quinta-feira, 6 de março de 2014

A minha pedra filosofal - Roma ( cont do VII ). Coleccionismo. Roma. VII -Culto.


pedra filosofal
                                         

 Nunca insultes um surdo

Significa isto que sempre que sinto algum motivo para  trocar umas impressões mais acaloradas encontro nesta bela pedra um bom interlocutor . Depois medito no que lhe disse e considero o seu silêncio esclarecedor. Assim tenho evitado, neste diálogo de surdos, levantar a voz onde não devo. A vegetação vai crescendo ao redor mas visito com regularidade este magnífico e acolhedor  centro de debate.

Roma


 Heróis deificados e Semideuses - eram as divindades de terceira ordem; como Hércules, Polux , Esculapio                                                       etc.:
 
  Aqui se compreendem os deuses Indigetes  ( inde, isto é , e terra geniti ) como Quirino ( Romulo deificado ) e alguns imperadores, que a superstição, lisonja e subserviência dos romanos no tempo do império colocaram no numero dos deuses.

Virtudes , vicíos , misérias da vida , e outros objectos ideais, que a idolatria consagrou por necessidade, terror, ou como meros simbolos, formavam as divindades de quarta ordem.

Deuses Celestiais ( superi ) e Infernais ( Inferi ) - Havia diferença no culto a estas divindades. Aos primeiros erigiam-se três altares, oferecia-se incenso e vinho, dirigindo-lhes três vezes a palavra , e as vitimas eram brancas e em número impar ; Aos segundos erigiam-se dois altares, oferecia-se leite , invocando-se duas vezes ; e as vítimas eram negras , e em número par.

Comuns - eram  Marte , Belona  e Vitória ; assim chamados , porque na guerra podiam favorecer ambas as partes beligerantes.

  Averruneos - Eram divindades malfazejas, a que se rendia culto só para afaster os males que podiam fazer. A principal era o deus Averruneo, a que se devem juntar o Medo , Palidez , Febre , Tempestade , Calúnia,  Pobreza , Inveja , etc...

Geniais - Eram todas as divindades que representavam a natureza ; como a  Terra , Ar , Água ,Fogo , princípios elementares, os doze signos ou constelações zodiacais, o Sol, a Lua e outros.

Litoraiseram  Glauco , Panope , Melicerta , etc... a quem se faziam votos e sacrifícios para se obter próspera navegação.

 Marinoseram  Neptuno , Nereo , Oceano , etc. Eram representados sob a figura  de velhos com cabelos brancos , em alusão  à  espuma do mar ; e alguns terminando em peixes como os  Tritões.

 Viaes  - presidiam aos caminhos, e eram particularmente ivocados por aqueles que tinham de fazer viagens. Eram  Apolo , Minerva , Mercúrio , Baco , e Hércules ; cujos bustos os romanos punham ordináriamente sobre colunas ao longo das grandes estradas .



Coleccionismo


VII. O culto a divindades

  Eram estas divindades a , a Esperança, a Pudicicia ou Pudor ( de que havia em Roma duas divindades, uma a Pudicicia das patricias, e a outra a Pudicicia das plebeias ) a Amizade, e Pallor ( Palidez ), o Pavor, etc.
  As referidas divindades, e todas as demais que por brevidade se omitem, formavam diferentes classes, segundo o capricho dos que as fantasiaram, ou o grau de culto que mereceram aos seus adoradores; e são os seguintes:
  CONSENTES ( quase consentientes ) - Formavam o conselho de Jupiter, eram os celestes e grandes deuses 
 ( Dii majores, ou majorum gentium ) como Jupiter, Marte, Mercúrio, Neptuno, Vulcano, Apolo, Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana e Vénus.
  SELECTOS -  Estes eram algumas vezes contados no numero dos grandes deuses, e associados aos  consentes; como Jano, Saturno, Genio, Plutão, Bacho, e Rhea ou Cibele.
 CONSCRITOS - Eram os deuses de segunda ordem ( dii minores ou minorum gentium ) como Pan, Pomôna, Flora, Pallas, e outras divindades campestres.

