-de-obra escrava para Portugal. Uma outra lei pombalina de 1773, conhecida como ”Lei do Ventre Livre”, estipulava “que aqueles cuja escravatura remonta à sua bisavó sejam libertos e emancipados, mesmo que as mães e avós tenham sido escravas”. Nessa altura a psicose com a mestiçagem é tão grande em Portugal, que são exigidos certificados de pureza genealógica a cada candidato à participação na gestão pública (Loude, Lisboa na Cidade Negra). Ironia do destino (ou não), Pombal tinha uma bisavó negra, escrava-amante do seu bisavô que era padre.
José Almada Negreiros - brilhante artista multidisciplinar, poeta e pintor futurista, nasceu em São Tomé e Príncipe em 1893, filho de uma abastada mestiça sãotomense e de um tenente de cavalaria português, administrador do Concelho de São Tomé. Um homem admirado pela sociedade portuguesa, cuja carapinha não escondia as suas origens.
Cristiano Ronaldo - nascido em 1985 na ilha da Madeira, actualmente o melhor jogador de futebol do mundo. O que CR7 veste, come, diz (ou não diz) é seguido e imitado por milhões. As suas putativas costelas cabo-verdianas têm gerado muita polémica. Segundo várias fontes, incluindo a irmã mais velha, a bisavó materna de CR7 é uma cabo-verdiana que terá ido trabalhar para a Madeira e por lá ficou, casou e deixou descendência à semelhança de outros milhares ou milhões de africanos. So what?! Para a ilha da Madeira foram levados escravos para as plantações de cana de açúcar, desde guanches das ilhas Canárias, até mouros e negros africanos. Por essa via, existe uma grande probabilidade de CR7 ter outras costelas africanas mais remotas, à semelhança de qualquer madeirense, açoriano, algarvio, etc. E convenhamos que não poderemos censurar quem afirme que a potência atlética, velocidade, altura e compleição física de CR7 são muito pouco lusitanas e muito mais típicas de atletas africanos. Certamente não poderemos também censurar quem afirme que Eusébio foi o que foi por ser um mulato filho de pai branco e mãe negra! Há também quem sustente que a mistura apura, correndo o risco da teoria ser também apelidada de racista.... CR7 será apenas mais um entre a mais que provável esmagadora maioria dos portugueses, que para além de terem ascendência de godos, visigodos, celtas, lusitanos, também possuem sangue de mouros azenegues e negros das mais diversas etnias
Porquê mouros e não negros?
É comum em Portugal chamar “mouros” aos habitantes do sul do país, recordando a ocupação moura do país entre os anos de 711 e 1492.  Sabe-se que houve uma grande miscegenação nessa altura entre os habitantes da península ibérica e os mouros invasores, que por vez já eram resultado de misturas raciais entre povos berberes, árabes e negros subsarianos.
E a intensa miscigenação entre portugueses (já com sangue mouro) e os negros que foram trazidos aos milhares entre os séculos XV e XIX? Porque razão não se fala disso? Porque razão esta história mais recente foi abafada e se prefira falar na outra mais antiga em que os povos ibéricos foram subjugados e humilhados pelos invasores mouros durante quase 800 anos?!
As mesmas perguntas poderiam ser colocadas em relação a Espanha. Ou em relação a mais países europeus. Quantos europeus sabem que a esposa de Napoleão era uma crioula branca vinda da Martinique (ilha dos Kassav)? Ou que o grande escritor francês Alexandre Dumas, autor de “Os Três Mosqueteiros”, entre outras obras, era neto de um marquês e de uma escrava negra vinda do Haiti?
Alexander Pushkin, um russo mestiço com ascendência africana é reconhecido como o pai da moderna literatura russa e o maior poeta russo, e foi considerado o homem mais inteligente da Rússia pelo Czar Nicolau. Pushkin tem descendentes vivos na aristocracia inglesa.
Somos todos africanos (The Empire strikes back!)
Meu caro irmão lusitano, não te apoquentes com a tua mais que provável origem africana recente, seja ela moura ou negra. Os marinheiros são assim, aventureiros, e as aventuras têm consequências, deixam rastos. E os ingleses têm razão, “the Empire strikes back”!
Ao que parece somos irmãos ou primos (como preferires) duas vezes. Somos ambos descendentes do senhor e dos seus escravos. Mas não deixes que isso te tire o sono, porque no final, e espero que isto te alivie, todos viemos de África, mais cedo ou mais tarde. Afinal não foi da Mãe África que veio a espécie humana? É uma questão de relativização temporal. O planeta Terra tem 4,5 biliões de anos. Segundo os cientistas, o homo sapiens emigrou da África para a Europa e Ásia há 60.000 anos, apesar de alguns hominídeos terem saído do continente africano há cerca de 200-400 mil anos.
Perante desta grandeza de números, o que significam cerca de 400 anos de convivência recente? E essa história das raças? Mesmo o mais lourinho dos suecos veio de África. Só existe uma raça, a humana. E no final, o que foram os Descobrimentos a não ser um regresso recente à Mãe África?!
Crioulos europeus menos famosos
Curvo-me perante a memória (injustamente esquecida) dos milhões de escravos anónimos e seus descendentes que ajudaram a construir o mundo lusófono em que hoje vivemos. Dos negros das touradas que desafiavam os touros a pé, da corajosa Preta da Cartuxa e da preta Fernanda que toureava a cavalo em Algés, dos trabalhadores anónimos nos campos do Alentejo, Algarve e Andaluzia, aos das docas de Lisboa, Porto, Sevilha e Málaga, dos músicos que acompanhavam as procissões religiosas, dos negros e seus descendentes que integravam e até fundaram e geriram algumas confrarias religiosas, dos guitarristas, poetas populares e cantores que fizeram o fado, enfim, dos milhares que entre os séculos XV e XIX trabalharam arduamente lado a lado com os restantes portugueses e espanhóis na construção do que são hoje essas duas nações europeias.
Com esta sequência de 5 crónicas dedicadas aos Crioulos Europeus, iniciamos uma viagem pelo complexo mundo da escravatura e dos povos crioulos daí resultantes, começando pela própria Península Ibérica. Tentamos igualmente demonstrar que todos os povos em alguma parte da sua história foram escravizados e escravizaram, que foram escravos e senhores e que por isso mesmo apontar o dedo a quem quer que seja não só não nos ajuda a construir um mundo melhor, como pode ainda ser um bomba *

