quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cascais.Um carrossel.

Não, não vou abordar agora o " carrossel " do dia a dia das nossas vidas, pois para isso teria de me indispor um pouco e a algum dos amáveis leitores que por aqui  me dão a honra de suas visitas. Do que vou falar e pouco, é tão só do lindíssimo carrossel na verdadeira acepção da palavra que está em funcionamento ali bem no centro da nossa Vila para todos vermos.
Jardim Visconde da Luz e um carrossel em Abril.

 Uma realização bem simpática nestes tempos cinzentos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A terceira dimensão.

Cabo Raso
Bela imagem obtida por um entusiasta da fotografia aérea a cujo blog  portugalfotografiaaerea.blogspot.com/
recomendo uma visita com tempo porque, ali, encontram-se imagens deste nosso Portugal nunca antes vistas.

Esta curva que se desenha no horizonte baptizei-a de curva do vento, porque regra geral quando em bicicleta por ali passo, mesmo junto ao Cabo Raso, o dito faz a sua aparição nem sempre agradável. Isto quando se viaja no sentido Sul / Norte.






 Imagem gentilmente cedida por:

                                                 portugalfotografiaaerea.blogspot.com/

domingo, 15 de abril de 2012

A mais vil de todas as castas.

 Ramalho Ortigão escrevia em As últimas farpas.

 " Tem-se a impressão de que os Portugueses precisam de emigrar para desenvolverem todos os recursos da sua nativa e l?atente capacidade. Porquê
Não foi em 1910.   É hoje!  em 2012 !

 Porque na sua Terra a casta dos políticos, a mais vil de todas as castas,  predomina;
absorve as energias nacionais, na mísera ambição e na reles intriga de partidos; revoluciona; revolve até aos seus mais profundos alicerces o equilíbrio social; perturba e enxovalha a serenidade da aplicação e do trabalho; em nome de uma quimérica   igualdade, com que incendeia a brutalidade das multidões, decapita e destrói a influência ponderadora das élites e deturpa, avilta, emporcalha tudo, afogando num cataclismo de lama a dignidade de um País inteiro. * 1
 

Ervas daninhas

Na sequência do assassínio do Rei, em 1908, escreve D. Carlos o Martirizado. Com a implantação da República, em 1910, pede imediatamente a Teófilo Braga a demissão do cargo de bibliotecário da Real Biblioteca da Ajuda, escrevendo-lhe que se recusava a aderir à República "engrossando assim o abjecto número de percevejos que de um buraco estou vendo nojosamente cobrir o leito da governação". Saiu em seguida para um exílio voluntário em Paris, onde vai começar a escrever as Últimas Farpas (1911-1914) contra o regime republicano

* 1 - ( Últimas Farpas, pp. 181-186 ) .

sábado, 14 de abril de 2012

Mário Clarel.

Tenho pensado várias vezes ao longo dos anos neste Senhor.Conheci-o era eu criança quando, aos sábados, na escola primária a velha escola camarária ele nos mandava formar no exterior sob a cúpula do telheiro, ao lado do pátio do recreio e em ordem unida todos cantava-mos saudosas melodias debaixo da sua batuta.Tempos depois com meu Pai fui várias vezes ao seu escritório ali no edifício hoje da Junta de Freguesia  para o Sr: Mário Clarel tratar de uns papéis " respeitantes a assuntos de meu Pai. Parece que estou a ver o Amigo Mário...de estatura física baixa, com um rosto onde sobressaía um apêndice nasal algo dilatado que eu criança admirava, bem como os seus dedos muito marcados pela inconfundível coloração adquirida pelos grandes fumadores de cigarros. Sempre muito bem vestido com o seu casaco e gravata e, no Inverno, uma invariável gabardina. " Entra ... entra...então que te trás por cá Jorge ? " Disparava" para meu Pai. E tu Zé... já sabes quem foi o primeiro Rei de Portugal ?  Frase esta que sabendo eu  ele iria proferir obrigava-me a uma preparação  prévia afim de responder, em bicos de pés, demonstrando ante dois vultos que muito admirava a minha enorme cultura.
HONRA À SUA MEMÓRIA

