domingo, 31 de julho de 2011

Grutas do Poço Velho. Cascais.

      Cascais já era um povoado conhecido no tempo em que os romanos dominaram a Península Ibérica Chamavam-lhe então Cascale. Talvez abrigasse  um " Castro ", uma praia de pescadores , " vilas " de luxo para uso dos patricios.

Poço Velho. Entrada das Grutas na actualidade. Foto de 29 / 7 2011.

As grutas do Poço Velho. Encerradas no interior do gradeamento.
    Nada se sabe ao certo da origem de Cascais. Mas é de supor que o seu chão seja um antigo solo histórico em que as citânias se sobrepuseram às citâneas. O significado integral das grutas do Poço Velho ainda não foi inteiramente compreendido.
   Mesmo no coração de Cascais, nos terrenos vizinhos da estação ferroviária, numa barreira ao fundo do jardim do visconde da Luz, abrem-se as três bocarras dessas grutas. Local acessível, fácil de ver. As grutas, cujas cavernas são obra da Natureza, serviram de cemitério a uma desaparecida humanidade- -milenária , decerto então residente no termo de Cascais ,mas cuja recordação se perdeu no grande tempo sem contagem. Pode supor-se que as suas cavernas de vivos vizinhassem com as dos mortos. Pode fantasiar-se que há cinco mil anos já existia um aglomerado humano no solo da vila histórica, e tão estuante de paixões e vaidades como todos os aglomerados humanos - sobre cujos vestígios se ergueram sucessivamente a Cascale romana, a aldeia mosárabe, a vila dos pescadores medievos , a antiga povoação da cidadela, e a urbe aristocrática que foi a praia querida dos nossos últimos reis.

Sobre as barreiras ocas dessas cavernas tumulares do homem primitivo erguem-se agora alguns prédios da moderna Cascais.
    Já em 1879 as furnas do Poço Velho tinham sido exploradas pelo geólogo Carlos Ribeiro. o espólio que deram, rico em elementos de estudo  - machados de pedra polida, cilindros de calcáreo, setas e facas de sílex, vazilhas de cerâmica, objectos de osso, contas de colar,placas de xisto gravadas, um crescente lunar em calcáreo, ossos humanos e de vários animais domésticos que ainda hoje servem a humanidade  - encontra-se actualmente num museu e tem sido observado por vários arqueólogos. Ùltimamente, o arqueólogo Afonso do Paço estudou detidamente todas essas peças, fotografou-as, relacionou-as, comentou-as, e publicou num livro o resultado dos seus trabalhos de investigação sobre as relíquias deixadas pelos homens que habitaram, talvez com prioridade, essa terra de Cascais, a via maravilhosa da Costa do Sol
  
Do livro de  Branca de Gonta Colaço e Maria Archer.
                      " Memórias da Linha de Cascais "
                       Publicação do ano de 1943 .                                      

sábado, 30 de julho de 2011

Extraterrestre .



                                        Vou contar-vos uma história que não me sai da memória.
                                        Foi para mim uma vitória nesta era espacial.
                                         Outro dia estremeci, quando abri a porta e vi
                                         Um grandessíssimo O.V.N.I. pousado no meu quintal.

                                         Fui logo bater à porta. Veio uma figura torta, eu disse:
                                       " Se não se importa poderia ir-se embora ? "
                                         Tenho esta roupa a secar e ainda se vai sujar
                                         Se essa coisa aí ficar a deitar fumo pra fora.

                                         O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                         Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                          Mexeu lá no botão e pode contar-me, então,
                                          Que tinha sido multado por o terem apanhado sem carta de condução.

                                          O senhor desculpe lá. Não quero passar por má,
                                          Pois você aonde está não me adianta nem me atrasa.
                                          O pior é a vizinha que parece que adivinha.
                                          Quando vir que estou sózinha com um estranho em minha casa.

                                           Mas já que está aí de pé, venha tomar um café.
                                           Faz-me pena pois você nem tem cara de ser mau.
                                           Eu queria saber, também, se na terra donde vem
                                           Não conhece lá ninguém que me arranje bacalhau


                                                                                  
                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão, disse para me pôr a pau
                                            Pois na terra donde vinha nem há cheiro de sardinha
                                            Quanto mais de bacalhau.

