domingo, 9 de março de 2014

Roma- Heróis deificados

Heróis deificados - VI

                                                                       VI

  HERCULES - Foi  contado entre os deuses, por ter purgado a Terra de muitos monstros. Suas princípais tarefas são conhecidas pelo nome dos doze trabalhos d' Hercules. Passou por inventor dos jogos olimpicos e atleticos; e por isso era o deus tutelar dos atletas e gladiadores. Representam-no sob a figura de um homem robusto e corpulento, tendo na mão a famosa maça, sua arma favorita, e coberto com a pele do leão de Neméa.

JANO - Antigo rei de Itália, na idade d'ouro; foi deificado por ter feito muitas leis justas, e ter ensinado muitas artes uteis à vida: os romanos renderam-lhe culto sob a figura de uma estátua de dois rostos ( o que lhe valeu o ipeteto de Bifronte ) ou para comemorar a aliança dos romanos e sabinos, ou para marcar o tempo passado e o futuro; tendo numa das mãos uma chave, por ser o porteiro do céu, e na outra uma vara. Tinha um templo em Roma, que estava aberto no tempo de guerra, e fechado no tempo de paz; eram-lhe consagradas as portas das casas ( Januce ) que dele  tomaram o nome. Jano deu o nome ao mês de Janeiro, e como o ano, que ele abria, se compunha de doze meses, tantos eram os altares que haviam no seu templo.



CASTOR e POLUX - Divindades tutelares dos marinheiros. Foram, segundo a mitologia, dois irmãos famosos,um pelo pugilismo e outro pela equitação; e de tão estreita e intima amizade, que foram, por sua fraternidade, tranformados no signo Geminis,que é uma das constelações zodíacais. Os romanos erigiram-lhe um templo, pela  crença de terem aparecido na batalha do Lago Regillo, contra os Tarquinios, dois mancebos desconhecidos, anunciando o feliz sucesso na batalha: o que fez crêr aos romanos que eram Polux e Castor.

sábado, 8 de março de 2014

Março, dia 8.

Com o maior carinho expresso um voto de felicidades para TODAS  as nossas companheiras de percurso neste seu dia.
Mãe Natureza

sexta-feira, 7 de março de 2014

Roma. Culto a divindades (-cap:VII.) Falando de Arte.


  Eram estas divindades a , a Esperança, a Pudicicia ou Pudor ( de que havia em Roma duas divindades, uma a Pudicicia das patricias, e a outra a Pudicicia das plebeias ) a Amizade, e Pallor ( Palidez ), o Pavor, etc.
  As referidas divindades, e todas as demais que por brevidade se omitem, formavam diferentes classes, segundo o capricho dos que as fantasiaram, ou o grau de culto que mereceram aos seus adoradores; e são os seguintes:
  CONSENTES ( quase consentientes ) - Formavam o conselho de Jupiter, eram os celestes e grandes deuses 
 ( Dii majores, ou majorum gentium ) como Jupiter, Marte, Mercúrio, Neptuno, Vulcano, Apolo, Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana e Vénus.
  SELECTOS -  Estes eram algumas vezes contados no numero dos grandes deuses, e associados aos  consentes; como Jano, Saturno, Genio, Plutão, Bacho, e Rhea ou Cibele.
 CONSCRITOS - Eram os deuses de segunda ordem ( dii minores ou minorum gentium ) como Pan, Pomôna, Flora, Pallas, e outras divindades campestres.


* Continua...

A propósito de arte:     
                                Cada quadro é um capítulo na vida do pintor. Para avaliar um trabalho de arte, precisamos de conhecer a história do artista.
   Para compreender a tristeza nos olhos de Rembrandt, precisamos de compreender primeiro a tristeza da vida de Rembrandt. As sombras delicadas nas paisagens de Corot só se tornam inteiramente intelengíveis quando percebemos que reflectem a delicada doçura do coração de Corot. Se não conhecemos o pintor, vemos apenas parcialmente o seu quadro. É como assistir a uma peça, numa língua que não se entende. É ùnicamente através da personalidade do artista que podemos conseguir a chave para a linguagem da sua arte.*

 * Living Biographies of Great Painters.