quarta-feira, 5 de março de 2014

ROMA. Cultos. Arte. Conceitos


                           DAS DIFERENTES FORMAS PORQUE SE RENDIA O CULTO


   Os romanos honravam os deuses por actos internos e externos de culto, que são os seguintes:

  1º  Adoração  ( Adoratio ) - Consistia em levar a mão à boca ( ad os, ou ad ora ) e beijá-la; o adorador  colocava-se de pé, de joelhos ou prostava-se, depois de ter volteado em roda do altar e da imagem; levava a cabeça coberta, com um véo sobre o rosto pelo receio de ser distraido por algum objecto inoportuno; ou  para não ser interrompido por algum agouro sinistro.

  2º Votos  ( Vota ) - Eram as promessas  feitas aos deuses para aquisição de alguma graça, ou para algum sucesso feliz; o que fazia o voto, dizia-se  voti reus, e o que o cumpria  voti damnatus.

 3º  Orações  ( Preces ) - Eram  quaisqueres suplícas dirigidas aos deuses, n'este acto tocava-se frequentes vezes com as mãos nos altares.


  4º  Acções de Graças  ( Supplicatio ) - Tinham lugar para honrar o general que tinha  obtido alguma grande vitória, a quem o senado dava o titulo de imperador; era uma  manifestação de regozijo publico em que se abriam os templos para dar graças aos deuses.

  5º  Preces publicas  ( Obsecrationes  ) - Tinham lugar quando a república era oprimida por alguma calamidade. Abriam-se os templos, tiravam-se as imagens dos altares, e colocavam-se sobre uns coxins  ( pulvinaria ) ;  a que se seguia um banquete em honra dos deuses, e para o qual eles se supunham convidados.
   Esta cerimónia de deitar os deuses sobre os coxins chamava-se  lectisternium, e na ocasião solene em que ela tinha lugar, punham-se mesas cobertas de iguarias em todos os bairros da Cidade, nas quais admitiam todos os cidadãos indiferentemente; era um dia de reconciliação em que se tratavam os inimigos como amigos, e em que se dava liberdade aos prisioneiros.
   Pretendem alguns arqueólogos que o lectisternium também tinha lugar nas acções de graças.

6º  Sacrifícios  ( Sacrificia, ou Sacra  )  - Eram todas as cerimónias para honrar os deuses, em que se ofereciam vitimas cruentas, ou incruentas: n'eles consistia, pela maior parte, o culto romano.
 


ARTE. Conceitos.