                                            Conte agora novidades. É casado ? Tem saudades ?
                                            Já tem filhos ? De que idades ? Só um ? A quem é que sai ?
                                            Tem retratos, com certeza. Mostre lá, ai que riqueza !
                                            Não é mesmo uma beleza ? Tão gordinho, sai ao pai.

                                            Já está de chaves na mão ? Vai voltar para o avião ?
                                            Espere que já ali estão umas sandes pra viagem.
                                            E vista também aquela camisinha de flanela,
                                             Para quando abrir a janela não se constipar co'aragem.

                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão e pôde-me dizer então
                                            Que quer que eu vá visitá-lo, que acha graça
                                             Quando eu falo.Ou ao menos para escrever.

                                            O senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado.
                                            Quis falar mas disse " pi " estava mal sintonizado.
                                            Mexeu lá no botão só pra dizer
                                            " Deus lhe pague "

                                            Eu dei-lhe um copo de vinho e lá foi no seu caminho
                                            Que era um pouco em ziguezague.  ( * )
                                                                                                    

                 ( * ) De autoria do falecido Carlos Paião .
                              Interpretação do grupo MESA.                          
                                           
                         

sexta-feira, 29 de julho de 2011

De bom humor. A carta de despedida.


  Pois meu filho é assim a vida. Olha cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas. Como tinha ficado de te enviar a fotografia do teu primo aquando do dia de festa cá da terra aí a tens.


 Ainda se vê a prima ao fundo... A festa foi bonita.Houve um concurso de porcos. Foi pena não estares cá . Tinhas ganho de certeza. Olha fiz-te uma camisa nova com as velhas de teu pai. O teu pai caiu na tina de vinho. Foi um castigo para o tirar de lá, empurrava todos e dizia para o deixarem sózinho, até parecia o teu tio quando caiu no depósito da cerveja lá na fábrica onde trabalha.  Não se deixava tirar e gritava por tremoços. Já se vê. É da família estes desastres. Vou acabar dizendo-te a pena que tenho de te não enviar os vinte euros dentro da carta, como pediste, mas quando me lembrei disso já tinha fechado o envelope.
 Beijinhos de todos. Menos do teu irmão que bateu com a cara no muro quando corria a apanhar caracóis.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um sonho impossível. ( para nós portugueses )

                                                              SONHEI que...
 ... O que me espera nos próximos dias meses e anos. Imagino uma situação deveras tranquila refastelado sob a sombra de alguma árvore se for verão, ou ao calor do fogo se for inverno. Se a primavera for a estação eis-me a passear por este país maravilhoso , se for outono, que bom o cheirinho das castanhas assadas. Mereço este bem estar pois à semelhança dos meus patrícios dediquei uma vida ao trabalho contribuindo com os meus descontos para esta reforma tida sempre como garantida, o que se confirmou ser verdade.  Receio uma qualquer dor ou mal estar físico, claro está, mas, enfim se houver necessidade tenho a segurança social ao meu dispor. Tenho visto grupos de idosos como eu que partem em excursões pelo país e pelo estrangeiro fomentadas e incentivadas pelo Estado forma gentil de retribuir todos os sacrifícios que lhe dedicaram ao longo de uma vida útil. Ainda bem que é assim em quase toda a Europa. Eu estou tentado a aceitar um desses convites porém, e, graças a este mesmo Estado que tanto nos ajuda a todos, ando a poupar uma parte substancial da reforma afim de efectivar um cruzeiro por  esse Mundo embora a assistência à velhice ache isso desnecessário pois no fim acabamos todos por visitar o mesmo. Quem diria que quando se construiram diversas infra-estruturas auto estradas, pontes e barragens. Se melhoraram  aeroportos, vias férreas etc. com os empréstimos da União Europeia seria tão cómodo o seu pagamento e que bom sentir as gerações vindouras gratas aos politicos deste tempo. Sinto-me tão feliz ! Obrigado meu Portugal pelos brilhantes filhos que criaste.