                                                                              
Tempos idos

quinta-feira, 6 de março de 2014

Angola. C.P.L.P. Jornal de Angola e o Acordo Ortográfico


Editorial do "Jornal de Angola" sobre o Acordo Ortográfico

Do Prof. Miguel Mota

Património em risco

"Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda.

A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma
indústria editorial mais pujante.

Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige.
Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às "leis do mercado". Os afectos não são transaccionáveis. E a língua, que veicula esses afectos, muito menos.
  Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito "Vamos Descobrir Angola", deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única.Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o
nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas, mesmo na origem, existiu a via erudita e a via popular.
Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas.
Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso,quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual de entrevistado.
 Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado.
Mas, se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos
demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português. Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade, nunca estarão a
 esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema, que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário! Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados
a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português.
Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas
também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que, através de um qualquer acordo, elaseja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU,devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque
do difícil comércio das palavras."

Créditos da Imagem de " Jornal de Angola " netpaper.com
Sublinhados de minha autoria.

A minha pedra filosofal - Roma ( cont do VII ). Coleccionismo. Roma. VII -Culto.


pedra filosofal
                                         

 Nunca insultes um surdo

Significa isto que sempre que sinto algum motivo para  trocar umas impressões mais acaloradas encontro nesta bela pedra um bom interlocutor . Depois medito no que lhe disse e considero o seu silêncio esclarecedor. Assim tenho evitado, neste diálogo de surdos, levantar a voz onde não devo. A vegetação vai crescendo ao redor mas visito com regularidade este magnífico e acolhedor  centro de debate.

Roma


 Heróis deificados e Semideuses - eram as divindades de terceira ordem; como Hércules, Polux , Esculapio                                                       etc.:
 
  Aqui se compreendem os deuses Indigetes  ( inde, isto é , e terra geniti ) como Quirino ( Romulo deificado ) e alguns imperadores, que a superstição, lisonja e subserviência dos romanos no tempo do império colocaram no numero dos deuses.

Virtudes , vicíos , misérias da vida , e outros objectos ideais, que a idolatria consagrou por necessidade, terror, ou como meros simbolos, formavam as divindades de quarta ordem.

Deuses Celestiais ( superi ) e Infernais ( Inferi ) - Havia diferença no culto a estas divindades. Aos primeiros erigiam-se três altares, oferecia-se incenso e vinho, dirigindo-lhes três vezes a palavra , e as vitimas eram brancas e em número impar ; Aos segundos erigiam-se dois altares, oferecia-se leite , invocando-se duas vezes ; e as vítimas eram negras , e em número par.

Comuns - eram  Marte , Belona  e Vitória ; assim chamados , porque na guerra podiam favorecer ambas as partes beligerantes.

  Averruneos - Eram divindades malfazejas, a que se rendia culto só para afaster os males que podiam fazer. A principal era o deus Averruneo, a que se devem juntar o Medo , Palidez , Febre , Tempestade , Calúnia,  Pobreza , Inveja , etc...

Geniais - Eram todas as divindades que representavam a natureza ; como a  Terra , Ar , Água ,Fogo , princípios elementares, os doze signos ou constelações zodiacais, o Sol, a Lua e outros.

Litoraiseram  Glauco , Panope , Melicerta , etc... a quem se faziam votos e sacrifícios para se obter próspera navegação.

 Marinoseram  Neptuno , Nereo , Oceano , etc. Eram representados sob a figura  de velhos com cabelos brancos , em alusão  à  espuma do mar ; e alguns terminando em peixes como os  Tritões.

 Viaes  - presidiam aos caminhos, e eram particularmente ivocados por aqueles que tinham de fazer viagens. Eram  Apolo , Minerva , Mercúrio , Baco , e Hércules ; cujos bustos os romanos punham ordináriamente sobre colunas ao longo das grandes estradas .