Trabalhava o Sr: Clarel num escritório modesto ao cimo de umas escadas de madeira sempre rodeado de um aroma a tabaco e de um cinzeiro que eu estranhava nunca se encher, talvez por ele o despejar constantemente.
Várias vezes o encontrei na Vila sempre simpático e prestativo, senhor de uma simpatia natural. Fez parte de um Cascais da minha adolescência que muito me apraz registar.

Aqui bem perto de minha casa .




 "   Mário Bento Bernardes ( Clarel ) ( 1907 - 1987 )
   Natural de Carcavelos começou desde muito novo, a aprender música na Associação Humanitária Recreativa Cascaense, hoje Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais, mas pouco tempo depois, passou para a Sociedade Musical de Cascais e ali se conservou toda a sua vida, compôs centenas de obras musicais e teatrais e ensaiou tantas outras de sua autoria. Foi o criador e dirigiu  as afamadas orquestras ligeiras, entre elas a " Musical Orquestra Jazz " e a " Orquestra Baía " que levou o nome de Cascais ao país inteiro. Grande amigo de toda a gente, faleceu no dia 27 de Maio de 1987. "  * 1

* 1 - Extraído do livro:
                                           "   OS NOSSOS ARRUAMENTOS "
               Autores:         Manuel Eugénio F. Silva e
                                    José Ricardo C. Fialho
                
                   Editado em Cascais no ano 2009

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta feira 13

Data normalmente associada a eventos de natureza azarada. Até agora, no que me diz respeito, nada a assinalar mas o dia ainda não acabou. Ciente disto e como até à presente data,  já com alguns "anitos" de vida tudo o que de ruim me aconteceu por obra e graça do destino foi, parece-me, sempre em outros dias que não nas sextas feiras treze.
De novo, em sexta feira 13, a natureza sorri para mim.

Não vou portanto adoptar qualquer estratégia especial limitando-me a usufruir de mais um dia feliz até porque o clima atmosférico a isso é propício. Tenho criado algumas obras em tela e aguarela e ainda há pouco plantei duas árvores no quintal. Para já tudo vai bem.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Postal de Cascais.




 Ali...escondida dos olhares da maioria de nós encontra-se esta pequena maravilha autêntica beleza de aparência frágil.
Beleza humilde
Local de repouso para almas errantes. Simultâneamente de conforto para outras tranquilas mas sempre um local de culto.

Rodeada por exuberante vegetação e por uma tranquila ribeira de águas pluviais torna-se um daqueles locais apelativos a uma visita em qualquer tempo.


       De acesso restrito dado se encontrar inserida numa instituição social não significa que se torne impossível fazê-lo.Marginal a uma estrada estreita e sinuosa, onde mal cabem dois veículos automóveis lado a lado, a observação sob este ângulo em que a fotografei torna-se proibitiva por ser impossível estacionar, o que não sucede a quem, como eu, o faça em bicicleta.
 Assim aqui apresento este postal de Cascais










terça-feira, 10 de abril de 2012

A liga da Duqueza

                                                
                                                                            A senhora Duqueza, uma belleza antiga
                                                                            De bastão de Limoges e de cabello empoado,
                                                                            Certo dia, ao descer do seu estufim doirado,
                                                                            Sentiu desapertar-se o fecho d'uma liga.


                                                                           Córou, quiz apertal-a ( ao que o pudor obriga ! )
                                                                           Mas voltou-se, olhou ... Tinha o capellão ao lado.
                                                                           Mais um passo, e perdeu-se o laço desatado,
                                                                           E rebentou na côrte uma tremenda intriga.
                                                               

                                                                                 
                                                                     
                                               
                                                                           Fizeram-se pregões. Marquezes, Condes, - tudo
                                                                           Procurava, rompendo os calções de velludo
                                                                           Por baixo dos sophás, de joelhos pelo chão ...


