quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cascais e eu, um cascalense.

Largo D. Luís junto á praia do peixe.
                                          

Sentir que o dia que passou algo teve de diferente é difícil de admitir. Diferente dos demais dias, claro. Nem ao final com o eclipse lunar algo se alterou.Pensei que ia ser mais impressionante mas admito-o sem reservas ter ficado decepcionado. Fim de tarde ventoso e frio e com a Lua encoberta por nuvens. Aqui junto á serra de Sintra acontece muitas vezes. Durante o dia até esteve algum calor. No que á vivência social diz respeito andando por Cascais nota-se o que em outras ocasiões já referi, ou seja, algum mal estar económico.
   Como não é novidade nenhuma tentei encontrar outros motivos de satisfação pessoal e não é fácil.Mesmo no centro da vila uma obra parada há anos ali junto à estação dos comboios. Lixo no chão, paredes conspurcadas por publicidade e outras coisas por esta minha terra que desgostam qualquer um. Que fazer ? Não há dinheiro para mais, temos de compreender estes tempos. Estou a ficar convencido que " isto " está bom para aquelas pessoas que nunca se esforçaram para ter algo de seu, materialmente falando, e que agora vêem todos os que, autrora, fizeram algo para isso poupando e sacrificando-se, começarem a descer aos seus níveis. Noto-lhes no rosto e nas atitudes essas alegrias cínicas. Com as dificuldades que nos foram e são impostas pelos sucessivos governos, acrescidas em alguns casos pelo desemprego forçado de ulgum membro da família, os bens autrora mantidos e conservados começam a tornar-se de custosa conservação. É aqui que os tais antes tidos como pessoas sem ambições, olham para os que as tiveram e, neste momento, lutam para se manterem naquela dignidade social a que se habituaram,  olham dizia, para o seu declinio com um prazer manifesto.
Praia do Peixe ou dos Pescadores. Cascais manhã de 14 de Junho.
De notar o asseio da praia. A beleza envolvente. Magnifico este meu cantinho.
                                                                       
  De facto a chamada classe média está submergida em uma angustiante queda no abismo. Muito em breve por este andar acabou.
   A por alguns desejada sociedade sem classes, frase conotada com uma certa esquerda serôdia   lamentávelmente aí está. Pena é que tenha ou pareça ter sido construida á custa da desgraça de centos de famílias cuja ambição não era outra  que construir um futuro melhor para si e para os seus. Como foi possível chegar a isto? Eu, pessoalmente, ainda tenho uma ténue esperança que este novo primeiro ministro faça algo diferente, para melhor. Estarei mais uma vez a ser parvo? Mas, como já há muito que deixei de acreditar no pai natal, só desejo condições para que se construa um Portugal, onde cada um de nós possa comprar o seu próprio presente e, fazer de cada dia um natal. Utópico decerto.Como se  diz na canção. Natal é quando um homem quiser!