Coleccionismo


VII. O culto a divindades

  Eram estas divindades a , a Esperança, a Pudicicia ou Pudor ( de que havia em Roma duas divindades, uma a Pudicicia das patricias, e a outra a Pudicicia das plebeias ) a Amizade, e Pallor ( Palidez ), o Pavor, etc.
  As referidas divindades, e todas as demais que por brevidade se omitem, formavam diferentes classes, segundo o capricho dos que as fantasiaram, ou o grau de culto que mereceram aos seus adoradores; e são os seguintes:
  CONSENTES ( quase consentientes ) - Formavam o conselho de Jupiter, eram os celestes e grandes deuses 
 ( Dii majores, ou majorum gentium ) como Jupiter, Marte, Mercúrio, Neptuno, Vulcano, Apolo, Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana e Vénus.
  SELECTOS -  Estes eram algumas vezes contados no numero dos grandes deuses, e associados aos  consentes; como Jano, Saturno, Genio, Plutão, Bacho, e Rhea ou Cibele.
 CONSCRITOS - Eram os deuses de segunda ordem ( dii minores ou minorum gentium ) como Pan, Pomôna, Flora, Pallas, e outras divindades campestres.

quarta-feira, 5 de março de 2014

ROMA. Cultos. Arte. Conceitos


                           DAS DIFERENTES FORMAS PORQUE SE RENDIA O CULTO


   Os romanos honravam os deuses por actos internos e externos de culto, que são os seguintes:

  1º  Adoração  ( Adoratio ) - Consistia em levar a mão à boca ( ad os, ou ad ora ) e beijá-la; o adorador  colocava-se de pé, de joelhos ou prostava-se, depois de ter volteado em roda do altar e da imagem; levava a cabeça coberta, com um véo sobre o rosto pelo receio de ser distraido por algum objecto inoportuno; ou  para não ser interrompido por algum agouro sinistro.

  2º Votos  ( Vota ) - Eram as promessas  feitas aos deuses para aquisição de alguma graça, ou para algum sucesso feliz; o que fazia o voto, dizia-se  voti reus, e o que o cumpria  voti damnatus.

 3º  Orações  ( Preces ) - Eram  quaisqueres suplícas dirigidas aos deuses, n'este acto tocava-se frequentes vezes com as mãos nos altares.


  4º  Acções de Graças  ( Supplicatio ) - Tinham lugar para honrar o general que tinha  obtido alguma grande vitória, a quem o senado dava o titulo de imperador; era uma  manifestação de regozijo publico em que se abriam os templos para dar graças aos deuses.

  5º  Preces publicas  ( Obsecrationes  ) - Tinham lugar quando a república era oprimida por alguma calamidade. Abriam-se os templos, tiravam-se as imagens dos altares, e colocavam-se sobre uns coxins  ( pulvinaria ) ;  a que se seguia um banquete em honra dos deuses, e para o qual eles se supunham convidados.
   Esta cerimónia de deitar os deuses sobre os coxins chamava-se  lectisternium, e na ocasião solene em que ela tinha lugar, punham-se mesas cobertas de iguarias em todos os bairros da Cidade, nas quais admitiam todos os cidadãos indiferentemente; era um dia de reconciliação em que se tratavam os inimigos como amigos, e em que se dava liberdade aos prisioneiros.
   Pretendem alguns arqueólogos que o lectisternium também tinha lugar nas acções de graças.

6º  Sacrifícios  ( Sacrificia, ou Sacra  )  - Eram todas as cerimónias para honrar os deuses, em que se ofereciam vitimas cruentas, ou incruentas: n'eles consistia, pela maior parte, o culto romano.
 


ARTE. Conceitos.

