Não se lida com o real histórico, não é a sua detecção, a sua exegese, a sua teorização, que se fazem, quando dele expulsamos a inerência do contraditório, do impreciso,do confuso, do paradoxal, colada a si como o rio ao próprio leito. Nesse caso, é o fantástico histórico que nos brota do pensamento, é ao serviço dele que se põe o discurso e a erudição, da mais rudimentar à mais sofisticada.
A História não é um amontuado de pensares, de aconteceres,de agires. É também, e talvez acima de tudo, algo que os impele, os repele ou os transcende. A articulação do suporte factológico com o suporte epistémico constitui o único acesso ao conhecimento e teorização do real histórico. ( 1 )
(1 ) J.S. da Silva Dias
Centro de História da Cultura
da Universidade Nova de Lisboa.
1984.