sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nove anos.

  "  Estes pinheiros mansos são tão antigos, e aquele recanto ali com um pouco de mato e alguns bravos à sua volta, ao lado da terra lavrada. Vou andando... rente ao ribeirinho que por aqui passa  no seu leito de Inverno. No Verão seca. Como esta encosta está coberta de pinhal bravo ! ena... que altos são. Subo uns metros e que vejo; uma fila de pinheiros mansos. Só três ou quatro parecem ter aqui sido colocados,alguns dos  outros nasceram ao acaso. Ao meu lado esquerdo carrascos e uma pequena planície, mais ao longe uns zambujeiros servem de muro para a quinta do engº França.  Lá anda o caseiro, o Sr: Lima a tratar da horta.Vejo um terreno coberto de cimento, deve ser para jogarem ténis;... não sei!  Ao redor que caminhos tão lindos, cheira a flores. Lá estão lirios roxos e mais além um amarelo, hummm... aroma a madressilva, e estes muros de pedra, tantos e de todos os tamanhos a maior parte já de nada servem. D'antes seriam para separar os terrenos. Vou até casa, sigo pelo caminho que, entre muros destas mesmas pedras, separam as terras ainda  lavradas do  Caunha, do Calçabota e outras de quem não sei o nome.Olhando para sul vejo o regato atravessar duas dessas terras lavradas tendo, nas suas margens, silvados.  No inicio um medronheiro enorme  e ao meio outro. Quase em casa mais pinhais, carrascais e um olivão bem idoso. Chego, enfim, e vem o meu cão ter comigo. Depois estou em casa onde encontro os meus pais "
Pequeno trecho dos "meus tempos" entre urbanizações



Rua de Santana. Bairro J. Pimenta. Tudo isto foi por mim percorrido sem alcatrão ou betão.

 Este trecho foi  uma página arrancada ao meu diário imaginário. Nove, dez anitos ou pouco mais.
Nada do que referi ainda existe. Tudo foi desaparecendo. Primeiro a natureza substituida por casas, arruamentos e progresso. Meu Pai quando eu tinha dezessete anos e tudo o mais a pouco e pouco. Algumas vezes ainda recordo certos aromas quando ando pelo campo. Mas não são a mesma coisa.