    As  duas grandes fontes do belo  são a natureza e a arte; e, desde Platão, filósofos e artistas tentaram assinar a cada uma delas os próprios limites, a própria missão.
   Erraram todos aqueles que, num álveo comum, quiseram reunir os dois grandes rios estéticos; e erraram igualmente todos os outros, que os quiseram separar com diques insuperáveis, que impedissem o mínimo contacto entre as duas águas.
   Parece-me, ao revés, que natureza e arte, antes de se separarem uma da outra, teem uma nascente comum, como dois rios que do mesmo glaciar, mas por diverso declive, levam suas águas ao oceano.
  O belo da arte não é, não deve ser diverso do da natureza, porque é uma escolha deste, é um dos seus elementos, uma das suas faces.
   Erra Platão, quando reduz a arte a uma simples imitação da natureza; erram ainda mais todos os outros que crêem a arte essencialmente criadora, e lhe concedem todas as temeridades, dizendo que só o possível marca os seus confins.
   A arte não é mais que uma filha da natureza, porque o próprio artista é homem, e, portanto, filho também ele, da grande Mãe, que gera todas as criaturas terrestres. Nós fazemos parte da natureza, da qual, pelo menos no nosso planeta, somos o organismo mais elevado e mais complexo.
   Ora o artista, depois de ter visto, admirado e estudado as coisas belas que o circundam, escolhe o que lhe parece mais belo, e o reproduz com o teque, com o pincel ou com a pena, dando-nos uma estátua, ou um quadro, ou uma descrição em prosa ou em verso.
  Em toda a obra de arte há, pois, o belo da natureza, mais o engenho do artista, que o escolheu e reproduziu.
  O belo da arte é, portanto, a harmonia de duas belezas diversas, uma que nos vem da natureza, e que podemos dizer que lhe constitui quase o esqueleto; outra que nos vem do génio e da mão do artista, e que lhe forma as carnes, a pele o vestuário.
   Estes dois elementos variam assaz nas proporções recíprocas; pelo que ora uma iguala a outra, ora uma é muito pequena e a outra muito grande.
   Quando queremos fazer a critica duma obra de arte com justiça, devemos fazer sempre a análise quantitativa destes dois elementos, pesando-os na balança do bom gosto.
  Quando um pintor copia uma rosa, e não lhe junta de seu nem uma pétala, nem uma cor, nem uma folha, pode-nos dar uma obra  egrégia pela fidelidade  da imitação, pela ilusão perfeita que apresenta aos nossos olhos.
   Assim o escultor que modela uma bela mulher, da qual tem diante de si o corpo nu. Nestes dois casos, e em outros semelhantes, o artista põe muito pouco da sua lavra, e a natureza domina quási exclusivamente o campo estético.
   Outra vezes, pelo contrário, é um pintor que nos pinta o Calvário com o Cristo agonizante e um voo de anjos contristados, que fazendo das asas uma viseira ao rosto, fogem pelo ar, carregado de escura tristeza; ou é um escultor, que nos representa Lúcifer, que tenta um santo à beira dum abismo, onde quere precipitá-lo.
   Nestes dois casos a natureza entra por pequena parte, e o génio criador do artista campeia e domina o campo estético. Pintor e escultor não viram nunca nem o Cristo, nem o santo, nem os anjos, nem o abismo; mas para todas estas coisas tiraram, todavia, elementos da natureza, fundindo-os juntos no cadinho do génio.
   Quer, porém, o artista copie ou crie, quer se faça um modesto imitador, ou pretenda dominar e conquistar a natureza, põe sempre na sua obra a própria individualidade, o próprio estilo, palavra maravilhosa, que, sem querer, assemelha o escritor aos outros artistas do teque e do pincel, e que significa pròpriamente o instrumento estético, com o qual cada um de nós entende, interpreta e reproduz as belezas naturais.
   Este estilo, que Hirt  ( 1 )  chama  carácter, é tão diverso dum pintor para outro, dum para outro escultor, que permite a um crítico inteligente descobrir o autor, ainda quando este não tenha assinado as suas obras; e o  ilustre João Morelli  ( 2 )  nos seus maravilhosos trabalhos de crítica, tem mostrado até onde pode chegar esta potente faculdade de diagnose.

 1 - HIRT ; Uber, das Kunstschone, Horm, 1797.
                    É um livro antigo e pouco conhecido, mas profundo, e em que o autor expõe mui judiciosos conceitos sobre o belo na arte, e, especialmente, sobre o caracter do belo na arte.

2 - Insígne crítico de arte, italiano, ( 1816 - 1891 ), autor do célebre livro  Della pittura italiana, que adquiriu fama universal.

 

terça-feira, 4 de março de 2014

CÓDICE CALIXTINO. Recordando-o

 Nos jornais de 7 de Julho de 2011  entre outras notícias importantes vinha referido o desaparecimento, atribuido como roubo, do Códice Calixtino.
Escreveu-se então:
  «  Este manuscrito do século XII estava na Catedral de Santiago de Compostela. O roubo representa uma das maiores perdas do património histórico e artístico. De Espanha e do mundo. Carlos Villanueva, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela afirmou o valor " imenso "  do livro difícil de estabelecer se fosse leiloado.
   O livro, diz  Villanueva é " o melhor dos exemplares do Codex Calixtinus, o primeiro guia do Caminho de Santiago, que foi encarregado pelo papa Calixto II ao sacerdote francês Aymeric Picaud. Descreve pela primeira vez os detalhes de várias rotas do caminho, com informações sobre alojamento, zonas a visitar, património e objectos de arte que podem ser conhecidos.
                   Códice Calixtino ou  Liber Sancti Jacobi.

