sábado, 23 de julho de 2011

O fim.


 Terminou este dia. Fica para a minha memória como um dos tais que dentro de alguns anos, se os viver, terei ensejo em recordar .

 " Havia homens que sofriam dores atrozes, provindas de males sem remédio. Arrastavam uma existência miserável de sofrimento e deformação. Alguns estavam de tal maneira desfigurados pela doença que já começavam quase a perder a aparência humana. Não se podia dizer que vivessem. Aquilo era uma baça e sórdida imitação da vida. Mas, apesar de tudo, eles temiam histericamente a morte, apegavam-se ao Mundo, queriam viver. (...)
   Mas atentando mais nas pessoas e nos factos ele chegava à conclusão de que o que via, o que podia palpar, cheirar e ouvir não era tudo. Havia algo de indefinível para além da matéria. Ele não sabia bem o que era, tinha apenas uma ideia imprecisa, nevoenta. Ou seria apenas o seu desejo de acreditar que, em alguma parte do Universo, Olívia continuava ainda a existir ? Ou seria a sua relutância em aceitar a destruição irremediável da morte ?
   Pensava longamente em Olívia. Ela estava morta. Era concebível que sua gentileza, sua bondade, seu espírito de tolerância, sua coragem e sua incomensurável fé também tivessem apodrecido com a carne ?
   Não. Havia no Mundo uma imensa harmonia. Ele tendia a crer que todas aquelas misérias e conflitos desaparecessem dentro da grande harmonia universal. Tudo estava bem. "   *  
                                                                        



                                                                                                                

 Constituem estas palavras uma singela mas sentida homenagem a um ente querido que deste mundo partiu.. Foi a sua curta 
 vida recheada de heroismo o que a meus olhos representou sempre a sua luta contra uma doença que nunca a impediu de olhar o Mundo e aos que com ela privaram com um optimismo contagiante. Repouse em paz.

 * Erico Veríssimo
  "  Olhai os lírios do campo."