    As  duas grandes fontes do belo  são a natureza e a arte; e, desde Platão, filósofos e artistas tentaram assinar a cada uma delas os próprios limites, a própria missão.
   Erraram todos aqueles que, num álveo comum, quiseram reunir os dois grandes rios estéticos; e erraram igualmente todos os outros, que os quiseram separar com diques insuperáveis, que impedissem o mínimo contacto entre as duas águas.
   Parece-me, ao revés, que natureza e arte, antes de se separarem uma da outra, teem uma nascente comum, como dois rios que do mesmo glaciar, mas por diverso declive, levam suas águas ao oceano.
  O belo da arte não é, não deve ser diverso do da natureza, porque é uma escolha deste, é um dos seus elementos, uma das suas faces.
   Erra Platão, quando reduz a arte a uma simples imitação da natureza; erram ainda mais todos os outros que crêem a arte essencialmente criadora, e lhe concedem todas as temeridades, dizendo que só o possível marca os seus confins.
   A arte não é mais que uma filha da natureza, porque o próprio artista é homem, e, portanto, filho também ele, da grande Mãe, que gera todas as criaturas terrestres. Nós fazemos parte da natureza, da qual, pelo menos no nosso planeta, somos o organismo mais elevado e mais complexo.
   Ora o artista, depois de ter visto, admirado e estudado as coisas belas que o circundam, escolhe o que lhe parece mais belo, e o reproduz com o teque, com o pincel ou com a pena, dando-nos uma estátua, ou um quadro, ou uma descrição em prosa ou em verso.
  Em toda a obra de arte há, pois, o belo da natureza, mais o engenho do artista, que o escolheu e reproduziu.
  O belo da arte é, portanto, a harmonia de duas belezas diversas, uma que nos vem da natureza, e que podemos dizer que lhe constitui quase o esqueleto; outra que nos vem do génio e da mão do artista, e que lhe forma as carnes, a pele o vestuário.
   Estes dois elementos variam assaz nas proporções recíprocas; pelo que ora uma iguala a outra, ora uma é muito pequena e a outra muito grande.
   Quando queremos fazer a critica duma obra de arte com justiça, devemos fazer sempre a análise quantitativa destes dois elementos, pesando-os na balança do bom gosto.
  Quando um pintor copia uma rosa, e não lhe junta de seu nem uma pétala, nem uma cor, nem uma folha, pode-nos dar uma obra  egrégia pela fidelidade  da imitação, pela ilusão perfeita que apresenta aos nossos olhos.
   Assim o escultor que modela uma bela mulher, da qual tem diante de si o corpo nu. Nestes dois casos, e em outros semelhantes, o artista põe muito pouco da sua lavra, e a natureza domina quási exclusivamente o campo estético.
   Outra vezes, pelo contrário, é um pintor que nos pinta o Calvário com o Cristo agonizante e um voo de anjos contristados, que fazendo das asas uma viseira ao rosto, fogem pelo ar, carregado de escura tristeza; ou é um escultor, que nos representa Lúcifer, que tenta um santo à beira dum abismo, onde quere precipitá-lo.
   Nestes dois casos a natureza entra por pequena parte, e o génio criador do artista campeia e domina o campo estético. Pintor e escultor não viram nunca nem o Cristo, nem o santo, nem os anjos, nem o abismo; mas para todas estas coisas tiraram, todavia, elementos da natureza, fundindo-os juntos no cadinho do génio.
   Quer, porém, o artista copie ou crie, quer se faça um modesto imitador, ou pretenda dominar e conquistar a natureza, põe sempre na sua obra a própria individualidade, o próprio estilo, palavra maravilhosa, que, sem querer, assemelha o escritor aos outros artistas do teque e do pincel, e que significa pròpriamente o instrumento estético, com o qual cada um de nós entende, interpreta e reproduz as belezas naturais.
   Este estilo, que Hirt  ( 1 )  chama  carácter, é tão diverso dum pintor para outro, dum para outro escultor, que permite a um crítico inteligente descobrir o autor, ainda quando este não tenha assinado as suas obras; e o  ilustre João Morelli  ( 2 )  nos seus maravilhosos trabalhos de crítica, tem mostrado até onde pode chegar esta potente faculdade de diagnose.

 1 - HIRT ; Uber, das Kunstschone, Horm, 1797.
                    É um livro antigo e pouco conhecido, mas profundo, e em que o autor expõe mui judiciosos conceitos sobre o belo na arte, e, especialmente, sobre o caracter do belo na arte.

2 - Insígne crítico de arte, italiano, ( 1816 - 1891 ), autor do célebre livro  Della pittura italiana, que adquiriu fama universal.