   Relato que nove séculos depois ainda é citado e referido pelos peregrinos.
Também conhecido como Liber Sancti Jacobi, foi realizado em honra do apóstolo S.Tiago, detalhando-se a vida, o martírio e a veneração da figura que tem em Compostela o seu maior culto.»

Realmente nem sei o que deva comentar. Dizem que estava rodeado de medidas de segurança excepcionais, que o seu acesso estava blindado, etc,etc...E agora sucede isto. Espero ao menos que quem o levou cuide dele com carinho, como merecem quase todos os livros de antanho. Se fosse de ouro ou prata era de temer a sua reconversão; agora  sendo livro decerto foi encomendado o seu desaparecimento ou, então, ainda vão pedir algum resgate. Mas o mal está feito!

E por fim...
Foi o importante Livro recuperado tempos depois pela Polícia Espanhola. Segundo as autoridades o autor do furto fora um ex funcionário da Catedral, movido apenas por interesses pessoais uma vez que entendia dever ser ressarcido de algumas dividas  que se considerava credor.  A forma que encontrou para solucionar o caso foi aquela.
Saliente-se que  o Livro foi encontrado em perfeito estado.













segunda-feira, 3 de março de 2014

Oleoduto "Keystone XL ". Concorda ou não ?

Caros amigos,



Enquanto lemos este email, os EUA deliberam se aprovam ou não um oleoduto monstruoso que pode liberar níveis devastadores de dióxido de carbono na atmosfera, vindos das areias betuminosas do Canadá. O Departamento de Estado dos EUA está promovendo uma consulta pública antes da grande decisão e fontes internas afirmam que eles buscam apoio para resistir à pressão da indústria. Vamos ajudar, enchendo a consulta de comentários exigindo o fim desta bomba de carbono – faltam só alguns dias:


assine a peticao
Enquanto lemos este email, o governo dos EUA está prestes a tomar a decisão mais importante acerca das mudanças climáticas na presidência de Barack Obama: a aprovação ou não de um oleoduto monstruoso que transportará do Canadá aos EUA, por dia, até 830 mil barris do petróleo mais sujo.

Caso seja aprovado, o oleoduto Keystone XL ajudará a bombear bilhões de dólares para os bolsos de umas poucas companhias, além de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. O oleoduto está sendo descrito como "o detonador da maior bomba de carbono do planeta". Uma reação ousada da opinião pública já conseguiu atrasar o projeto antes, e outro golpe duro foi dado na semana passada, quando saiu uma decisão judicial contrária ao oleoduto. Agora, se agirmos com rapidez e em grande número, podemos ajudar a acabar com essa ideia de vez.

O secretário de Estado dos EUA, responsável pela maneira como o país se relaciona com o resto do mundo, abriu uma rodada final para receber comentários da opinião pública. Ele sabe que essa é a prova-dos-nove para definir a posição dos EUA e evitar um desastre ambiental. Vamos transformar a consulta pública em um verdadeiro referendo mundial, somando milhões de vozes de todos os países do mundo a ela, exigindo que o oleoduto Keystone seja impedido e que os EUA assumam a posição de liderança que afirmam ter para salvar nosso planeta. Faltam só alguns dias para o fim da consulta, junte-se a ela aqui:

http://www.avaaz.org/po/stop_the_keystone_xl_pipeline_loc_eu/?bzWqodb&v=36753

A pressão vinda das grandes empresas de petróleo está bem intensa – eles compraram anúncios no metrô de Washington, pelo qual os políticos passam para chegar ao trabalho. Se alcançarmos um milhão de assinaturas, a Avaaz vai reagir no mesmo campo de batalhas, colocando anúncios ao lado dos deles para que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e sua equipe vejam o que o povo pensa, de forma clara.

