Hoje andei pela vila. Notei no rosto das pessoas uma tristeza difícil de descrever.Não esperava encontrar rostos sorridentes em todo o lado, não! A realidade do tempo presente aumenta esta sensação de que algo nos falta ou vai faltar. Passei junto aos locais de apoio da segurança social. Em todos notei gente nova e menos nova em filas de espera.Fora destes centros notei que o comércio parece sobreviver intorrogando-me por vêzes de como vivem algumas destas casas.Como pagam os ordenados?As contribuições para o Estado? Este último diz-se actualmente « não ser pessoa de bem».Até os seus servidores denotam mal estar, aqueles que eu conheço e aos quais recorro, como todos nós.Seja na Câmara, nas Finanças,na Junta etc...Dos outros não sei nada. Esses da Assembleia da República é que aparentam nada lhes faltar.
Ainda pelas ruas de Cascais fico triste e apreensivo por notar tantos infelizes a esmolar.Em alguns super-mercados até solicitam uma moeda a troco de arrumar o carrinho das compras.Vem aí a época balnear.As praias e esplanadas vão-se compor.O bendito turista virá? Para esta vila é a salvação. Para nós motivo de um olhar entristecido por estarmos tão longe do nivel de vida desses povos. Excepto a classe politica, claro.A esses nada falta.
Amanhã é outro dia. Lembrei-me do que li e que transcrevo abaixo. Tão actual ontem como hoje!
" O general Gomes da Costa, um militar de grande prestígio, saíra de Braga seguido de toda a guarnição e avançara sobre Lisboa numa marcha triunfal. Gomes da Costa, na sua proclamação declarara: " Vergada sob a acção duma minoria devassa e tirânica, a nação sente-se morrer. Eu por mim revolto-me abertamente ".
Ninguém se lhe opôs porque a verdade era que não só Gomes da Costa mas o país inteiro sentia-se revoltado, estava, enfim, farto!
Estava toda a gente farta e foi com um suspiro de alívio que a enorme maioria dos portugueses acolheu e abençoo o 28 de Maio. " ( 1 )
( 1 ) Pedro Falcão
" Os Valares "
Isto ocorreu em 1926 como sabemos. E se fosse nos dias de hoje?