segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Já conheceram melhores dias.




 Montemor-o-Novo.
As árvores morrem de pé.






  E esta beleza está situada num cantinho do Cobre.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amizade



 Em Roma, a Amizade era representada por uma jovem,coroada de mirtos e flores de romanzeira com o busto meio desnudado. Na sua mão direita ostentava dois corações prêsos por correntes, ao passo que, com a mão esquerda, mostrava o peito até ao coração, no qual se lia a seguinte legenda: " De perto e de longe. "Na orla da túnica, encontravam-se impressas estas significativas palavras: " A morte e a vida ".


 Ramalho Ortigão já no século dezanove, em 1885, lamentava, em expressões sentidas, a decadência do amor e da Amizade:

« O que mais profundamente me impressiona e me repugna na camada moderna, é sobretudo a esterilidade de coração, a secura de sentimento,a absoluta ausência de espontaneidade, o áspero egoísmo levando até a desumanização o abastardamento dos caracteres ( ... ) Hoje em dia o mesmo laço afectivo se dissolveu, e com todas as outras religiões mortas acabou também  a religião da Amizade » ( I )


( I ) Ramalho Ortigão, As Farpas.
Os indivíduos ( Tomo III )

A Ceifeira





                                                No campo a ceifeira labuta sob um sol abrasador.




Acrilico s / Tela.
Formato :24,5 x 18,5.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cascais

       Grande parte do concelho, e também de Freguesia de Cascais, é actualmente composto de pequenas terreolas descaracterizadas e desprovidas da sua beleza original. 
     De facto, o desregramento urbanístico dos últimos anos, bem como a incúria das entidades competentes,contribuio decisivamente para a massificação construtiva neste espaço, retirando-lhe os seus potenciais atractivos e contribuindo para uma situação de caos urbanistico que se torna difícil de controlar.


   
 
Extrato do livro " História rural cascalense "
   
  João Anibal Henriques.
  Edição da Junta de Freguesia de Cascais.
  Ano de 1997. 



  De então para cá e apesar destes alertas pouco mudou. No entanto esta presidência de António Capucho  foi talvez a que mais protegeu o ambiente rural cascalense. É de crêr que a  anterior, de  José  Luis Judas, foi, nesse aspecto, a mais penalizadora.
.

Os dois ventos. O de chegar e o de partir.





             




                                          Um cata - vento que embeleza qualquer telhado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alqueva e Portel.








 Por estes montes do Alqueva estive no domingo 13 de fevereiro.




Portel fotografado quando vinha no regresso a casa. Tarde de Fevereiro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Campos de Cascais





        Esta paisagem  seria impossivel vêr actualmente. Trata-se dos campos a norte da actual,  A 5, situados entre a Qtª das Patinhas e os depósitos de água de Birre. Das perdizes,do ceifeiro e do jerico nada resta também.



 Acrilico S /Tela.
Formato. 30 x 25.




 

Senhora do seu espaço


          Quase ao crepúsculo surge voando em silêncio a nossa  galinhola. Todos os dias á mesma hora.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pensamento

                



      Quando pensamos que sabemos todas as respostas

             vem a vida e muda todas as perguntas.

Galinhola. ( três )

Pinhal da Marinha e serra de Sintra ao fundo.

Quum nemus omne suo viride spoliatur honore. Fultus equi niveis silvas  pete protinus altas  Exuviis. Praeda est facilis et amoena scolopax ...

NEMESIANUS, Cynegetica.

Escreveu a este propósito o admirável escritor  José Maria Castroviejo no seu não menos admirável livro  "Viaje por los Montes y Chimeneas de Galicia" .
 
 " Quando o Outono ainda permite algumas folhas no arvoredo mas o Inverno já se faz anunciar com os primeiros gelos, ao passarmos pelo mais espesso e fechado do pinhal, no momento em que afastamos uma rama ou o tropeçarmos na lenha solta nos obrigam a procurar outro caminho, um ruido,semelhante ao do cão molhado a sacudir-se sobressalta-nos. Quase aos pés uma ave castanha,do tamanho de uma perdiz, mostra-se rápidamente em ziguezague ante os nossos olhos. Logo eleva-se,desviando-se de ramas e troncos, e sobre o bosque envolvido em brumas, desaparece rápidamente.
Naquele momento temos ouvido e visto a deliciosa e apaixonante galinhola ou bicuda.
A formosa literatura cinegética da velha França não lhe é parca em qualificativos: Rainha dos bosques.Bela Dama.Dama de olhos de veludo.A Bela doirada.A selvagem.A feiticeira...Como, com efeito, nos enfeitiça!
Que bem harmonizam com as folhas mortas a sua plumagem,que tem também muito de folha morta. Castanho e castanho claro,negros e cinzentos -que lhe permitem passar despercebida no solo ao olhar mais penetrante. (...)
Digamos que esta nossa visitante invernal é de hábitos nocturnos.Com o crepúsculo,a bicuda sai de espessura do matagal ou do pinhal destacando-se nesse momento contra o céu, ao qual  sobem as sombras do bosque.(...)
Vai então alimentar-se em prados húmidos ou locais de sua escolha mas, sempre, onde possa enterrar o seu longo bico.(...)
Entre Fevereiro e Março,segundo ande o tempo,abandona-nos para voltar aos seus longínquos quarteis do Norte,os grandes bosques da Rússia e Escandinavia, nos quais faz o seu ninho no solo, escolhendo um sitio fresco e seco.Direi, finalmente,que as galinholas empreendem a sua grande viagem com os ventos pelas costas: Nordeste no Outono e Sudueste na Primavera.Em migrações nocturnas e solitárias chegam e partem para nos iludir nos melhores sonhos de caçadores. "  *

O asterisco (...), naturalmente significa que muito mais está escrito nessa obra impar da literatura do País vizinho editada em 17 de Setembro de 1962 pela Editorial Espasa-Calpe,S.A. Madrid.
Tal como muitas outras faz parte destacada da minha biblioteca cinegética.
De leitura amena as suas páginas parecem emanar uma atmosfera hoje completamente perdida para nós citadinos o que mais nos  faz sentir maravilhados perante a prosa deste notável escritor.

* Agradeço a chamada de atenção de um amável leitor do meu blog para o facto de não ter referido o nome de José Maria Castroviejo como autor do texto que poderia ser atribuido a Nemesianus dado ser a referência latina de sua autoria que encabeça o texto. Assim, o seu a seu dono como compete.