Texto da autoria de José Almada Dias.

Andy Warhol

Andy Warhol 1928 - 1987

   Apesar da estima crescente de que Andy Warhol gozava nos meios da publicidade e do luxo, ele aspirava a ser reconhecido como artista, como « verdadeiro » artista, cujos quadros seriam a única recomendação e atingiriam, quando não ultrapassassem mesmo, o valor dos bens de consumo cobiçados.Sabe-se que Warhol escondia os seus trabalhos comerciais, quando esperava a visita de coleccionadores de arte no seu estúdio, pois mesmo na Nova Iorque dos anos 50, a arte comercial tinha fama de ser de mau gosto. Não era ela sinónimo de cálculo, rotina, reprodução, mecanização e até mesmo mentira?Não era ela o oposto da arte « autêntica », este verdadeiro espelho da alma e do coração, sentido e não fabricado, incondicional e eternamente consagrado à verdade? Provavelmente o futuro artista conhecia já os lugares comuns. No entanto, Andy Warhol conservou sempre, além do atelier para a arte- arte ,um outro para o trabalho publicitário comercial. E se, por fim, este estúdio comercial se ocupava apenas da comercialização dos seus próprios produtos, isto prova a inteligência superior de Warhol, assim como a sua sensibilidade para os critérios de valor do meio artístico.*



* WARHOL
  Klaus Honnef
 TASCHEN / PÚBLICO.

Andy Warhol. Auto retrato 1963 a 64.
                                                           
 Auto retrato de Andy Warhol vendido  por 38,4 milhões de dólares num leilão da casa Christie,s em Nova Iorque no dia 12 de Maio de 2011. Algo como 27 milhões de euros.