segunda-feira, 11 de abril de 2011

O POMBO TORCAZ

  Entre a cavaqueira atraente do Soberano e as constantes olhadelas para os lados do Cabo da    Roca,ponto de assômo das aves migrantes, se passou cerca de meia hora.
    Ás oito horas,o desânimo fez-se sentir; perdia-se a esperança de fazer o - gosto ao dedo - como é uso dizer-se em linguagem de caçadores.
   Dom Carlos, para entreter o tempo,metia, vagarosamente,metade do seu aguila imperial numa boquilha de cerejeira, e eu, numa impaciência nervosa,acendia, uns nos outros, os meus magríços paivantes.
   Vou molhar a boca, disse El-Rei, pedindo, ao criado que o acompanhava, um copo com agua,liquido que bebia com manifesto prazer.
   Assim se ia consumindo o tempo quando, lá para os lados do lugar da Areia, ouvimos um cerrado tiroteio.
   Alerta! exclamou Dom Carlos com um sorriso de intimo regozijo.
   Separámo-nos, e, de olhos bem atentos no intervalo que distava do cume dos pinheiros ao infinito, esperámos a passagem das bandadas.
   Não se fizeram esperar as desejadas aves. Os bandos sucediam-se uns após outros, e o tiroteio foi ininterrupto desde a praia do Guincho ao farol da Guia.
   Houve, depois, um longo intervalo. Já nos persuadiamos de que nenhum bando mais passaria. quando,lá oa longe, avistámos uma mancha escura no horizonte. Era mais um bando de retardatárias.
   Vinha alta, muito alta a bandada, devido ao tiroteio ou á falta de vento. Voava em linha recta ao nosso pouso quando, já próxima, El- Rei exclamou:
   -Olha um pombo no meio das rolas; Vou alvejá-lo.
   Realmente: no meio do bando vinha, o que muitas vezes sucede,um pombo escuro. Segui com interesse os movimentos do rei. Á distância de tiro, apontou com destresa,a destresa e 
sangue frio do caçador habituado a fixar instantâneamente o alvo, dando ao gatilho.
   Quase simultâneamente, ouvi a detonação do tiro e vi, qual farrapo a remoinhar no espaço,a peça de caça alvejada. Era um pombo torcaz.




In - Trindade Baptista
   "  Preito á memória d,El-Rei Dom Carlos I "
      " fragmentos históricos biográficos e desportivos "
Lisboa 1933.



Torcazes. ( Herdade do Pinheiro ) *
                                                                
 * Fotografia ; Zé Pinto Lopes.

   















sábado, 9 de abril de 2011

PERVERSIDADE . Das empresas. Das familias. Vitima: Todos nós,um dia,talvez.

As vicissitudes da vida de alguns de nós levam a que a capacidade de resistência de um indivíduo se esgote.
O desgastar progressivamente conduz a um esgotamento psíquico. Estes estados depressivos tem a vêr com o esgotamento, com o stress em grau excessivo.
Sente-se vazia,fatigada,sem energia.Nada interessa já à pessoa assim agredida. Não se consegue mais pensar ou concentrar mesmo em actividades simples. Sobrevem então ideias algo demolidoras do ego.
O risco é máximo no momento em que elas tomam consciência de que foram sacaneadas e que nada lhes permitirá serem reconhecidas. Como era de seu direito.
 O, ou os agressores, procedem de maneira a parecer todo- poderoso, dando a ver rigor moral e sabedoria.
 A desilusão para a vítima crédula, é por isso muito maior.De maneira geral, entre os acontecimentos da vida susceptíveis de desencadear um estado depressivo, não encontramos apenas experiências de luto ou separação, mas também a perda  de um ideal. Daí resulta um sentimento de inutilidade, de impotência, de derrota. Mais do que uma situação difícil ou perigosa, é a experiência de derrota e de impotência, a sensação  de ser humilhado e apanhado na armadilha que pode ser o elemento desencadeador de um episódio depressivo.
A vitima destes agressores, sejam empresas ou familiares, sente então surgirem em alguns casos, úlceras do estômago doenças cardiovasculares, doenças da pele...Algumas emagrecem,enfraquecem, exprimindo através do seu corpo uma afecção psíquica de que elas não tomam consciência e que pode ir até à destruição da sua identidade.
A resposta , comportamental, temperamental, resulta directamente da provocação perversa.

In- LE HARCÈLEMENT MORAL
      La violence perverse au quotidien
      Syros, Paris, 1998.
     