Em breve estaremos assim. Ou lá perto.    ( * )

    Em conclusão do meu racíocinio edito esta foto para realçar e agradecer à Classe Política  que sempre nos tem governado o nunca permitir que cenas destas ou outras semelhantes que decerto deverão existir no estrangeiro fossem possíveis por cá. Ainda bem. Benditos sejam durante muitas e muitas gerações. Continuarei a votar sempre convicto de contribuir para o bem estar geral independente do partido que for eleito. A abstenção é tão baixa o que prova a nossa confiança nos deputados ou presidente, pois todos têm dado sobejas provas de só se preocuparem com o nosso bem estar. A não ser assim como é que nós portugueses temos tão pouco desemprego e até se diz que só não trabalha quem não quer.
 Vou-me deitar não sem antes lembrar o passeio que acabei de dar pelas ruas aqui da vila. Tanta gente, tanta alegria e que sensação de segurança transmite ver um cívico ou como é mais usual dizer, um agente da polícia  passar por mim e cumprimentar com um sorriso.... ( 1 )

 ( 1 )  -  "  Aqui soprei a vela e adormeci enrolado num cobertor frio. A fome fizera-me acordar deste sonho para a realidade. "
                                                           
(  *  )     Web site desta imagem. " Sentidos da educação social "

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Anticiclone. O que é ?

  Tanto vento de nortada , algum desconforto térmico para esta época do mês, já bem entrado o Verão. A culpa é do Sr: Anticiclone dos Açores que resolveu passear um tanto ou quanto fora dos seus terrenos habituais ou, antes, andar de candeias às avessas com depressões  ( também ele coitado ) ondulações e cristas anticiclonicas. Fui então tentar saber o que é um anticiclone. Consultei quem sabe e... eis o que encontrei .

A família hoje. 
    "    O que é um anticiclone ? Antes de mais, anticiclone não significa  " anti tempestade ", porque " ciclone " não significa tempestade, a não ser numa corrupção de informação. Todas as grandes tempestades da atmosfera terrestre são centros de pressão baixa, centros ciclónicos: mas quase nenhuns centros ciclónicos chegam a ser tempestades.
   ANTICICLONE - É um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais frio e mais pesado, em cima, desce, aumentando a pressão junto ao solo: é um centro de pressão atmosférica alta, ou  " uma Alta " na gíria. Ao contrário, um ciclone é um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais quente e mais leve, em baixo, junto ao solo, sobe  - como o balão de ar quente  - baixando a pressão junto ao solo: é  um centro de pressão baixa, depressão ou  " uma Baixa ".
   Pensemos no esquema seguinte, simples: sobre uma região em que o ar seja mais quente que nas vizinhanças, o ar aquece e, porque o ar quente é mais leve que o ar frio, o ar quente sobe na atmosfera, como um balão de ar quente, como o  " balão de S. João ". Ao subir, o ar quente provova uma rarefacção de ar junto à superfície, ou seja, um abaixamento de pressão, ou um centro de pressão baixa: uma depressão, um ciclone. Mas o ar quente que sobe ( e a esta subida chama-se convecção , arrefece e torna-se mais pesado do que era; mas é  " empurrado " para cima pelo ar quente que vem de baixo . Então, este ar arrefecido tem que se afastar da coluna de ar que subiu, até que, por se ter tornado mais pesado, começa a descer  ( e esta descida chama-se subsidência ), comprimindo o ar que está por baixo e forçando-o a afastar-se, na base.
   Entretanto, por compressão, o ar aqueceu, chega à superfície e afasta-se. Por compressão formou-se uma região de pressão alta, um anticiclone.
  Facilmente se conclui que há circulação do ar atmosférico das  " altas " para as  " baixas ", à superfície, e das " baixas " para as  " altas ", em altitude ( sem que esta  " altitude " seja muito alta... ).
   No Hemisfério Norte, em torno dos anticiclones o ar roda no sentido dos ponteiros do relógio, para a direita, e em torno das depressões, ou ciclones, roda no sentido oposto, para a esquerda.
  Também se conclui que uma área anticiclónica deve ter  " céu geralmente limpo ", o que as imagens de satélite mostram ser  " quase verdade "  " ( * 1 )

( * 1 - Extracto do livro O ANTICICLONE DOS AÇORES .
           Obra de Anthimio de Azevedo. *

* Anthimio José de Azevedo . Nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 27 de Abril de 1926. Licenciado em Ciências Geofísicas, especializado em Meteorologia.                                

terça-feira, 26 de julho de 2011

Água = Vida . ???