                                                                           E quando já ninguem cuidava - que surpreza ! -
                                                                           Foi-se encontrar por fim a liga da Duqueza
                                                                           No livro d'orações do padre capellão.

                                                                                                              JÚLIO DANTAS.



         Texto extraído da;
                                   
                                    " Illustração Portugueza "
                                 
                                     Nº167.
                                     Lisboa, 3 de Maio de 1909.


         
                                                 

domingo, 8 de abril de 2012

Domingo de Páscoa.

Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem através do grego Πάσχα) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação (ver Sexta-Feira Santa) que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 da Era Comum. A Páscoa pode cair em uma data, entre 22 de março e 25 de abril. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses, desde o domingo de Páscoa até ao Pentecostes. *


Origem do texto ; WIKIPÉDIA

sábado, 7 de abril de 2012

Canção da chuva.

                                                      Canção da chuva

                             Cai a chuva fortemente...
                             Nuvens negras vão no céu
                             estendendo sobre a terra
                             um espesso, denso véu.


                                            Sob a folhagem que chora
                                            recolhem-se os passarinhos,
                                            redobrando os seus cuidados
                                            c'os filhos que estão nos ninhos.

                             Saem do leito os rios,
                             crescem e sobem as fontes;
                             e um véu de tristeza imensa
                             cai do mais alto dos montes.
                                                                     


                                           E enquanto a chuva, caindo
                                           no campo e nos povoados, 
                                           vai fazendo aborrecer, 
                                           os inúteis sem cuidados;
                           
                             Lá na aldeia o lavrador,
                             que, apertado o coração,
                             já via à sede morrer
                             dos caros filhos o pão...

                                           Exulta contente, agora,
                                           e a sua alma ri e canta...
                                           Oh ! fartura dos celeiros,
                                           cai, chuva bendita e santa  ! 



* " Leituras " 
  3ª Classe - 1945. Pág: 135
                      

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ensino Primário

Tenho revisto com muito carinho alguns dos meus livros de criança. Entre eles encontrei o " Leituras " para a 3ª Classe que como muitos dos que conservo e estimo ainda me vão recordando algumas lições ainda hoje úteis. Como exemplo escolhi o seguinte texto:


                                                                   ANEDOTA
         " Há muitas pessoas que, a ler ou a escrever, pouca ou nenhuma importância ligam às vírgulas, pontos e vírgulas e até pontos finais, passando por tudo isso a fugir, como gato por brasas, sem se lembrarem de que, quem muito corre, mais sujeito está a tropeções.
        Pois para se ver até onde chega a importância de um ponto e vírgula, aí vai uma frase que, sem essa pausa, representa um autêntico disparate, que ninguém entende:

                                          Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador
                                                         era também o pai do cão.

      Como se vê, a mãe do caçador ser também o pai do cão é coisa sem pés nem cabeça; e, no entanto, basta colocar um ponto e vírgula adiante da palavra mãe, para a frase ficar perfeita, assim:
 Um caçador tinha um cão e a mãe; do caçador era também o pai do cão.
      E aqui têm como um simples ponto e vírgula - sinal que tanto desprezam, quando lêem e escrevem - teve o poder de explicar que ao tal caçador pertenciam, além do cão, a mãe e o pai do mesmo. "


 Como já referi trata-se de uma lição extraída do livro da 3ª classe do já longínquo ano de 1945. Foram seus autores: Manuel Subtil; Cruz Filipe;Faria Artur e Gil Mendoça.
 Em relação aos tempos actuais merece-me um comentário de tristeza quando olho para a televisão e observo as agressões à língua nos mais banais escritos de " rodapé " aquando dos noticiários e não só.Nos jornais, na inter-net, etc. Enfim temos o que merecemos! Nisto e em muito mais.