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tempo quente

Vai este Abril algo seco.Há cerca de 50 anos servia de mote a uma campanha publicitária cujo slogan, se bem me lembro, era " Venha passar o Abril em Portugal ".
  Não me recordo se o turismo, especialmente o estrangeiro, tirava proveito do clima. O que recordo é a doçura desses verdes anos, os campos deste cantinho de então. As pessoas solidárias e fraternas. Mais recentemente talvez pelos anos sessenta e setenta as autênticas festas que constituiam para a minha geração uma simples ida ao cinema S. José ou ao Académico. Que bom era no intervalo tomar um cafézinho e fumar um cigarro no bar que estas casas tinham. Era um acto social, reconheço-o hoje, de rara beleza.A diferença que era estar na plateia.Ou no 1º ou 2º balcão. " Ir ao cinema " implicava vestir um pouco melhor" e, se o filme era para maiores de dezoito anos então sentiamo-nos « alguêm » entre a restante rapaziada.
Tudo mudou. Com o progresso acabaram-se estas casas e muito mais. O  Abril em Portugal esse agora é bem mais tristonho. E não culpo o clima.           

quinta-feira, 7 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vivência Rural Cascalense

Moinho na Almosquia

   A apresentação de um estudo sobre a vivência rural das comunidades cascalenses terá, logo à partida, de ter como base um reconhecimento sócio-geográfico da sua componente urbana. Tal situação, que poderia parecer paradoxal é, no entanto,extremamente importante, pois a totalidade dos núcleos urbanos da freguesia de Cascais, foram até épocas muito recentes,meras aldeias rurais,onde as actividades agrícolas e piscatórias representavam um papel de grande importância.
   Se tal situação assume um posicionamento imensamente lógico, quando mencionamos os casos de Birre, Torre, Areia, Charneca ou Aldeia de Juzo, torna-se eventualmente difícil de compreender quando estudamos a vila de Cascais, ou os lugares do Cobre, da Marinha, da Pampilheira e das Fontainhas, pois o tipicismo da sua ruralidade, fruto de muitos anos de incúria e de desinteresse, está hoje muito descaracterizado e sumido. No entanto, e sem medo de pecar por excesso, podemos afirmar peremptoriamente ser rural a génese de todos os locais apontados, ou mesmo, como acontece com Cascais, uma mistura de uma vivência agrícola com outra de carácter piscatório, mas onde a complementaridade ocupacional não permite distinguir as duas comunidades.

In: João Anibal Henriques.
Subsídios  Monográficos para uma História Rural Cascalense.
Edicão da junta de Freguesia de Cascais.

domingo, 3 de abril de 2011

A MINHA OPINIÃO.

 Ao não encontrar entre as presentes figuras que dirigem Portugal alguêm a quem, sem hesitações, pudesse apontar a uma criança como um exemplo a seguir recorro-me á nossa História anterior á Republica.
   Há de tudo.Bons e maus exemplos,porém raramente excederam os cem anos de mau governo.
   Agora o que vemos e temos é mau de mais.Como português honesto e humilde que sou não receio que a minha imagem seja confundida com aqueles a que sempre a Republica associou á Monarquia.
   Apenas começei a interrogar-me e a obter conclusões. Assim, afirmo-o peremptóriamente! Admiro muito o Homem,o Cidadão e as obras de Sua Magestade El-Rei D.Carlos. Será este o Grande Português que apontarei a quem me pergunte por qual a pessoa que admiro.
Quanto a politicos e politiquices, não sigo partido algum. Não me revejo em partidos.Não daria o meu voto a nenhum P.P.M. ou outro semelhante. Há uma frase que considero lapidar e que anda por aí. « Não sou politico,todos os meus outros hábitos são saudáveis ». Penso também que os criminosos autores materiais do régicidio a seu tempo foram julgados.Os autores morais ainda hoje estão por julgar.As sementes que lançaram quais ervas daninhas ainda hoje vicejam e prosperam enquanto não aparecer um Simbolo a que todos nós olhemos como capaz de servir o povo que somos e não servir-se de nós como esta legião de inaptos que    (des)governa o País. É fartar vilanagem!

3 de Abril de 1312. Extinta a Ordem dos Cavaleiros Templários

sábado, 2 de abril de 2011

Abril


Ribeira das Vinhas. Principio de Abril.

           Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado
           Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.
           Abril molhado,sete vezes trovejado.
           Quando chegar Abril, tudo vai florir.
           Seca de Abril deixa o lavrador a pedir.

                     

ABRIL no parque natural Sintra / Cascais.

Pisão de baixo

A caminho da serra


paisagem
Vista do forno da cal do Pisão de baixo
Uma madresilva,um lirio,pinheiros e mato.