Esses anúncios das empresas de petróleo são apenas o começo. Sabemos que os Estados Unidos estão sob a mira dos lobistas da indústria petrolífera, e que vão ganhar rios de dinheiro com o oleoduto. Mas isso vai nos custar o futuro de todos: o petróleo vindo das areias betuminosas é o combustível fóssil mais sujo de todos, liberando de três a quatro vezes mais poluição causadora do aquecimento global que o petróleo “normal”.

No ano passado, Obama afirmou que daria o sinal verde para Keystone somente se fosse de interesse nacional dos EUA e se ficasse comprovado que ele não irá piorar ainda mais a crise climática para as futuras gerações. Kerry, que tem as mudanças climáticas como prioridade, quer mostrar iniciativa à comunidade internacional, estando mais sensível à opinião pública. Defensores do oleoduto afirmam que ele trará empregos na construção civil e maior independência em relação aos países exportadores de petróleo. Mas Obama sabe que as energias limpas gerarão os empregos de verdade e que as mudanças climáticas são provavelmente a maior ameaça à segurança global e dos EUA no momento.

Nós já estamos vencendo. Há três anos, este oleoduto era considerado um fato consumado. Mas o poder da comunidade entrou em ação. Milhares de pessoas foram presas durante o maior ato de desobediência civil em décadas nos EUA, e Obama recusou a proposta inicial. Agora vamos fazer nossa parte, reunindo os comentários mais internacionais possível a uma decisão governamental dos EUA e dando ao secretário de Estado Kerry e ao presidente Obama o apoio público de que eles precisam para rejeitar o projeto:

http://www.avaaz.org/po/stop_the_keystone_xl_pipeline_loc_eu/?bzWqodb&v=36753

Onde quer que estejamos no mundo, seja em Alberta, no Canadá, onde o oleoduto começaria; no Reino Unido, ainda se recuperando de enchentes históricas; na Austrália, que apenas começa a se recuperar de um verão que desencadeou um número recorde de incêndios, ou em qualquer outro país onde extremos no clima estejam causando danos – estamos todos sofrendo as consequências do aquecimento global. Se nos unirmos hoje, podemos fazer parte da vitória que deterá este oleoduto absurdo, ajudando a construir um forte movimento contra as mudanças climáticas.

Com esperança,

Pascal, David, Luis, Antonia, Emma, Patri, Wen, Ricken e toda a equipe da Avaaz


FONTES:

Aprovação do polémico oleoduto Keystone XL nos EUA e Canadá mais perto (Público)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/aprovacao-do-polemico-oleoduto-keystone-xl-nos-eua-e-canada-mais-perto-1621936

Explorar areias betuminosas polui mais do que o previsto, alertam cientistas (UOL)
http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/02/04/explorar-areias-betuminosas-polui-mais-do-que-o-previsto-alertam-cientistas.htm

O inimigo número 1 dos ambientalistas americanos (Época)
http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/tag/keystone-xl/

A pressão está sobre o secretário Kerry, na medida em que decisão sobre Keystone se aproxima (em inglês) (Washington Post)
http://www.washingtonpost.com/national/health-science/pressure-is-on-kerry-as-keystone-pipeline-decision-nears/2014/02/01/46098f94-8ac7-11e3-916e-e01534b1e132_story.html

10 motivos para ser contra o oleoduto Keystone XL Pipeline (em inglês) (The Huffington Post)
http://www.huffingtonpost.com/rose-ann-demoro/10-reasons-to-oppose-the-_1_b_4791713.html

domingo, 2 de março de 2014

Reflexões. Roma. Dos lugares sagrados.