    Uma boa notícia...para variar.
                                   
     Segundo li no Diário de Notícias de ante-ontem 24 ; " Duas equipas de astrónomos  lideradas por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, descobriram o maior e mais distante reservatório de água alguma vez encontrado no universo.
     Localizada a 12 mil milhões de anos luz  ( o que  significa que as imagens são de uma altura em que o universo tinha só 1,6 mil mil milhões de anos ) a massa de vapor de água é 140 biliões de vezes superior `a quantidade de água de todos os oceanos da Terra.

           A 12 mil milhões de anos luz .Água em quantidade de 140 biliões de vezes superior à   existente nos nossos mares.

       A massa de água encontra-se à volta de um quasar, um dos objectos mais brilhantes do universo  "

Quase que fico sem fala ...Então sendo assim e considerando a velocidade da luz ( 300.000 km / segundo ) algo como 7 minutos do Sol à Terra, será que ainda lá estará hoje ?  Como dizia um ex dirigente político cá na urbe " é fazer as contas "!
 De qualquer das formas não deixa de ser animador confirmar, na prática a teoria de que, onde há água há vida. Pena é que nunca, neste caso, a humanidade em termos técnicos e materiais jamais lá possa ir e voltar para contar o que viu. Decerto haverá  " algo " mais perto. Tenho fé nisso. ( Religiões à parte p.f. ) Aguardemos pois. Será que algum ser, desse imenso cosmos nos dará uma dica ?  Andará por aí, com essa vontade ? Gostava tanto de saber o que se esconde sob a capa do desconhecido! Ou estaremos sós fisicamente ? Não creio.

                                                   

Amores famosos da História e da Literatura.



                                                      PETRARCA  e LAURA.

              São poucos os dados que a história nos reserva acerca dos amores de Petrarca e Laura.

Petrarca e Laura  ( Século  X I V  ) *
* Wikimedia Commons .



       Sabe-se que o celebrado poeta e pensador italiano, nascido no ano de 1304, viu pela primeira vez a sua amada numa Sexta - Feira  Santa, durante os sagrados ofícios, na igreja de Santa Clara de Avinhão.
      Concebeu uma paixão imensa e aliás impossível, pois não era livre a dama tão loucamente amada. Não obstante, Petrarca dedicou a vida inteira a cantar aquele grande Amor. Quando Laura morreu, vítima da peste que assolou a cidade de Avinhão, escreveu Petrarca uma poesia maravilhosa: " In morte de Madona Laura ". E quis recolher a um convento.
     Tal passo não lhe foi permitido, porém, por seus parentes e amigos. De Petrarca são os belos versos que bendizem o instante em que conheceu a Amada.

                                                  Bendito seja o ano, o sítio, o dia,
                                 A estação, o lugar,o mês, a hora calma
                                 E o país em que seu encantador olhar
                                 Se encandeou na minha alma...

                                                                       
                                         Patrizia Vaccari  -( Soprano ).   Gabriel Dal Santo - ( Piano.)                    


                                                                 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A quem deixa ele a fortuna ?

                   
                     Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e pena , e escreveu assim :

                                                            
 " Deixo todos os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada  para os pobres ".

                                              Não teve tempo de pontuar e morreu.
                                                 
                                                    A quem deixa ele a fortuna ?
                                                 
                                                      Eram quatro os concorrentes.

     Chegou o sobrinho e fez as pontuações numa cópia do bilhete:

    " Deixo todos os meus bens à minha irmã ?  Não.  A meu sobrinho.
      Jamais será paga a conta do alfaiate.  Nada  para os pobres. "

     A irmã do morto, chegou em seguida, com outra cópia do escrito e fez as pontuações deste modo:


      " Deixo todos os meus bens à minha irmã.  Não a meu sobrinho.
        Jamais será paga a conta do alfaiate.  Nada  para os pobres."