 Só temos o passado à nossa disposição. É com ele que imaginamos o futuro. Mas há duas maneiras de se servir do passado para construir o que, por não termos outro remédio, chamamos o futuro. Uma é ter passado como se o não tivéssemos. É a maneira da infância e das culturas do puro presente, uma, por ao ter entrado ainda no « tempo », outras, por se viverem num tempo de repetição, como o antigo Egipto e a velha China.
   Na realidade, todos os povos vivem, à sua maneira, num presente imemorial, simulacro sensível da sua impossível eternidade. A outra maneira é a de ter essencialmente, ou como uma fixação hipnótica, passado, quer dizer, ser simbólica e apaixonadamente passado. Isto só é permitido e possível, a quem, cultura ou destino individual, teve um presente que aos olhos de outrem, ou a título de memória, foi um acontecimento arquétipo, um momento glorioso a partir do qual se ordena e hierarquiza, em relação ao que acontecera antes e virá depois, a leitura da História.
   Pouco importa que esta a si mesma se compreenda como universal. Como foi a do Império Romano.
   Ou como particular e mítica à maneira Azteca. Estas duas  " histórias " não existiram em função de qualquer futuro. Os seus futuros eram simplesmente o presente prolongado e este só tinha espessura e consistência, por assumir, com naturalidade, um passado de esplendor efectivo ou mítico. Assim depois da destruição de Cartago, Roma não tem inimigos. Em todo o caso, inimigos capazes de lhe roubar o presente, mesmo quando ele se tornou um longo crepúsculo.

Por aqui ando entretido, com manifesta satisfação, revirando textos, olhando velhas pedras e caminhando entre singulares recantos por demais descobertos. Acredito que sob os meus pés em alguma ocasião poderá estar algo da história sepultado. 

O Concelho de Cascais é rico. Em espólio e, mais rico, em tradição oral sendo que, desta, já poucos restam para a contar. Valha-me então a esperança e a certeza se algo for descoberto seja então acautelado o seu valor.

ROMA . Dos lugares sagrados. Cap: IV.


           Os Romanos designavam os diferentes lugares em que se rendia culto às suas divindades pelos seguintes termos, que descreverei.

  1.º Aedes  - ( edifício sagrado, termo usado no singular, porque o plural significava casa de habitação ) - Diferia do Templum em ser construída a casa sagrada ordinariamente em lugar baixo, rodeada de outras casas, e em não ser consagrada pelos augures, ou inaugurada.

  2.º Templum - (  Lugar elevado d'onde se possa contemplar , ou observar o céu, na acepção primitiva; mas, na translata, um recinto sagrado com paredes e tecto ) era o lugar sagrado de maior extenção e magnificencia, construido em local elevado, e para onde se subisse por muitos degraus;  era consagrado pelos augures.

  3.º  Delubrum  -  Pequeno templo, ou capela. O templo de Júpiter no Capitólio continha três pequenos templos ou delubra.

  4.º  Fanum  - Era própriamente o lugar destinado, e consagrado para a construção de um templo; mas também se dava este nome às casas consagradas aos deuses Lares pelos pontifices.

  5.º  Sacellum  - era um lugar consagrado, e rodeado de paredes, mas sem teto; também por este termo se designa um pequeno templo.

  6.º  Sacrarium  -Era um lugar no templo, onde se depositavam objectos sagrados; mas também se tomava por uma capela doméstica.
     N.b.  -. todos os termos referidos servem para acepção de templos indistintamente, há contudo as diferenças que anotei.

  7.º Lucus  - ( Bosque sagrado ). Era um recinto arborisado, que por vezes rodeava os templos; Assim chamado por neles se fazerem fogos em honra da divindade a quem era consagrado.

  8.º Pantheon  - Foi um magnífico e sumptuoso templo, dedicado a todos os deuses, como indica a palavra. Foi construido por Agrippa no império de Augusto. Esta maravilha de arte e de opulência foi aproveitada pelo papa Bonifácio IV, que a converteu numa igreja cristã com a invocação de Santa Maria da Rotunda, termo que indica a forma circular d'aquele magnifico edificio.

sábado, 1 de março de 2014

Roma -Sacerdócios - V

Capitulo V Sacerdócios . ( cont: )

  9º Confraria dos ticios ou ticienses - ( Sodales Titii ou Titienses ) foram assim chamados por terem sido creados por Tito Tacio , rei dos Sabinos, quando partilhou com Romulo o governo de Roma, com o fim de conservar os sacrifícios da sua nação. Romulo adoptou aquele sacerdócio, cujas funções pouco diferia da dos Epulões. Os sacerdotes que rendiam culto a uma só divindade, eram os seguintes:

 10 º Rei dos Sacrifícios - ( rex sacrificulus, ou rex sacrorum ) foi criado este sacerdote depois da expulsão dos reis, para administrar os sacrifícios da competencia real.
       Estava subordinado aos pontifíces, não podia exercer cargo algum, nem residir na cidade; d'onde saia precipitadamente, como fugitivo,logo que acabava os sacrifícios. Sua mulher tinha também o titulo de rainha ( Regina Sacrificula ) com o direito de fazer alguns sacrifícios.

 11º  Flamines - Foram assim chamados de filum, fio de lã que, em forma de facha ou coifa punham em redor da cabeça; eram três, instituidos por Numa Pompílio: Um para Júpiter, o Flamen Dialis, outro para Marte, o Flamen Martialis, e o terceiro para Rómulo o Flamen Quirinalis. Eram sacerdotes assíduos d'estas divindades.
      Pelo decurso do tempo criaram-se mais doze que foram chamados Flamines plebeos, para distinção dos primeiros, que eram patrícios.

 12º  Salios -  ( Salli ) cujo chefe era o Praesul Saliorum eram sacerdotes consagrados ao culto do deus Marte, encarregados de guardar o escudo milagroso ( ancile ) que Numa fez acreditar ao povo ter caído do céu, numa ocasião de peste em Roma e que fez cessar o flagelo.
       Como a Nimpha Egeria vaticinou que teria grande império a cidade que possuisse aquele escudo, Numa Pompilio fez fabricar mais onze escudos semelhantes, para que, confundindo com eles o monumento precioso, não pudesse ser roubado.
   Todos os anos os Salios, na ocasião da festa de Marte, levavam os escudos em procissão pela cidade, cantando hinos e dançando. Daqui lhes veio o nome de Salios ( de Salio, saltar ).
   Aquela nimfa Egeria era uma entidade misteriosa ou fabulosa, com quem Numa fingia ter colóquios nocturnos; inculcando que as cerimónias religiosas que instituía eram devidas às indicações da referida divindade.


   Os cidadãos que exerciam as funções sagradas estavam ou reunidos em congregações ( Collegia ) ou tinham um ministério singular; operando uns e outros, ou a muitos deuses simultaneamente, ou a um só.
   Oa sacerdotes que não faziam sacrifícios a divindade alguma, com exclusão das outras, eram os seguintes.

  1 º   PONTIFICES  - ( Pontisfice ) cujo chefe, o pontifice máximo, era eleito pelo povo nos comícios, por centurias. Este era o sacerdocio mais honroso, com as seguintes atribuições:
    I - Superintendia em todos os negócios de religião.
    II - Conhecia todas as diferenças que ela ocasionava.
    III - Explicava os mistérios, e regulava as cerimónias.
    IV - Não era responsável pelas suas acções, e exercia a sua autoridade sobre os outros sacerdotes, a quem punia as suas faltas.
    V -- Tinha obrigação de escrever, em estilo singelo, a história romana, ano por ano.
    VI - O soberano pontifice gozava de tal veneração, que todos os imperadores até Graciano, foram revestidos desta dignidade.
   A palavra pontifice tira a sua origem, ou do poder imenso que tinham os pontifices nos sacrifícios, e em tudo que era concernente à religião ( posse facere ) ou d'uma ponte de madeira, que tinham a seu cargo fazer sobre o Tibre, e reparar ( pontem facere ; porque por esta ponte não passava ordináriamente senão o que era necessário para os sacrifícios.