    Surgiu o alfaiate, que pedindo cópia do original, fez estas pontuações:

     " Deixo todos os meus bens a minha irmã ? Não.  A meu sobrinho ?
        Jamais.  Será paga a conta do alfaiate .  Nada  para os pobres. "


  O Juíz estudava o caso quando chegaram os pobres da cidade e um deles mais sabido, tomando de outra cópia, pontuou assim :


    " Deixo todos os meus bens a minha irmã ?  Não.  A meu sobrinho ?
      Jamais.  Será paga a conta do alfaiate ?  Nada.  Para os pobres.

                                                                  

domingo, 24 de julho de 2011

Por vezes lembro-me disto.

                                                        


          Há  coisas que se não conhecem bem senão nas ocasiões.
                                                                           
                                                                   


                                                            Eric Clapton . Lágrimas no paraíso.                                     
         Canção escrita e dedicada à memória de seu filho Conor Clapton de apenas 4 anos, trágicamente falecido. 
                                                   
                                                         LÁGRIMAS NO PARAÍSO
                                      Saberias o meu nome se eu te visse no paraíso ?
                                     Serias a mesma pessoa  se eu te visse no paraíso ?
                                                                      
                                     Segurarias a minha mão se te visse no paraíso ?
                                     Ajudar-me-ias a ficar de pé se te visse no paraíso ?

                                     Irei encontrar o meu caminho porque sei que não
                                     posso ficar aqui, no paraíso.


                                     O tempo pode  trazer- nos para baixo.
                                     O tempo pode fazer -nos dobrar os joelhos                                                                                            Fazer-me implorar " Por favor ". Após essa 
                                      porta, existe paz, eu tenho a certeza.


       Sei que nunca mais haverá lágrimas !!  Saberias o meu nome  se me visses no paraíso ?
                                    Tenho de ser forte...seguir em frente, porque sei
                                      que não pertenço aqui, ao paraíso. *  ( 1
                                                                   
                   
                                 
       (*  1- Tradução minha pelo que peço desculpa das eventuais falhas das quais sou o único responsável. Afinal não sou bom na língua inglesa.                                                        

                                           

                                           

sábado, 23 de julho de 2011

O fim.


 Terminou este dia. Fica para a minha memória como um dos tais que dentro de alguns anos, se os viver, terei ensejo em recordar .

 " Havia homens que sofriam dores atrozes, provindas de males sem remédio. Arrastavam uma existência miserável de sofrimento e deformação. Alguns estavam de tal maneira desfigurados pela doença que já começavam quase a perder a aparência humana. Não se podia dizer que vivessem. Aquilo era uma baça e sórdida imitação da vida. Mas, apesar de tudo, eles temiam histericamente a morte, apegavam-se ao Mundo, queriam viver. (...)
   Mas atentando mais nas pessoas e nos factos ele chegava à conclusão de que o que via, o que podia palpar, cheirar e ouvir não era tudo. Havia algo de indefinível para além da matéria. Ele não sabia bem o que era, tinha apenas uma ideia imprecisa, nevoenta. Ou seria apenas o seu desejo de acreditar que, em alguma parte do Universo, Olívia continuava ainda a existir ? Ou seria a sua relutância em aceitar a destruição irremediável da morte ?
   Pensava longamente em Olívia. Ela estava morta. Era concebível que sua gentileza, sua bondade, seu espírito de tolerância, sua coragem e sua incomensurável fé também tivessem apodrecido com a carne ?
   Não. Havia no Mundo uma imensa harmonia. Ele tendia a crer que todas aquelas misérias e conflitos desaparecessem dentro da grande harmonia universal. Tudo estava bem. "   *  
                                                                        



                                                                                                                

 Constituem estas palavras uma singela mas sentida homenagem a um ente querido que deste mundo partiu.. Foi a sua curta 
 vida recheada de heroismo o que a meus olhos representou sempre a sua luta contra uma doença que nunca a impediu de olhar o Mundo e aos que com ela privaram com um optimismo contagiante. Repouse em paz.

 * Erico Veríssimo
  "  Olhai os lírios do campo."