 2º  AGOUREIROS ou AUSPICES -  ( Augures ) a que presidia o Augur - maximo, eram assim chamados porque prediziam a vontade dos deuses pelo canto das aves  ( avium garritus ); mas suas funções estendiam-se ainda ao vôo das aves, maneira de comerem, beberem e sairem das gaiolas; e geralmente a tudo o que acontecia de extraordinário no céu e na terra.
   Suas insígnias eram uma toga escarlate, e um bastão chamado lituus.
   O lugar d'onde observavam as aves, chamava-se templum, e se o agouro era tomado pelo vôo das aves, chamavam a estas proepetes; se pelo canto, chamavam-lhes oscines. Se o auspicio era favorável, dizia-se que as aves o admitiam ( admittere, ou addicere ) ; se desfavorável, dizia-se que o regeitavam ( refragari ).

3º  HARUSPICES, ou EXTISPICES -  ( de Haruga e exta, entranhas; e aspicio, observar ) eram sacerdotes, que tiravam bons e maus presságios pelas entranhas das vítimas.
     Quando as entranhas ( coração, pulmões, figado, baço, lingua e rins ) estavam sãs, o presságio era favorável; pelo contrário era funesto, se aquelas partes se achavam lívidas, desfeitas, ou não apareciam. E d'aqui vem os diferentes termos porque as qualificavam:

   Adjutoria, quando apresentavam sinais certos, em que se podesse assentar a predicção.
   Bona, quando não tinham defeito algum.
   Clivia, quando vedavam a empresa sobre que eram consultadas.
   Muta, quando nada se podia concluir da sua observaçao.
   Regalia, quando prometiam aos grandes uma honra inesperada, e aos particulares heranças.
   Tristia, pestifera e piacularia, as de triste e funesta predicção.

   As vítimas que substituiam outras, em que os sacerdotes fraudulentamente tinham feito desaparecer alguma das referidas partes, eram chamadas succidaneas.
   O sacerdócio dos Haruspices teve grande voga na Etruria.

   4º  DUUMVIROS - Para a celebração  dos sacrificios ( Duumviri sacris faciundis ) eram os sacerdotes encarregados da guarda dos livros sybillinos, de os consultar nas circunstâncias perigosas da republica, e de fazer tudo que eles prescreviam. O seu numero chegou a quinze no tempo de Sylla.

   5º  IRMÃOS ARVAES . - ( Fratres Arvales ; d'arva, campos lavrados ) eram assim chamados, porque faziam sacrifícios publicos pela fertilidade dos campos.
   Estes sacerdotes foram originalmente doze, filhos d'Acca Laurencia, ama de Rómulo, que lhe serviam nos sacrifícios que ela tinha o costume de fazer. Tendo morrido um, Rómulo substituio o morto, e por isso deu a todo o colégio o nome  de Irmãos. Usavam por distintivo coroas de espigas e fitas brancas.
   Os sacrifícios chamavam-se ambarvalia ( d'ambire arva andar em roda dos campos ) e também Laurentialia, de Laurencia, sua instituidora.

  6º  CURIÕES - ( Curiones ) eram os sacerdotes que tinham a seu cargo celebrar os sacrifícios de cada curia.
   Eram trinta as curias, porque outras tantas foram as tribus em que Rómulo dividiu o povo; os respectivos sacerdotes eram sustentados por meio de ofertas, ou dizimos que os cidadãos da curia lhes pagavam.
   N.B. Os curiões correspondiam aos nossos padres ou pàrocos e o seu chefe o curião - máximo, a um bispo na religião católica

  7º  INTENDENTES  dos  BANQUETES SAGRADOS -  ( Septemviri Epulones ) eram sete sacerdotes que presidiam aos banquetes nos sacrifícios publicos e regulavam o seu cerimonial.

   8º  FECIAES - ( Feciales ) cujo  chefe era o Pater patratus ( Arauto máximo ) ; eram vinte sacerdotes criados para fazerem as declarações de guerra, e tratados de paz; e impedirem que os romanos empreendessem  guerras ilegitimas.
   Foram instituidos pelo rei Numa Pompilio, que, por sua profunda política, quiz dar um caracter religioso aqueles actos internacionais, para se evitar a perfidia, e fazer respeitar a bandeira romana.   ( * 1 )

 * Continuarei as  referências históricas numa outra jornada.